Ciencia e Tecnologia

Meta prepara novos Ray-Ban com IA avançada para 2026

Meta e EssilorLuxottica se preparam para lançar, a partir de março de 2026, dois novos modelos de óculos inteligentes Ray-Ban com recursos avançados de inteligência artificial. Documentos enviados à agência reguladora dos EUA indicam que os dispositivos já passam pela etapa final antes da estreia comercial.

Novo salto na estratégia de óculos inteligentes

Os registros na Federal Communications Commission (FCC), órgão que regula telecomunicações nos Estados Unidos, revelam os nomes comerciais RayBan Meta Scriber e RayBan Meta Blazer. O Blazer terá duas versões, em tamanhos regular e grande, repetindo a lógica do catálogo tradicional da marca, mas com ambição tecnológica maior.

Os documentos, antecipados pela newsletter Lowpass, do jornalista Janko Roettgers, do The Verge, descrevem os aparelhos como unidades de produção. Essa classificação costuma aparecer quando o produto já está perto da linha de montagem em escala, e não mais em fase de protótipo. Em 2023, a segunda geração dos óculos Ray-Ban da Meta chega ao mercado pouco mais de um mês depois da aprovação pela FCC.

A Meta evita comentar os novos modelos, mas o material enviado ao regulador sugere uma atualização relevante de hardware. Os códigos internos RW7001, para o Blazer, e RW7002, para o Scriber, representam um salto diante da geração atual, que vai de RW4002 a RW4014. A mudança sinaliza uma família de dispositivos nova, e não apenas uma revisão discreta.

Os óculos mantêm a base da proposta conhecida: armações Ray-Ban tradicionais, câmera discreta na lateral, microfones embutidos, conexão sem fio e estojo de recarga portátil. A diferença agora está no quanto esses elementos se apoiam em inteligência artificial em tempo real, apoiada por conexão de alta velocidade.

IA em tempo real e produção em escala industrial

Os registros destacam o suporte à banda Wi-Fi 6 UNII-4, faixa que permite conexões mais estáveis e rápidas em ambientes congestionados. Na prática, essa melhoria interessa a quem transmite vídeo ao vivo, faz chamadas com câmera ou usa assistentes de IA que analisam o que o usuário vê em tempo real. Quanto maior a largura de banda, menor a latência entre o olhar, o processamento e a resposta.

A Meta já explora esses recursos nos Ray-Ban atuais, com comandos de voz e respostas de IA que interpretam o ambiente e imagens à frente das lentes. A nova geração tende a aprofundar essa lógica, aproximando os óculos do papel de computador vestível sempre ligado, algo que a empresa tenta emplacar desde a fase mais intensa do projeto de metaverso.

A EssilorLuxottica relata a venda de mais de 7 milhões de pares de óculos Ray-Ban com IA no último ano, um salto em relação ao total combinado de 2 milhões de unidades em 2023 e 2024. Em janeiro, a Bloomberg informa que o grupo planeja ampliar a capacidade para algo entre 20 e 30 milhões de unidades por ano até o fim deste ano. O movimento coloca a categoria de óculos inteligentes em um patamar que deixa de ser nicho de entusiastas de tecnologia e entra de vez no radar do varejo de massa.

Em conferência recente de resultados, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, afirma que “as vendas dos nossos óculos mais que triplicaram no ano passado” e descreve o produto como um dos eletrônicos de consumo com crescimento mais rápido. Ele diz também que os investimentos do Reality Labs se concentram, cada vez mais, em óculos e dispositivos vestíveis, e menos em realidade virtual pura.

O redesenho dessa estratégia aparece nos bastidores. A Meta corta cerca de 1.000 postos de trabalho no Reality Labs, encerra estúdios de jogos em VR e avalia, em certo momento, descontinuar o metaverso Horizon Worlds como experiência centrada em realidade virtual. A empresa volta atrás após críticas de usuários, mas reorienta a narrativa: o futuro, agora, passa pelos óculos no rosto, e não só pelos headsets volumosos.

Disputa por atenção no rosto do consumidor

A expansão da linha Ray-Ban com IA acontece enquanto a parceria entre Meta e EssilorLuxottica se diversifica. Em 2025, as empresas lançam o primeiro modelo de óculos inteligentes da Oakley e exibem um Ray-Ban com display monocular integrado, um pequeno visor diante de um dos olhos. O conjunto aponta para um ecossistema de óculos conectados, com funções diferentes para esporte, uso urbano e trabalho.

O consumidor comum sente os efeitos dessa disputa no dia a dia. Recursos de IA que até pouco tempo exigem o celular na mão passam a caber em um acessório aparentemente comum. Gravar um vídeo, iniciar uma live, pedir tradução de um cardápio ou descrever uma rota passa a depender de um comando de voz, sem tirar o telefone do bolso. Profissionais que trabalham com vídeo, cobertura jornalística, suporte técnico remoto ou segurança podem transformar os óculos em ferramenta de trabalho, com registro contínuo e análise automática de cenas.

Essa versatilidade atrai novos competidores e pressiona reguladores. Óculos com câmera e IA levantam debates sobre privacidade, armazenamento de dados e vigilância involuntária em espaços públicos. O avanço da Meta nesse mercado tende a forçar rivais como Apple, Samsung e fabricantes de óculos tradicionais a responder, seja com linhas próprias, seja com parcerias semelhantes à feita com a Ray-Ban.

No Brasil, a oferta ainda se concentra em faixas de preço mais altas, mas a escala global prevista de até 30 milhões de unidades por ano pode abrir espaço para modelos mais acessíveis em diferentes mercados. Lojas de ótica, operadoras de telefonia e grandes varejistas de eletrônicos passam a disputar esse novo tipo de consumidor, que procura óculos tanto por necessidade visual quanto por conectividade.

Próxima fase da corrida por wearables

A chegada dos RayBan Meta Scriber e RayBan Meta Blazer, prevista a partir de março de 2026, marca a transição da Meta de uma aposta centrada em realidade virtual para uma estratégia de computação vestível distribuída. A empresa tenta ocupar o rosto do usuário antes que concorrentes consolidem padrões próprios para óculos inteligentes.

Os próximos meses devem trazer anúncios formais, datas de lançamento e, principalmente, os detalhes de software que vão definir o quanto esses óculos conseguem ir além da curiosidade inicial. Se a Meta conseguir transformar o Ray-Ban conectado em produto tão comum quanto um fone sem fio, a forma como encaramos telas, câmeras e assistentes digitais pode mudar de maneira mais profunda do que na era do metaverso.

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