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Mbappé rompe silêncio e pede fim das vaias a Vinicius no Real

Kylian Mbappé pede, entre 17 e 19 de janeiro de 2026, que a torcida do Real Madrid pare de concentrar vaias em Vinicius Júnior e cobre o time como um todo. O francês transforma a crise no Bernabéu em um debate sobre responsabilidade coletiva às vésperas de duelo decisivo pela Champions League.

Crise no Bernabéu expõe rachaduras

O apelo público nasce no sábado, 17 de janeiro, durante a vitória por 2 a 0 sobre o Levante, no Santiago Bernabéu. O placar mantém o Real Madrid vivo em LaLiga, a apenas um ponto do Barcelona, derrotado por 2 a 1 pela Real Sociedad no dia seguinte. O clima nas arquibancadas, porém, ignora a tabela e se concentra em um alvo claro: Vinicius Júnior.

As vaias começam antes do apito inicial, quando o nome do atacante brasileiro ecoa no sistema de som do estádio. O som vem mais forte do que para qualquer outro jogador, com um coro que se repete a cada bola perdida, a cada drible interrompido. Câmeras de TV captam o momento em que Vinicius, de 23 anos, se senta sozinho na escada que leva ao gramado, visivelmente abalado, minutos antes de entrar em campo.

A cena cristaliza um desgaste que não surge do nada. Nas semanas anteriores, o Real Madrid perde a Supercopa da Espanha para o Barcelona e cai por 3 a 2 para o Albacete, da segunda divisão, na Copa do Rei. A demissão de Xabi Alonso, sete meses após assumir o cargo, confirma que a crise é também interna. Relatos de desentendimentos entre o treinador e Vinicius alimentam a sensação de um vestiário fendido em plena temporada que inclui a disputa da Champions.

Mbappé assume o centro do vestiário

Mbappé aparece nesse cenário como nova referência de liderança. Desde que chega a Madri, o francês carrega o rótulo de astro destinado a comandar o próximo ciclo do clube. Agora, tenta estender essa autoridade para além dos gols. As câmeras mostram o atacante abraçando Vinicius ainda no túnel, pouco antes da partida contra o Levante. O gesto parece simples, mas prepara o terreno para uma fala mais contundente.

Na segunda-feira, 19 de janeiro, véspera do confronto com o Monaco pela Champions League, o camisa 9 leva o tema para o microfone, na entrevista coletiva no centro de treinamentos do clube. Ele começa reconhecendo a frustração nas arquibancadas. “Eu entendo os torcedores porque não estamos fazendo as coisas direito”, afirma, em tom calmo, antes de mudar o foco da crítica.

O ponto central vem na sequência. “O que eu não gostei foi que, se eles vaiaram, deveriam vaiar o time inteiro. Não se deve apontar o dedo para um jogador. Não é culpa do Vini que estejamos jogando assim”, diz. A mensagem tem alvo definido, mas mira na cultura de cobrança do clube. Ao insistir em “culpa nossa, coletivamente”, Mbappé transforma a narrativa de bode expiatório em discussão sobre responsabilidade compartilhada.

O francês vai além da defesa técnica do companheiro e coloca o debate em terreno humano. “Vini, assim como você, como ela, como todos os outros, ele é um ser humano”, lembra. Em seguida, reforça o peso esportivo do brasileiro no elenco. “Ele é um talento incrível, um cara ótimo, e eu tenho a sorte de conhecê-lo. Todos nós precisamos protegê-lo melhor. Ele não está sozinho no Real Madrid, e estamos todos com ele. Quando está no seu melhor, ele é um dos melhores jogadores do mundo.”

Nos bastidores, o discurso se repete, com outro vocabulário, dentro do vestiário. Jogadores relatam um Mbappé mais vocal, cobrando união e pedindo que o grupo “cuide” de Vinicius, sobretudo no aquecimento e nos primeiros minutos de jogo. O recado é claro: o time precisa funcionar como escudo para o brasileiro, que carrega parte da criação ofensiva em um momento em que a margem de erro é mínima.

Clube pressionado, elenco em xeque

A intervenção de Mbappé atinge três frentes ao mesmo tempo. No campo esportivo, tenta aliviar a pressão sobre um jogador que decide jogos grandes. O Real Madrid soma 15 títulos de Champions League e vive sob a obrigação permanente de ampliar essa marca. Com a fase de grupos em andamento e a possibilidade de encaminhar a vaga às oitavas com uma vitória sobre o Monaco nesta terça-feira, cada detalhe mental pesa.

No vestiário, o apelo reforça a posição do francês como líder informal. A saída de Xabi Alonso deixa o ambiente à mercê de Arbeloa, que assume sob desconfiança após a turbulência. Em um elenco com estrelas globais e egos inflados, ter uma figura capaz de mediar tensões e falar diretamente à torcida funciona como ativo raro. A postura pública de Mbappé fortalece o técnico interino, que precisa de estabilidade mínima para ajustar o time em poucas semanas.

Na arquibancada, o recado testa o limite da paciência. A torcida do Real Madrid é conhecida por cobrar jogadores consagrados sem cerimônia. Já vaiou ídolos como Cristiano Ronaldo em noites de rendimento abaixo do esperado. A diferença, agora, está na fragilidade visível de um jogador que se torna alvo recorrente, enquanto a equipe ainda briga na parte de cima da tabela de LaLiga e mantém chances concretas de avançar na Champions.

Executivos do clube observam o movimento com atenção. O desgaste público de um jogador avaliado em dezenas de milhões de euros não interessa a nenhuma diretoria. A fala de uma estrela do tamanho de Mbappé, porém, também pressiona a cúpula a oferecer um ambiente mais estável. O recado atinge a gestão do elenco, a comunicação com os torcedores e até decisões futuras sobre reforços e saídas no fim da temporada.

Champions define rumo da temporada

O duelo contra o Monaco, nesta terça-feira, 20 de janeiro, ganha contornos que ultrapassam os 90 minutos. Uma vitória aproxima o Real Madrid das oitavas de final e dá fôlego a Arbeloa para consolidar ideias e ajustar o vestiário. Um tropeço, em casa, diante de uma torcida já irritada, pode aprofundar a crise e recolocar Vinicius no centro da tempestade.

A resposta dos torcedores no Bernabéu será o primeiro termômetro da força do discurso de Mbappé. Se o atacante conseguir transformar vaias isoladas em apoio barulhento, ao menos durante a Champions, o clube ganha tempo para reorganizar o projeto esportivo. Se o apelo for ignorado, o Real Madrid arrisca mais uma noite em que o resultado no placar pesa menos do que o ruído vindo das arquibancadas. A temporada que se desenha no Bernabéu, a partir desta semana, dirá se o vestiário consegue impor sua ideia de união a um público acostumado a cobrar campeões como se fossem sempre indestrutíveis.

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