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Márcio Carlomagno deixa superintendência do São Paulo em janeiro

Márcio Carlomagno deixa o cargo de superintendente geral do São Paulo Futebol Clube ao fim de janeiro de 2026. A decisão sai em comum acordo com o presidente interino Harry Massis Júnior, em meio à transição política após a renúncia de Julio Casares.

Saída alinhada à mudança de comando

A ruptura é anunciada poucas horas depois de Casares formalizar, de forma oficial, sua renúncia à presidência. Internamente, dirigentes tratam a movimentação como parte direta do processo de reorganização administrativa que acompanha a troca de comando no Morumbi. Embora não exista relação formal entre os dois episódios, o fim da gestão Casares abre espaço para uma revisão ampla da estrutura executiva.

Carlomagno é nomeado superintendente geral em janeiro de 2024, com respaldo pessoal de Casares. Dentro do clube, passa a ser chamado de “CEO do São Paulo”, título informal que traduz o peso do cargo. A função concentra decisões administrativas estratégicas e o coloca no centro da rotina do futebol profissional, do estádio e da gestão financeira.

A conversa que sela a saída ocorre após reunião com Harry Massis Júnior, que assume a presidência de forma interina e tenta, neste primeiro momento, redesenhar a pirâmide de poder fora das quatro linhas. O entendimento é de que a nova configuração exige outro desenho de comando executivo, com delegação diferente de funções e possível enxugamento de estruturas. A solução encontrada é o desligamento de Carlomagno ao término do mês, em formato tratado publicamente como “comum acordo”.

Do futebol social ao topo da gestão

A saída encerra uma trajetória de quase 22 anos no São Paulo. Carlomagno chega ao clube em dezembro de 2004, ainda na gestão que antecede o ciclo de títulos da Libertadores e do Mundial de 2005, para atuar como assessor do futebol social. O cargo, de menor projeção pública, serve como porta de entrada para a estrutura política e administrativa do clube.

Nos anos seguintes, ele ocupa posições-chave na engrenagem interna. Passa pela diretoria adjunta de estádio, lida com o dia a dia do Morumbi e acompanha de perto projetos de modernização do equipamento. Depois assume funções de planejamento e desenvolvimento, área responsável por organizar metas, cronogramas e projetos de médio e longo prazo. Também atua como assessor especial da presidência, posição que o aproxima do núcleo político e das principais decisões.

Além da presença no Executivo, Carlomagno se elege conselheiro, o que reforça sua influência nos bastidores. Essa dupla atuação, técnica e política, o ajuda a ganhar espaço em diferentes administrações. Na gestão Casares, essa trajetória culmina com a criação de uma superintendência geral robusta, que concentra atribuições administrativas amplas e funciona como eixo de contato entre departamentos antes fragmentados.

Ao assumir a superintendência em janeiro de 2024, ele fica responsável por acompanhar contratos relevantes, projetos estruturais e o orçamento operacional do clube. A área esportiva, o estádio e setores administrativos passam a correr em diálogo mais direto com o seu gabinete. Internamente, dirigentes descrevem o modelo como uma tentativa de aproximar o São Paulo de uma lógica de clube-empresa, com um “CEO” à frente da operação do dia a dia.

Reorganização em meio à instabilidade

A saída ocorre em um momento de instabilidade institucional. O clube atravessa um período de tensão política, com disputa de grupos internos, questionamentos à condução da gestão e debates sobre transparência e governança. A renúncia de Julio Casares, formalizada em janeiro de 2026, vira o ponto de inflexão desse processo e obriga a cúpula a redesenhar o mapa de poder.

Harry Massis Júnior herda um clube pressionado a dar respostas rápidas, tanto dentro quanto fora de campo. A aposta inicial, segundo avaliação de conselheiros ouvidos nos bastidores, é reduzir a dependência de figuras muito associadas à gestão anterior e abrir espaço para um modelo mais horizontal de comando. A reconfiguração da superintendência geral se encaixa nesse movimento, já que o cargo concentrou, por dois anos, boa parte do fluxo de decisões administrativas.

Na prática, a saída de Carlomagno pode mexer com decisões de curto e médio prazo. Projetos de modernização do Morumbi, planos de revisão de contratos comerciais e o desenho do orçamento para a temporada seguinte tendem a passar por nova análise. A ausência de uma figura centralizadora obriga a diretoria a distribuir tarefas entre diferentes áreas ou a buscar outro profissional para função semelhante.

No futebol, o impacto deve aparecer de forma indireta. A superintendência tem papel relevante na negociação de contratos, na formatação de premiações e na organização de estruturas de apoio ao elenco. Alterações na cadeia de comando podem influenciar o ritmo de decisões sobre contratações, renovações e investimentos em categorias de base, ainda que as escolhas finais sigam com a diretoria de futebol e o presidente.

Próximos passos no Morumbi

A gestão Massis agora precisa definir se mantém o modelo de superintendência geral ou se opta por fatiar suas atribuições entre diferentes diretorias. Uma possibilidade discutida nos bastidores é fortalecer áreas específicas, como finanças, estádio e futebol, com executivos próprios, diluindo o papel de um único “CEO”. Outra alternativa é buscar um substituto com perfil mais técnico, menos ligado diretamente à política interna.

Conselheiros próximos ao novo presidente avaliam que as próximas semanas serão decisivas. O fim do vínculo de Carlomagno, previsto para os últimos dias de janeiro, funciona como marco simbólico do encerramento de um ciclo que começa em 2004. A forma como o São Paulo reorganiza a administração a partir de fevereiro dirá se o clube caminha para um modelo mais profissionalizado ou se volta a depender, sobretudo, do jogo político. Para torcedores e investidores, a pergunta que permanece é se essa reestruturação será suficiente para estabilizar o São Paulo dentro e fora de campo em 2026.

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