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Marco Rubio diz que guerra na Ucrânia não terá solução militar

O senador republicano Marco Rubio afirma, nesta quarta-feira (25), que a guerra na Ucrânia não terá solução militar e depende de pressão diplomática coordenada. Ele cita novas sanções dos EUA contra a Rússia e o envio constante de armas a Kiev como parte de uma estratégia para forçar negociações de paz.

Pressão sobre Moscou e aposta na diplomacia

Rubio fala à imprensa internacional em meio à escalada de tensões no Leste Europeu e à tentativa de destravar um acordo entre Kiev e Moscou. O senador descreve um cenário em que o campo de batalha se mostra incapaz de produzir um vencedor claro, enquanto as economias de Rússia, Ucrânia e de seus parceiros absorvem o custo prolongado da guerra.

Ao comentar a política da Casa Branca, Rubio destaca o endurecimento contra a estatal petrolífera russa. “O governo continua a aumentar a pressão sobre Moscou. Como exemplo, o presidente [Donald Trump] impôs sanções adicionais no final do ano passado à sua companhia petrolífera, a Rosneft”, afirma. A empresa é o principal braço de exportação de petróleo da Rússia e responde por uma fatia relevante da arrecadação do Kremlin.

O movimento amplia um pacote de restrições iniciado em anos anteriores e afeta o financiamento de novos projetos energéticos, o acesso a tecnologia e a capacidade da companhia de operar livremente em praças financeiras internacionais. Investidores monitoram o impacto sobre contratos de longo prazo e sobre o fluxo diário de cerca de milhões de barris de petróleo que saem de portos russos em direção à Europa e à Ásia.

Rubio também ressalta a continuidade do apoio militar dos Estados Unidos a Kiev. “O governo continua a vender armamentos para a Ucrânia. Nós não vendemos armas para a Rússia e não sancionamos a Ucrânia”, diz. A fala funciona como recado político, ao marcar distância em relação a aliados europeus mais cautelosos e ao reforçar a narrativa americana de alinhamento firme com o governo ucraniano.

Sanções, armas e mesa de negociação

O senador descreve uma estratégia em três frentes: sufocar financeiramente Moscou, fortalecer a capacidade de defesa ucraniana e manter abertos os canais de negociação. O objetivo declarado é criar incentivos para que o Kremlin aceite concessões na mesa de diálogo, sem que a Ucrânia se veja forçada a recuos unilaterais no campo de batalha.

Rubio argumenta que Washington exerce papel insubstituível no esforço diplomático. “Somos o único país ou a única entidade no planeta que conseguiu fazer com que negociadores russos e ucranianos se sentassem à mesa e conversassem entre si”, afirma. A declaração reforça a imagem dos Estados Unidos como principal articulador de conversas ainda frágeis e sujeitas a rupturas a cada novo ataque ou escalada retórica.

As falas do senador ecoam no mesmo dia em que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, relata ter recebido de Donald Trump a sinalização de que Washington seguirá envolvido diretamente no processo. Após conversa telefônica entre os dois, Zelensky diz que Kiev espera que a próxima rodada de negociações trilaterais, marcada para março, prepare o terreno para um encontro de cúpula entre os líderes dos países envolvidos.

O formato dessas conversas prevê participação de delegações russa, ucraniana e americana, com encontros previstos para Genebra, na Suíça, até o fim de março. A aposta é que, em algumas semanas, seja possível ao menos consolidar um esboço de cessar-fogo mais duradouro, ainda que distante de um tratado de paz definitivo.

A avaliação de Rubio dialoga com a leitura de diplomatas europeus e analistas militares que descrevem uma guerra de desgaste. De um lado, Moscou tenta manter pressão territorial e relevância internacional apoiada em suas exportações de energia. De outro, Kiev depende do fluxo contínuo de armamentos ocidentais, munição e suporte financeiro para sustentar a defesa do país.

Impacto econômico e risco de prolongamento da guerra

A intensificação das sanções contra a Rosneft e outras empresas ligadas ao Estado russo tem efeitos que ultrapassam o campo político. O mercado de energia acompanha cada nova medida, atento a possíveis cortes na oferta de petróleo e gás, que respondem por mais de 40% das receitas de exportação da Rússia. Qualquer interrupção relevante mexe com preços internacionais, inflação e custo de vida em grandes centros urbanos da Europa e da Ásia.

Especialistas ouvidos por governos estrangeiros alertam que, se as restrições se estenderem ao longo de 2026, companhias aéreas, indústrias químicas e transportadoras podem enfrentar novos aumentos nos custos, com repasse para o consumidor final. Países que dependem de energia importada buscam alternativas em prazos curtos, o que inclui reativação de usinas a carvão, contratos emergenciais de gás natural liquefeito e incentivos a fontes renováveis.

O prolongamento da guerra também pressiona orçamentos públicos. Em 2025, estimativas de centros de pesquisa europeus apontam que apenas o apoio militar e financeiro à Ucrânia pode consumir dezenas de bilhões de dólares por ano entre Estados Unidos e aliados da Otan. O montante concorre com gastos sociais e investimentos internos, alimentando debates políticos sobre o custo da solidariedade internacional.

Na Rússia, a combinação de sanções e gastos militares crescentes tende a corroer reservas, restringir crédito e agravar a dependência de poucos parceiros comerciais dispostos a enfrentar desgaste com o Ocidente. A Rosneft, como principal petrolífera do país, está no centro dessa equação: cada restrição adicional às suas operações reduz a margem de manobra do governo russo para financiar a guerra e programas domésticos.

Rubio tenta traduzir esse quadro em pressão diplomática. Ao insistir que a guerra não terá solução militar, o senador envia recado também a Kiev, que precisa calibrar suas expectativas no campo de batalha, e às capitais europeias, que temem uma escalada que escape de controle. A mensagem central é que o equilíbrio entre sanções, armas e negociação definirá o ritmo e a direção do conflito nos próximos meses.

Negociações em Genebra e cenário para os próximos meses

As atenções agora se voltam para a rodada de conversas prevista para março, em Genebra. A expectativa em Kiev é que o encontro produza pelo menos um roteiro claro para um cessar-fogo verificável, com mecanismos de monitoramento internacional e prazos definidos para a retirada gradual de tropas de zonas mais sensíveis.

Rubio vê nesse processo a oportunidade de consolidar o protagonismo americano nas tratativas, enquanto a Casa Branca equilibra discursos duros contra Moscou e sinais de abertura para compromisso. Se a mesa de Genebra avançar, cresce a possibilidade de uma reunião entre líderes ainda em 2026. Se travar, a tendência é de reforço das sanções e de mais envios de armamentos à Ucrânia, numa espiral que prolonga o conflito e amplia custos para todos os lados.

A dúvida que paira sobre capitais ocidentais e mercados financeiros é até quando a combinação de pressão econômica e apoio militar será suficiente para convencer Moscou a aceitar concessões substanciais. A resposta deve surgir menos das trincheiras e mais das mesas de negociação que, como aposta Rubio, seguem sendo o único caminho realista para encerrar a guerra.

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