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Marcelo Paz critica data da semi do Paulista entre Corinthians e Novorizontino

O executivo de futebol do Corinthians, Marcelo Paz, critica publicamente a marcação da semifinal do Paulista contra o Novorizontino para sábado, 28 de fevereiro de 2026, às 20h30, em Novo Horizonte. O dirigente aponta prejuízo técnico pela sequência de jogos com apenas três dias de descanso entre as partidas.

Calendário aperta e expõe desgaste no Corinthians

A semifinal está marcada para o Estádio Doutor Jorge Ismael de Biasi, em Novo Horizonte, e chega ao fim de uma série de compromissos apertados do Corinthians. A equipe de Dorival Júnior enfrenta o Cruzeiro na quarta-feira anterior, dia 25, pelo Brasileirão, no Mineirão, em Belo Horizonte, e volta a campo no sábado, ainda em clima de viagem e recuperação física.

Marcelo Paz deixa claro que o clube queria jogar no domingo, 1º de março, para garantir pelo menos quatro dias cheios de descanso. Na avaliação da comissão técnica, esse é o intervalo mínimo para uma recuperação completa de atletas que vivem sob alta carga física e emocional desde o início da temporada. Em vez disso, a equipe emenda mais uma sequência de partidas a cada três dias, padrão que, segundo o dirigente, já se repete desde o duelo com o Athletico-PR.

Dirigente fala em prejuízo técnico e pressão comercial

A reclamação de Paz ganha forma em números simples. Corinthians joga contra o Cruzeiro na quarta, descansa na quinta, faz trabalho leve na sexta e já viaja e atua novamente no sábado. São pouco mais de 72 horas entre um jogo e outro. O executivo não esconde a insatisfação: “Infelizmente, será no sábado. Queríamos que fosse no domingo. O Corinthians vem desde o jogo contra o Athletico-PR descansando apenas três dias de um jogo para o outro, o que não é o ideal. O tempo de recuperação ideal é a partir do quarto dia, de forma completa. De três em três dias é ruim. Isso nos dá prejuízo técnico”, afirma.

A queixa não mira apenas a tabela em si, mas o modo como ela é definida. Paz atribui a manutenção da data a interesses comerciais ligados aos detentores de direitos de transmissão. “Infelizmente não foi possível por questões comerciais, contratuais. Os detentores escolheram um jogo no sábado e outro no domingo. O Novorizontino também queria jogar no domingo. Respeitamos, mas gera um prejuízo técnico”, diz, após reunião na sede da Federação Paulista de Futebol nesta segunda-feira, 23.

O dirigente sugere um limite da própria FPF diante das exigências do mercado de televisão e plataformas de streaming. O discurso reforça um incômodo antigo nos bastidores do futebol brasileiro: a sensação de que o calendário atende antes aos horários de audiência do que às condições físicas dos elencos. No caso corintiano, a bronca ganha peso porque o clube disputa, ao mesmo tempo, um Campeonato Estadual exigente e um Brasileirão que não permite erros na largada.

Apesar das críticas, Paz faz questão de reconhecer a qualidade do adversário. Ele elogia o Novorizontino, dono da melhor campanha na primeira fase do Paulista e responsável pela eliminação do Santos nas quartas de final, com vitória por 2 a 1. “Grande time, bem treinado, com grande estrutura. Tudo funciona lá, eles têm um bom elenco, passaram alguns anos batendo na porta para subir no Brasileirão. Não chegou por acaso, chegou com mérito. Jogo dificilíssimo”, afirma.

Risco de lesão, perda de desempenho e debate sobre o calendário

O descontentamento do Corinthians não é apenas retórico. A comissão técnica trabalha com a perspectiva concreta de aumento no risco de lesões musculares quando o intervalo entre partidas fica sistematicamente abaixo de quatro dias. Em uma sequência de jogos decisivos, como a reta final do Paulista somada ao início do Brasileirão, qualquer baixa importante pesa na conta esportiva e financeira do clube.

A pré-temporada já encurtada dá lugar a um ambiente em que ajustes táticos, treinos específicos e recuperação são comprimidos em agendas de viagem e atividades regenerativas. Em vez de sessões intensas de treino com bola e ensaios de jogadas, o elenco divide o tempo entre reapresentações leves e preparação imediata para o próximo adversário. Esse cenário atinge o rendimento coletivo e individual, limita alternativas de escalação e reduz a margem de erro em confrontos eliminatórios como o jogo em Novo Horizonte.

O caso também alimenta um debate mais amplo sobre o calendário do futebol paulista e brasileiro. À medida que os clubes se profissionalizam, investem em fisiologia, ciência do esporte e elencos caros, a pressão por intervalos mínimos de descanso cresce. Paz verbaliza uma insatisfação que atravessa outras diretorias e comissões técnicas, muitas vezes manifestada apenas em bastidores.

Os contratos comerciais, porém, seguem como barreira central a qualquer recuo. Janelas nobres de televisão, acordos de patrocínio e metas de audiência empurram os jogos mais importantes para horários e datas pré-determinados. Dirigentes argumentam que, sem essa receita, os próprios clubes perdem capacidade de investimento. Na prática, porém, a conta atual recai sobre os atletas, que se veem obrigados a sustentar o espetáculo em meio à sobrecarga física.

Pressão por mudanças e próximos capítulos

A fala pública de Marcelo Paz tende a fortalecer pedidos formais de revisão de critérios de montagem da tabela em futuras edições do Paulista. Dirigentes discutem, nos bastidores, a adoção de intervalos mínimos obrigatórios entre partidas decisivas, sobretudo quando há viagens interestaduais ou rodadas simultâneas de competições nacionais. A discussão envolve a FPF, clubes e detentores de direitos, em uma negociação que opõe previsibilidade comercial e saúde dos atletas.

O desempenho do Corinthians em Novo Horizonte pode servir de termômetro para esse debate. Um eventual jogo marcado por desgaste visível, lesões ou queda de intensidade tende a reacender críticas à federação e às emissoras. Se a equipe superar o cenário adverso e avançar à final, a discussão não desaparece, mas perde parte da urgência pública. Em qualquer hipótese, a fala de Paz registra em ata uma insatisfação que dificilmente se encerra com o apito final de sábado e volta a pressionar o calendário em 2027.

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