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Mauro Cezar detona Filipe Luís após vice do Flamengo na Recopa

O jornalista Mauro Cezar faz críticas duríssimas ao técnico Filipe Luís após o Flamengo perder o título da Recopa Sul-Americana para o Lanús, em 26 de fevereiro de 2026, no Maracanã. A derrota em casa para o time argentino, considerado tecnicamente inferior, expõe decisões de escalação e escolha tática do treinador e acende o alerta sobre o futuro do comando rubro-negro.

Derrota em casa amplia pressão sobre o comando

O Flamengo chega à noite de decisão embalado pela expectativa de virar o confronto diante do Lanús e erguer mais um título internacional em casa. Sai de campo, porém, derrotado por 3 a 2 no placar agregado e alvo de vaias, xingamentos e cobranças direcionadas a Filipe Luís. O revés na Recopa, logo no início de temporada, aumenta a temperatura em um clube acostumado a disputar taças e a cobrar rendimento imediato.

No microfone, Mauro Cezar traduz a frustração de parte expressiva da torcida. O comentarista chama a atuação de “papelão” e questiona de forma frontal as escolhas do treinador. “Mais um papelão, uma partida horrorosa, uma escalação difícil de entender, uma escalação autoral”, dispara, ao analisar o desempenho rubro-negro diante dos argentinos. A crítica mira especialmente a ideia de jogo de Filipe, vista como mais ligada a convicções pessoais do que às características do elenco.

O jornalista lembra que o Flamengo tem apenas um centroavante de ofício disponível e acusa o técnico de abrir mão do homem de área em uma decisão. “Escalou jogadores que não têm faro de gol, tendo só um centroavante no elenco e não utilizando. Uma bagunça o time do Flamengo, mexidas estapafúrdias do Filipe Luís…”, afirma. Para ele, o resultado final é consequência direta dessas escolhas, e não apenas de erros pontuais em campo.

Jogo nervoso, falhas decisivas e Lanús eficiente

O roteiro da noite reforça o discurso de desorganização. O Flamengo começa com a bola, pressiona, mas esbarra em um Lanús fechado, paciente, disposto a explorar a ansiedade rubro-negra. A estratégia argentina é clara: resistir no próprio campo e esperar o erro. Ele aparece aos 28 minutos do primeiro tempo, em uma jogada que resume a desconexão do time.

Após sobra de falta na área ofensiva, o goleiro Rossi se adianta para participar da construção. Ayrton Lucas tenta recuar a bola, o goleiro escorrega, e Castillo aproveita o gol vazio. O atacante conduz e bate de fora da área para abrir o placar no Maracanã e ampliar a vantagem geral para 2 a 0. O estádio silencia por alguns segundos; Filipe Luís se inquieta à beira do gramado e precisa reorganizar um time abalado por um erro primário.

O Flamengo reage rápido. Cinco minutos depois, Varela cruza pela direita, a bola desvia no braço de Carrera dentro da área e o árbitro marca pênalti. Arrascaeta assume a cobrança, converte e recoloca o time no jogo, reduzindo o placar agregado para 2 a 1. O gol devolve algum fôlego às arquibancadas, mas não resolve a falta de coordenação ofensiva que já incomoda torcedores e analistas.

Na segunda etapa, o cenário se repete: posse, volume e pouca clareza. Filipe mexe na equipe, tenta mudar o desenho tático, mas não encontra soluções consistentes. Jorginho entra e melhora a circulação da bola. Aos 39 minutos, ele encontra Arrascaeta na entrada da área; o uruguaio dribla o marcador e é derrubado. Novo pênalti, agora convertido pelo próprio Jorginho, que empata o agregado em 2 a 2 e leva a decisão para a prorrogação.

No tempo extra, o Flamengo parece mais próximo dos pênaltis do que de um gol em jogada trabalhada. O Lanús, fiel ao plano de jogo, mantém a organização e aproveita cada bola parada. No último quarto de hora, um escanteio pela direita encontra a cabeça de Canale, que vence Paquetá no alto e faz 2 a 2 na noite, 3 a 2 no confronto geral. Com o time inteiro lançado ao ataque, o Flamengo ainda leva o terceiro gol dos argentinos, marcado por Bou, que sela o título da Recopa para os visitantes.

Do lado de fora, Mauro Cezar não poupa adjetivos. “Uma coisa medonha o time do Flamengo, muitas escolhas questionáveis de Filipe Luís. Atuação pífia e patética”, resume. Ele reforça a crítica à insistência do treinador em conceitos que, na visão dele, complicam o caminho. “Não dá para o técnico escalar o time sempre em cima de conceitos que ele tem, que formam, eventualmente, um caminho mais difícil. Flamengo perdeu para um time inferior, mas que tinha um plano de jogo. Foi um negócio horroroso, muito ruim”, completa.

Pressão política, clima nas arquibancadas e futuro em jogo

O impacto da derrota vai além da noite de Recopa. O vice-campeonato em casa, diante de mais de 60 mil torcedores, mexe com a confiança de um elenco montado para brigar em alto nível em pelo menos quatro frentes em 2026: Campeonato Carioca, Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores. A torcida, acostumada a colecionar taças desde 2019, reage com xingamentos a Filipe Luís ainda no estádio e nas redes sociais no dia seguinte.

O desabafo de Mauro Cezar encontra eco em programas esportivos, rádios e mesas-redondas. Em menos de 24 horas, o nome do técnico domina debates sobre a necessidade de mudanças imediatas na forma de jogar e até na comissão técnica. A avaliação de que o Flamengo perde para um Lanús organizado, mas tecnicamente abaixo, alimenta a tese de que o problema é de comando, não de elenco.

A diretoria evita decisões precipitadas em público e adota discurso de proteção ao treinador, pelo menos neste primeiro momento. Nos bastidores, porém, o vice na Recopa entra como ponto de pressão em um calendário apertado, que inclui fases decisivas de estaduais e início de Libertadores já nas semanas seguintes. Qualquer novo tropeço pode acelerar discussões internas sobre substituições no comando técnico.

O histórico recente pesa. Desde 2019, o Flamengo coleciona títulos continentais e nacionais, mas também ensaia uma espécie de dança das cadeiras de treinadores, com passagens curtas e ambientes conturbados. A chegada de Filipe Luís, ídolo recente em campo, é vista como tentativa de reconstruir um projeto mais estável, de médio prazo. A derrota para o Lanús, logo em uma final internacional, coloca esse projeto à prova.

Calendário apertado e respostas urgentes

O clube tem pouco tempo para lamentar. Em março, o Flamengo encara fases decisivas do Campeonato Carioca e a largada na Libertadores, competições em que a cobrança por desempenho imediato é alta. O elenco precisa assimilar a derrota e responder em campo em questão de dias, sob pena de transformar um tropeço em crise.

Filipe Luís, por sua vez, entra em uma espécie de semana de prova oral. Cada escalação, cada substituição e cada entrevista será examinada com lupa por torcedores, imprensa e conselheiros. A pressão pública de vozes influentes como Mauro Cezar amplia a sensação de que o treinador precisa mostrar, rapidamente, que tem um plano de jogo claro e adaptado ao elenco que tem nas mãos.

O próximo passo do Flamengo passa pela capacidade de separar ruído e crítica útil. A derrota para o Lanús não apaga o status de ídolo recente de Filipe, mas muda o tom da conversa em torno dele. A temporada ainda está no começo, mas o relógio passa a correr mais rápido para o técnico que, em poucas semanas, já descobre como o banco de reservas rubro-negro pode ser tão incômodo quanto glorioso.

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