Mbappé cita Libertadores, Flamengo e exalta Brasil às vésperas do duelo
Kylian Mbappé surpreende ao falar em Libertadores e citar o Flamengo na véspera de Brasil x França, nesta quinta-feira (26), em amistoso em solo brasileiro. Em coletiva, o astro francês também afasta qualquer rótulo de favoritismo e exalta o peso histórico da Seleção, de Neymar e do novo protagonismo de Vinícius Júnior.
Admiração pela Libertadores e flerte com o Flamengo
O capitão da França entra na sala de imprensa ainda cercado por dúvidas físicas, mas sai deixando outra discussão no ar. Recuperado de lesão e confirmado como titular, Mbappé abre um flerte público com a Copa Libertadores e, de quebra, com o Flamengo, clube de maior torcida do país, às vésperas do encontro com a Seleção pentacampeã.
Entre perguntas sobre a forma física e a expectativa para encarar o Brasil, ele escolhe falar de América do Sul. Questionado sobre a atmosfera dos estádios por aqui, o atacante se permite imaginar em campo num cenário pouco comum para craques europeus. “Quem sabe? Nunca sabemos o que vai acontecer. Vou perguntar a Vini se ele me deixa ir assistir a um jogo do Flamengo na Copa Libertadores”, diz, sorrindo, ao lembrar do parceiro de Real Madrid.
A frase circula em segundos nas redes sociais, alimenta manchetes em portais esportivos e reacende um sonho recorrente entre torcedores brasileiros: ver um astro de primeira prateleira europeia disputar a principal competição de clubes do continente sul-americano. A Libertadores, criada em 1960 e hoje com 32 clubes na fase de grupos, passa a ser tema de um jogador que, aos 27 anos, coleciona títulos em França, Espanha e Copa do Mundo.
Ao citar o Flamengo pelo nome, Mbappé ativa uma base de mais de 40 milhões de torcedores, segundo pesquisas recentes de mercado. Também reforça a ponte construída nos últimos anos entre o clube carioca e o futebol europeu, depois de vendas milionárias, como as de Vinícius Júnior e Lucas Paquetá, para Real Madrid e Premier League.
Brasil x França ganha peso extra com elogios e ausências
O amistoso desta quinta-feira, marcado para as 17h (de Brasília), já entra no calendário da Fifa como um dos jogos mais aguardados de 2026. De um lado, Carlo Ancelotti tenta consolidar sua Seleção dez meses depois de assumir o cargo, em maio do ano passado. Do outro, Didier Deschamps apresenta um grupo vice-campeão do mundo em 2022 e ainda favorito ao título do Mundial marcado para o meio do ano, no verão europeu.
As declarações de Mbappé chegam num momento em que o Brasil ainda busca equilíbrio entre passado e futuro. O astro francês recusa o rótulo de favorito mesmo liderando uma geração badalada. “Você nunca pode ser favorito contra uma equipe que tem cinco estrelas na camisa. Impossível. Brasil é o maior país do futebol”, afirma. E emenda, quase em tom de reverência: “Cinco estrelas na camisa, cinco Copas do Mundo são história. Para nós, é uma oportunidade jogar contra o Brasil, mostrar nossa qualidade, o que somos capazes de fazer e de nos prepararmos para ganhar o Mundial nesse verão”.
O respeito não esconde o tamanho do teste para Ancelotti. O Brasil entra em campo sem sua dupla titular de zaga, Marquinhos e Gabriel Magalhães, ambos fora por problemas físicos. A defesa se remonta às pressas, enquanto o ataque francês soma temporadas seguidas entre os mais letais da Europa. O treinador italiano, acostumado a finais de Champions League, encara um desafio diferente: construir uma seleção competitiva com menos de 20 datas Fifa antes da Copa.
O encontro também cristaliza a transição de protagonismo na Seleção. Vinícius Júnior, hoje principal parceiro de Mbappé no Real Madrid, chega como referência ofensiva e carrega a expectativa de assumir um papel antes reservado a Neymar. O francês não foge do tema ao ser questionado sobre o companheiro de clube e o espaço deixado pelo camisa 10.
“Vini agora necessita dar um passo a mais na Seleção, mas Neymar é Neymar. Neymar é um grandíssimo jogador”, afirma. Ele amplia o elogio para além do jogo desta quinta. “A Copa do Mundo é a competição das estrelas. Todas as estrelas estão aqui, e no meu livro Neymar é uma das maiores estrelas. Não vejo o Mundial sem Neymar.”
A fala contrasta com a decisão do próprio Ancelotti, que não trabalha com o atacante no ciclo atual. Mbappé toma cuidado para não criar atrito. “Ao final não posso ir contra o meu ex-treinador, que é o Ancelotti. Tenho que respeitar a sua decisão”, pondera. Em seguida volta ao tom pessoal. “Para mim, Neymar é um jogador que faz muita diferença. Eu joguei com ele, aprendi muito com ele. Eu o conheço, ele vai se preparar, vai estar lá.”
Impacto no futebol brasileiro e na vitrine da Libertadores
O simples gesto de um dos principais jogadores do planeta em citar a Libertadores, o Flamengo e Neymar numa mesma entrevista rearranja o noticiário esportivo às vésperas do amistoso. O torneio da Conmebol, com premiação que ultrapassa US$ 23 milhões ao campeão em 2026, aparece novamente como vitrine capaz de seduzir até quem está habituado a decidir Champions League.
Para o Flamengo, a associação é imediata. O clube acumula três finais de Libertadores em cinco anos, com títulos em 2019 e 2022, e já consolidou presença constante em fases agudas da competição. Ver seu nome na boca de Mbappé, ainda que em tom de brincadeira, ajuda a fortalecer uma marca que hoje busca ampliar receitas internacionais e atrair mais patrocinadores globais.
No ambiente da Seleção, as falas também produzem efeito. Vinícius Júnior ganha ainda mais holofotes no papel de sucessor natural de Neymar, agora respaldado publicamente pelo colega francês. A relação entre os dois, construída em Madri desde 2024, vira argumento para quem defende uma Seleção mais técnica e ofensiva, mesmo diante de rivais pesados como a França.
A própria presença de Mbappé, recuperado a tempo deste amistoso depois de semanas em tratamento, reforça a sensação de teste de Copa. Brasil e França se cruzam em campo pela primeira vez desde a final da Copa de 1998 com a sensação de que qualquer detalhe pode pesar em um eventual reencontro em mata-mata mundial daqui a poucos meses.
Nos bastidores da Conmebol e dos clubes brasileiros, a repercussão da coletiva alimenta cálculos. Um vídeo de 20 segundos com Mbappé falando em Libertadores e Flamengo pode valer mais do que muitas campanhas de marketing. A exposição em redes internacionais, em especial na Europa e na Ásia, tende a ampliar o interesse de plataformas de streaming e patrocinadores em torno da competição sul-americana.
Próximos passos e a pergunta que fica no ar
O amistoso de quinta-feira fecha a última Data Fifa antes da definição das listas finais para a Copa do Mundo de 2026. Ancelotti usa o duelo para observar zagueiros reservas, testar alternativas no meio, medir o encaixe de Vinícius Júnior como protagonista e lidar com a ausência de figuras consolidadas. Deschamps, por sua vez, administra o retorno completo de Mbappé e busca ajustar uma seleção que chega ao torneio novamente entre as três maiores favoritas.
Depois do apito final, a frase sobre Libertadores tende a sobreviver por mais tempo do que o placar. O Flamengo volta a campo pela competição continental nas próximas semanas, o calendário da Conmebol avança, e torcedores passam a alimentar, ainda que em tom de imaginação, a ideia de um dia ver Mbappé em noite de mata-mata no Maracanã. Até lá, o futebol brasileiro aproveita o raro momento em que um dos rostos da era moderna do esporte escolhe olhar para o Sul e enxergar ali mais do que apenas um amistoso de março.
