Mauro Cezar vê risco de rebaixamento e alerta Flamengo no Carioca
O jornalista Mauro Cezar Pereira alerta, nesta terça-feira (20), para o risco de rebaixamento do Flamengo no Campeonato Carioca. Em comentário no programa “Posse de Bola”, do UOL Esporte, ele aponta que o desempenho do time sub-20 e o regulamento estadual podem criar um problema sério para o restante da temporada rubro-negra.
Sub-20 patina, e regulamento acende sinal de alerta
O Flamengo disputa o Estadual de 2026 com a equipe sub-20, comandada por Bruno Pivetti, enquanto o elenco principal segue em preparação para a temporada. Em três jogos, contra Portuguesa, Bangu e Volta Redonda, o time soma apenas um ponto e ocupa a sexta e última colocação do Grupo B.
A posição na tabela não significa apenas um início ruim. Pelo regulamento do Campeonato Carioca, o lanterna do grupo entra em um quadrangular para escapar do rebaixamento. Nesse cenário, o clube teria de disputar mais seis partidas, contra adversários como Maricá, Portuguesa e Nova Iguaçu, estendendo a participação no Estadual e mexendo em todo o planejamento até a Libertadores.
Mauro Cezar chama atenção justamente para esse efeito em cadeia. “Há um receio, contra o Vasco, do time rubro-negro ser frágil e acabar tomando uma pancada. O rebaixamento é outro problema. Por conta do regulamento no Rio de Janeiro. Serão mais seis jogos (neste cenário), que podem ser contra Maricá, Portuguesa e Nova Iguaçu, por exemplo”, afirma.
O jornalista ressalta que a comissão técnica lida com um grupo jovem ainda despreparado fisicamente para o nível de exigência do Estadual. “A informação que tenho é que os caras não conseguem jogar mais do que 20 minutos. Foram só três dias de treinos até agora”, diz, ao defender uma avaliação urgente sobre o uso do elenco.
Mistão em debate e impacto na Libertadores
Com a base em dificuldade, o debate interno passa pela possibilidade de usar, ao menos, alguns reservas do time principal já nas próximas rodadas do Carioca. Essa seria uma tentativa de dar “encorpada” ao sub-20 e evitar que o Flamengo siga afundado na parte de baixo da tabela. “Acho que o clube deveria avaliar internamente se alguns jogadores reservas poderiam, ou não, dar uma encorpada no sub-20”, sugere Mauro.
O temor não é só cair de divisão no Estadual, algo inédito e politicamente devastador para um clube do tamanho do Flamengo. O prolongamento da agenda do Carioca, com um quadrangular de seis jogos, significaria mais viagens, desgaste físico e menos tempo de preparação para campeonatos como a Copa Libertadores, que começa no primeiro semestre e costuma ser prioridade da diretoria.
O regulamento também limita as margens de manobra. Em um possível quadrangular de rebaixamento, o Flamengo dificilmente poderia seguir com um sub-20 enfraquecido. A pressão para evitar a queda empurraria o clube a usar um time mais forte, aproximando o elenco principal da reta final do Estadual. “Aí, não vai poder colocar o sub-20, porque o clube não pode cair. Mas aí, pode complicar na Libertadores. O ideal é conseguir se classificar e ficar sem jogo nenhum”, completa Mauro Cezar.
A preocupação surge em um momento de reorganização do elenco rubro-negro. A diretoria integra jovens campeões da base, como a meia Duda Cerqueira no feminino, e aposta em reforços pontuais no profissional, caso do atacante Andrew, que admitiu só ter acreditado no interesse do clube quando já estava no Ninho do Urubu. O contraste entre planejamento macro e tropeços no Carioca expõe o risco de o Estadual se tornar um foco de crise precoce em 2026.
Pressão esportiva, política e de calendário
A possibilidade de rebaixamento no Carioca não ameaça apenas a agenda esportiva. Um fracasso desse tamanho alimentaria críticas da torcida, ampliaria a pressão sobre a diretoria e colocaria em xeque a estratégia de usar o sub-20 em boa parte do Estadual. Em ano de grandes metas esportivas, qualquer ruído vira munição em conselhos, conselhos fiscais e reuniões de bastidor.
Dentro de campo, um quadrangular contra o rebaixamento jogaria jovens em um ambiente hostil, sob cobrança intensa por resultados imediatos. O processo de formação, que normalmente prevê erros e ajustes, se confundiria com a necessidade urgente de pontuar para evitar uma queda simbólica e esportivamente pesada. A experiência recente do clube, que vê ex-jogadores se destacarem em ligas como a dos Emirados Árabes, reforça a percepção de que a base precisa ser protegida, não exposta ao limite logo em janeiro.
O calendário ajuda pouco. Entre viagens, pré-temporada, amistosos e compromissos comerciais, o espaço para treinos de alta carga física é reduzido. O cenário descrito por Mauro Cezar, de jogadores que sustentam apenas 20 minutos em alto nível, ilustra a pressa com que o sub-20 é lançado na competição. A soma de cansaço, falta de entrosamento e gramados pesados torna cada rodada um teste de sobrevivência.
O Flamengo tenta, ao mesmo tempo, preservar o elenco principal para a disputa da Libertadores e de competições nacionais, como o Brasileiro e a Copa do Brasil, e evitar que o Estadual se transforme em armadilha. O dilema passa por uma decisão nas próximas semanas: reforçar o time jovem com peças do profissional, correr riscos calculados no Carioca ou manter a aposta na base e confiar em uma arrancada tardia.
A resposta virá em campo, jogo a jogo, com o peso adicional de um regulamento que não perdoa vacilos prolongados. Se o Flamengo reagir ainda na fase de grupos, transforma o Estadual em laboratório controlado e preserva a temporada. Se não reagir, a previsão de Mauro Cezar se aproxima da realidade e o clube terá de encarar, sob holofotes e pressão máxima, um quadrangular que ninguém na Gávea planeja disputar em 2026.
