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Malandragem de Andreas em pênalti derruba Memphis e inflama Dérbi

Memphis escorrega e desperdiça pênalti para o Corinthians após buraco feito por Andreas Pereira na marca da cal, em 9 de fevereiro de 2026, na Neo Química Arena. O lance antidesportivo abre caminho para a vitória do Palmeiras por 1 a 0, com gol de Flaco López, e detona nova crise sobre arbitragem e fair play no futebol brasileiro.

O pênalti que muda o clássico em Itaquera

O Dérbi começa tenso, mas o roteiro parece favorável ao Corinthians aos 33 minutos do primeiro tempo. Carlos Miguel sai atrasado em escanteio, acerta a cabeça de Gustavo Henrique e o árbitro Raphael Klaus marca o pênalti sem hesitar. Memphis toma a bola nas mãos, ignora a condição de Yuri Alberto como cobrador oficial e caminha decidido até a marca da cal.

O que ninguém do Corinthians percebe é o movimento rápido de Andreas Pereira dentro da área. Enquanto jogadores discutem e cercam o árbitro, o meia do Palmeiras passa a chuteira com força sobre o ponto exato da marca do pênalti. Escava o gramado, abre um pequeno buraco no local onde o pé de apoio de Memphis deveria encontrar firmeza.

Memphis encara Carlos Miguel, respira fundo e corre para a bola. Quando apoia o pé esquerdo, o corpo afunda no desnível criado por Andreas. Ele perde o equilíbrio, escorrega, e o chute de direita sai torto, muito à direita do gol. A bola cruza a área, as arquibancadas em Itaquera se calam por um segundo e, na sequência, explodem em revolta.

O holandês permanece caído, com expressão de espanto. Gesticula, olha para o gramado, mas ainda não entende o que o derruba em um momento que costuma dominar com frieza. Só mais tarde, ao rever as imagens, ele deve perceber a interferência do adversário na marca da cal. Nem Raphael Klaus, aos 44 anos e um dos principais árbitros do país, nem o VAR comandado por Thiago Luis Scarascati chamam atenção para o gesto de Andreas.

O jogo segue sem revisão do lance, apesar da clareza das câmeras de transmissão. Na prática, o pênalti desperdiçado se transforma no ponto de inflexão da noite. O Corinthians, que controla o jogo, perde a chance de abrir o placar em casa. O Palmeiras ganha sobrevida, se fecha ainda mais e espera o momento certo para dar o bote.

Domínio corintiano, eficácia palmeirense e provocação de Flaco López

O clássico em Itaquera coloca lado a lado projetos que brigam por títulos desde 2020. O Corinthians, de Dorival Júnior, tenta consolidar o trabalho iniciado no ano anterior e vem de um título paulista em 2025 em cima do próprio Palmeiras. Memphis participa diretamente daquela conquista, com dribles e provocações que ainda ardem na memória alviverde.

O histórico recente pesa. O holandês já elimina a equipe de Abel Ferreira na Copa do Brasil de 2025, competição vencida pelo Corinthians. Em 2026, ele volta ao Dérbi com a mesma disposição de decidir. Quer o pênalti para si, não cogita ceder a bola a Yuri Alberto. A escolha reforça o protagonismo, mas também torna a queda ainda mais simbólica.

Dentro de campo, o roteiro é claro. O Corinthians tem mais posse de bola, cerca a área rival e cria as melhores chances. Carlos Miguel, alvo de xingamentos desde o aquecimento por voltar à arena com a camisa do Palmeiras, responde com uma atuação segura. Além do pênalti cometido, faz pelo menos duas defesas difíceis, incluindo cabeçada de Gabriel Paulista à queima-roupa.

Abel Ferreira, expulso ainda no primeiro tempo por reclamações insistentes e palavrões dirigidos à arbitragem, vê o restante do jogo da tribuna. Seu time resiste, aposta em contra-ataques esporádicos e explora espaços que surgem com o Corinthians avançado. Aos 32 minutos do segundo tempo, Luighi ainda desperdiça contra-ataque claro ao se enrolar com a bola diante de Matheuzinho.

Aos 38 minutos, a punição chega para o Corinthians. Mauricio recebe livre na entrada da área, finaliza firme, e Hugo espalma para o meio. Flaco López aparece sozinho e empurra para o gol. O 1 a 0 muda a atmosfera em Itaquera em segundos, do domínio técnico à frustração absoluta.

Flaco não se contenta em apenas marcar. Corre em direção à bandeira de escanteio com o escudo do Corinthians e a chuta com força. A provocação acende um princípio de tumulto imediato, com empurrões e rostos colados. Klaus distribui apenas um cartão amarelo para o argentino. O VAR, mais uma vez, não interfere.

O Palmeiras encolhe ainda mais nos minutos finais, lota a área e resiste à pressão. Dorival Júnior desmonta a estrutura tática, lança atacantes em sequência e insiste em cruzamentos. Ao fim, a vitória alviverde em plena Itaquera, sempre valiosa internamente, contrasta com a sensação de injustiça que domina os corintianos.

Fair play em xeque, pressão sobre a arbitragem e próximos capítulos

A atitude de Andreas Pereira viraliza em poucos minutos. Vídeos circulam em redes sociais, com diferentes ângulos mostrando o momento em que ele passa os cravos da chuteira sobre a marca do pênalti. Comentaristas classificam o gesto como “antidesportivo” e “indigno de jogador de Seleção”. A discussão rapidamente ultrapassa a rivalidade dos clubes e entra no terreno do fair play.

O episódio expõe um vácuo de controle disciplinar dentro de campo. A regra pune atrasar o jogo, simular falta e reclamar em excesso, mas não prevê claramente esse tipo de manipulação do gramado em lances capitais. Sem ação do árbitro de campo ou do VAR, o buraco aberto por Andreas interfere diretamente no resultado esportivo e coloca em xeque a credibilidade do sistema de revisão por vídeo, adotado no Brasil desde 2017.

Dorival Júnior tenta manter o tom público sob controle. Ele destaca a atuação corintiana e relativiza o peso da derrota no Paulista. “Entre merecer e conseguir, existe essa diferença no futebol”, admite, ao mesmo tempo em que insiste na boa performance coletiva. Abel, por sua vez, resume a noite com uma palavra. “Eficácia”, diz o técnico, ao lembrar que seu time aproveita a chance decisiva mesmo em atuação inferior.

Os protagonistas do lance principal, Memphis e Andreas, deixam a arena em silêncio. A escolha reforça a sensação de que a discussão não termina no apito final. A Federação Paulista e a Comissão de Arbitragem ficam pressionadas a, no mínimo, comentar a omissão de Klaus e do VAR na avaliação do pênalti. Advogados próximos ao clube corintiano já falam, nos bastidores, em levar o caso aos órgãos de justiça desportiva, ainda que a chance de mudança do placar seja remota.

O Dérbi de 9 de fevereiro de 2026 entra para a galeria dos clássicos marcados por polêmica. O buraco sob o pé de apoio de Memphis não é apenas detalhe técnico. Ele simboliza um limite que o futebol brasileiro ainda hesita em traçar entre malandragem e fraude. A resposta das autoridades esportivas nos próximos dias vai indicar se o jogo aceita esse tipo de gesto ou se, enfim, decide virar a página rumo a um padrão mínimo de fair play.

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