Memphis Depay, dívidas e mercado: Marcelo Paz detalha planos do Corinthians
Às vésperas do duelo contra o Athletico-PR, nesta quinta-feira (19), o diretor executivo de futebol do Corinthians, Marcelo Paz, detalha o plano para segurar Memphis Depay, resolver pendências com o Talleres e seguir ativo no mercado até o fim da janela em 3 de março.
Memphis Depay vira prioridade na mesa de negociações
O futuro de Memphis Depay domina as conversas na Neo Química Arena desde que o atacante assumiu o papel de referência técnica e de liderança no elenco. O contrato atual do camisa 10 termina em 20 de junho de 2026 e o relógio começa a pressionar a diretoria. Mesmo assim, Marcelo Paz transmite confiança na renovação, ancorado menos em discursos públicos e mais no dia a dia do jogador.
O dirigente descreve um cenário de sintonia entre clube e atleta. “A minha expectativa é boa, porque a gente percebe no comportamento dele, nas atitudes, no sorriso, que ele quer ficar no Corinthians, que ele tem o desejo de ficar”, afirma. Paz admite que não se trata apenas de vontade, mas de ajuste fino financeiro e contratual. “Não é só querer ficar; é de fato o projeto, equacionar o que ficou para trás — todo mundo sabe que existe algo a ser equacionado — e entender o que se pensa para frente.”
Nos bastidores, a leitura é clara: o vínculo que se aproxima do fim, somado ao peso de Memphis no time, obriga o clube a agir com rapidez e cálculo. Qualquer ruído em uma negociação dessa escala repercute imediatamente na arquibancada e no mercado. Paz tenta reduzir a tensão ao reforçar que há vontade dos dois lados. “Quando o atleta tem o desejo, as coisas caminham de forma mais fluida. Como o Corinthians também tem o desejo, naturalmente acho que vamos conseguir chegar a uma equação que fique boa para os dois lados”, diz. “O desejo é que ele permaneça. É um ídolo, um atleta campeão e um líder do elenco.”
Enquanto a formalização não acontece, o discurso oficial mira estabilidade. O clube evita falar em prazos públicos, mas sabe que cada mês sem acordo reduz margem de manobra e aumenta o risco de assédio de outros mercados, sobretudo a partir da virada do ano de 2026.
Dívida com Talleres afasta risco imediato de novo transfer ban
A entrevista também joga luz sobre um tema sensível para qualquer clube brasileiro nos últimos anos: o medo de novas punições da Fifa por dívidas internacionais. No caso corintiano, o foco está na cobrança do Talleres, da Argentina, referente à contratação do meia Rodrigo Garro. Paz aponta uma mudança de clima após a ida do presidente Osmar Stabile a Córdoba.
Segundo o executivo, a viagem reabre canais que estavam praticamente congelados. “O presidente Osmar Stabile é muito hábil nesse tipo de situação, é um gentleman. Foi à Argentina, foi muito bem recebido lá pelo presidente Andrés Fassi […] e houve uma reaproximação institucional importante do Corinthians com o Talleres”, relata. O tom é de alívio controlado. “O que posso dizer para o torcedor é que [o transfer ban] está bem mais distante, porque houve diálogo, tentativa e compreensão de ambas as partes.”
A conversa, que até pouco tempo se limitava a notificações e ofícios, agora volta a ocorrer de forma direta. “A conversa hoje é muito mais fluida. O diálogo está reestabelecido e a possibilidade de um transfer ban causado por isso está muito mais distante. A tendência é que haja um bom acordo”, projeta Paz. Na prática, o Corinthians ainda precisa pagar o que deve ou renegociar prazos, mas reduz a chance de um novo bloqueio que impediria o registro de reforços, como já aconteceu com outros clubes brasileiros nos últimos anos.
O alívio tem efeito imediato no planejamento esportivo. Com a perspectiva de um acordo, o departamento de futebol trabalha com o cenário de manter a liberdade para inscrever atletas em competições nacionais e internacionais. Isso impacta diretamente a montagem do elenco para a sequência da temporada, em um ano em que o clube tenta equilibrar recuperação financeira e competitividade.
Labyad aguarda visto e janela segue aberta mesmo com lesão de Yuri
Enquanto negocia no campo jurídico, o Corinthians tenta avançar também no gramado. O meia-atacante Zakaria Labyad, recém-contratado, ainda não estreia por um motivo simples, mas burocrático. “O Zakaria está tirando o seu visto de trabalho e não há nenhum problema além disso”, explica Paz. O jogador está parado oficialmente há cerca de dois meses e usa o tempo de espera para recuperar a forma. “Enquanto ele não tem o visto, está trabalhando fisicamente, porque tinha um déficit por estar parado há dois meses. Já já ele estará inscrito e à disposição para jogar.”
O calendário corre em paralelo ao departamento médico. A lesão de Yuri Alberto acende o alerta em setor decisivo do elenco, mas não muda, segundo o executivo, a lógica de atuação no mercado. “Quanto ao Yuri e contratações, enquanto houver janela, pode haver reforço. Até o dia 3 de março, a gente está atento ao mercado e olhando as situações”, afirma. Ele reforça a importância do artilheiro. “O Yuri vai voltar em breve e é um jogador importantíssimo para a gente, mas, independente da lesão dele ou não, estamos no mercado olhando as oportunidades.”
O discurso expõe a tentativa de equilibrar prudência financeira e necessidade esportiva. A janela brasileira fecha em 3 de março, o que deixa pouco mais de duas semanas para avanços concretos. O clube procura opções que se encaixem no orçamento e no modelo de jogo, sem repetir apostas de alto risco que geraram dívidas recentes. A presença de Memphis como protagonista ofensivo também entra na equação: qualquer reforço de ataque precisa dialogar com o papel do holandês em campo e no vestiário.
Com o apito final em Curitiba, os movimentos deixam o gramado e voltam para as salas de reunião. A diretoria corre para transformar o otimismo em relação à permanência de Memphis em contrato assinado e para finalizar a documentação de Labyad antes da reta final da janela. A Fiel, que volta a lotar arquibancadas neste domingo (22), no duelo contra a Portuguesa, às 20h30, no Canindé, acompanha cada passo como se fosse decisão. As próximas semanas dirão se o discurso de harmonia e reconstrução financeira se sustenta diante da pressão por resultados e títulos.
