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Lula registra leve alta na aprovação, mas segue com avaliação negativa

A aprovação ao governo Lula (PT) tem uma leve alta na pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta terça-feira (10). O levantamento, feito entre 5 e 9 de março de 2026, mostra avanço da avaliação positiva, mas mantém maioria crítica ao presidente a sete meses das eleições.

Avaliação melhora, mas rejeição ainda lidera

O novo retrato do governo surge de 2.000 entrevistas em 131 municípios, realizadas entre 5 e 9 de março. Segundo o Ipsos-Ipec, 33% dos eleitores classificam a gestão Lula como boa ou ótima. Em dezembro, esse grupo somava 30%. A variação de três pontos supera a margem de erro, de dois pontos percentuais, e indica um movimento real, ainda que contido, na direção do Planalto.

Do outro lado, a avaliação negativa continua predominante. A fatia dos que consideram o governo ruim ou péssimo permanece em 40%, o mesmo patamar da pesquisa anterior. Já os que enxergam a administração como regular recuam de 29% para 24%. Com isso, o saldo entre avaliação positiva e negativa fica em sete pontos desfavoráveis ao presidente, um número que ajuda a dimensionar o desafio político de Lula a menos de sete meses das urnas.

Governo ganha fôlego limitado em meio a pressões

Os números chegam em um momento de tensão econômica, embate com o Congresso e aumento da temperatura eleitoral. A leve melhora na percepção do governo ocorre enquanto o Planalto tenta exibir resultados em emprego, renda e programas sociais, ao mesmo tempo em que enfrenta resistência do mercado financeiro a gastos públicos e críticas da oposição no Parlamento.

Na dimensão pessoal, a forma de governar de Lula continua mais desaprovada do que aprovada, embora com pequena oscilação favorável. A pesquisa mostra que 43% dos entrevistados aprovam o jeito como o presidente conduz o país, contra 42% em dezembro. A desaprovação recua de 52% para 51%. O movimento é modesto, mas reforça a leitura de que o governo interrompe, ao menos por ora, uma tendência de desgaste contínuo.

A confiança em Lula permanece estável e expõe um teto difícil de romper. O Ipsos-Ipec registra 40% de eleitores que dizem confiar no presidente e 56% que afirmam não confiar, os mesmos percentuais da rodada anterior. O dado indica que, apesar de alguma melhora na avaliação do governo, a imagem pessoal do petista ainda encontra resistência significativa em parte do eleitorado, em especial entre conservadores e indecisos que definem o rumo da disputa.

Para a head da Ipsos-Ipec, Márcia Cavallari, o quadro é de avanço tímido, sem mudança estrutural. “A pesquisa de março revela uma leve melhora na avaliação positiva, que passa de 30% para 33%. No entanto, a percepção negativa continua sendo majoritária e o saldo da avaliação fica em sete pontos negativos, indicando que o governo ainda não conseguiu reverter o quadro para um saldo positivo”, afirma.

Eleição se aproxima com cenário dividido

A sete meses da eleição presidencial de 2026, a leitura dos dados passa diretamente pela estratégia dos partidos. Para o PT, o aumento de três pontos na avaliação positiva, somado à pequena redução na faixa que considera o governo regular, sugere alguma capacidade de recuperação em meio a um ambiente hostil. O núcleo político de Lula tende a usar esses números para sustentar que a agenda social, com reajustes do salário mínimo e reforço de programas de transferência de renda, ainda tem potencial de ganho eleitoral.

Para a oposição, o foco permanece no fato de que 40% dos brasileiros classificam o governo como ruim ou péssimo e 51% desaprovam a forma de governar. Esses índices alimentam o discurso de desgaste e devem ser explorados em campanhas que miram o eleitor descontente com a inflação, o custo de vida e a percepção de insegurança. A base bolsonarista, ainda ativa nas redes e nas ruas, tenta capitalizar esse sentimento e manter viva a agenda anti-PT.

O mercado financeiro acompanha de perto essa oscilação de humor do eleitorado. A persistência de um bloco majoritário crítico ao governo tende a pressionar o Planalto por maior rigor fiscal e por compromissos mais claros com reformas econômicas. Em paralelo, o Congresso, onde o governo enfrenta dificuldades para montar maioria estável, usa o índice de desaprovação como termômetro de força política do presidente na negociação de pautas sensíveis.

O contexto internacional adiciona outra camada de incerteza. A escalada da extrema direita em diferentes países, somada às guerras em Gaza e na Ucrânia, alimenta um clima de instabilidade que também chega ao debate nacional. Lula tenta se apresentar como liderança moderada em um cenário global conflagrado, mas lida com uma sociedade dividida e um sistema político fragmentado, no qual qualquer ponto percentual nas pesquisas pesa na formação de alianças e na disposição de apoios.

Disputa por narrativas se intensifica até outubro

Com a divulgação da pesquisa Ipsos-Ipec, governo e oposição ajustam o discurso. No Planalto, auxiliares de Lula tendem a destacar a quebra da sequência de índices negativos e a melhora além da margem de erro como sinal de que a comunicação e as entregas do governo começam a ser percebidas. A agenda de viagens do presidente pelo país, com foco em Nordeste e periferias urbanas, ganha ainda mais centralidade na tentativa de consolidar essa curva.

Entre adversários, a narrativa se concentra na maioria crítica ao governo e no saldo negativo de sete pontos na avaliação geral. Pré-candidatos rivais devem associar a gestão Lula às dificuldades econômicas do cotidiano, do preço dos alimentos à sensação de falta de perspectivas. Nesse ambiente, cada nova pesquisa tende a funcionar como placa de quilometragem na estrada até outubro, indicando não apenas o tamanho das bases de apoio, mas também o espaço disponível para virar votos no centro do eleitorado.

O Ipsos-Ipec ainda detalha percepções sobre o desempenho do governo frente às expectativas e sobre a situação econômica atual e futura do país, dados que ajudam a explicar a cautela do eleitor. A fotografia de março mostra um presidente que consegue algum fôlego, mas continua longe de uma zona de conforto. A campanha que se aproxima deve responder a uma pergunta clara: a leve melhora registrada agora é o começo de uma virada consistente ou apenas um respiro em um cenário ainda predominantemente adverso?

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