Ciencia e Tecnologia

Magalu reduz iPhone 16e de 512 GB a R$ 3.674 e acirra disputa

O Magalu coloca o iPhone 16e de 512 GB em oferta por R$ 3.674 nesta quinta-feira (6), em todo o Brasil. O corte agressivo de preço leva um modelo recente da Apple, com chip A18 e câmera de 48 MP, para uma faixa de valor antes dominada por celulares intermediários.

Oferta empurra iPhone avançado para faixa de intermediários

A promoção, divulgada em 6 de fevereiro de 2026 pelo Canaltech Ofertas, mira um público que costuma adiar a compra de iPhones por causa do preço. Ao baixar o valor do 16e de 512 GB para R$ 3.674, o Magalu tenta aproximar um aparelho de ficha técnica de topo das condições de quem antes só considerava modelos mais simples ou usados.

O modelo escolhido para o ataque de preço não é qualquer um. O iPhone 16e usa o processador A18, o mesmo chip do iPhone 16, e vem com 8 GB de RAM. Na prática, isso significa desempenho idêntico ao da linha principal em tarefas pesadas, como jogos avançados e edição de vídeo em 4K, sem engasgos aparentes.

O salto de armazenamento também pesa na equação. A versão em oferta oferece 512 GB de espaço interno, quatro vezes mais que o iPhone 16 básico de 128 GB. Em um cenário em que vídeos em alta resolução, apps de banco e redes sociais ocupam dezenas de gigabytes, essa diferença evita a rotina de apagar fotos e aplicativos para liberar memória.

Segundo o texto promocional, esse volume de armazenamento “elimina preocupação com espaço por anos”. A frase sintetiza o apelo central da campanha: vender não só um aparelho mais potente, mas a sensação de tranquilidade para quem grava vídeos em 4K, baixa muitos aplicativos e não quer pensar em nuvem paga no curto prazo.

A câmera principal de 48 MP com zoom óptico 2x integra o pacote e coloca o 16e em linha com celulares mais caros da própria Apple. A empresa destaca fotos mais nítidas em ambientes com pouca luz e um modo retrato frontal mais eficiente, reforçando a aposta em quem vive de registrar o dia a dia em foto e vídeo.

Pressão sobre rivais e reposicionamento da linha da Apple

O preço de R$ 3.674 não se destaca apenas pelo desconto. Ele desafia de forma direta a hierarquia tradicional dentro do ecossistema da Apple. Hoje, o iPhone 16 de 128 GB aparece por cerca de R$ 4.596 no varejo, diferença de R$ 922 a mais por um aparelho com quatro vezes menos espaço.

O 16 mantém uma tela ligeiramente superior, mas a conta final pesa a favor do 16e para quem olha desempenho, armazenamento e preço. Na prática, o consumidor paga menos e leva mais espaço interno, enquanto abre mão de detalhes visuais que não mudam de forma radical o uso cotidiano.

O contraste fica ainda mais evidente quando o 16e é colocado lado a lado com o iPhone 15, ainda bastante presente nas prateleiras. O modelo do ano anterior oferece processador mais antigo e opções de armazenamento menores. Na oferta atual do Magalu, o 16e chega com chip atualizado, pronto para recursos de inteligência artificial da Apple, e o dobro de espaço por menos dinheiro.

A compatibilidade com o Apple Intelligence, que inclui funções de edição de imagens por IA e uma Siri integrada ao ChatGPT, depende justamente dessa combinação de chip recente e memória RAM mais generosa. O 16e de 512 GB entrega os dois requisitos, o que transforma o celular em uma porta de entrada mais barata para a nova fase de serviços inteligentes da Apple.

No campo da imagem, o aparelho grava em 4K com suporte a Dolby Vision HDR e vídeo espacial em 3D, voltado para quem quer registrar cenas pensadas para óculos de realidade mista no futuro. A bateria promete até 20 horas de reprodução de vídeo com uma única carga, autonomia que cobre com folga um dia intenso de uso com redes sociais, jogos e streaming.

Ao empurrar esse conjunto de recursos para a faixa dos R$ 3,6 mil, o Magalu atinge também fabricantes de Android que dominam o segmento intermediário. Marcas que apostam em celulares entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil passam a disputar o bolso de um consumidor que, diante da promoção, pode preferir migrar para o ecossistema da Apple, mesmo pagando um pouco mais.

Democratização, limites da oferta e próximos movimentos

A estratégia conversa com um fenômeno que se repete no Brasil há pelo menos uma década: a busca por aproximar a marca Apple de parcelas mais amplas da classe média. Planos de operadoras, parcelamentos longos e programas de recompra abriram caminho para esse movimento. Promoções agressivas de varejistas agora empurram esse processo um pouco adiante, ao combinar hardware recente e grande armazenamento com preço de intermediário premium.

Para o consumidor, o ganho imediato está na relação entre custo e tempo de uso. Um aparelho com 512 GB, chip atual e suporte a recursos de IA tende a se manter relevante por mais anos. Isso reduz a necessidade de troca precoce motivada por falta de espaço ou perda de desempenho, um ponto sensível em um país em que muitos parcelam o celular por 12, 18 ou 24 meses.

No curto prazo, a tendência é de aumento nas vendas do iPhone 16e e de maior tráfego nas lojas físicas e online do Magalu. Mesmo quem não fecha negócio agora passa a ter uma nova referência de preço na cabeça, o que pressiona concorrentes a reagir com descontos em modelos equivalentes, seja da Apple, seja de outras marcas.

O efeito colateral pode aparecer no giro dos estoques de iPhones de gerações anteriores e em aparelhos de entrada. Com um modelo mais avançado custando menos, unidades de linha antiga podem demorar mais para sair, exigindo novas rodadas de cortes e queimas de estoque nos próximos meses.

O Magalu não detalha por quanto tempo a oferta permanece ativa nem o volume de unidades disponíveis. A comunicação destaca apenas que o valor é promocional e pode variar conforme a demanda e o estoque. O recado implícito é conhecido do varejo online: quem se interessar precisa agir rápido para não ver o preço subir de novo.

O movimento deixa uma pergunta para o mercado de tecnologia em 2026: o patamar de R$ 3,6 mil para um iPhone recente com 512 GB vira novo piso competitivo ou segue restrito a ações pontuais? A resposta vai depender da disposição de varejistas e fabricantes em sacrificar margem para manter o consumidor disposto a investir em um celular que, cada vez mais, concentra trabalho, lazer e memória pessoal em um único dispositivo.

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