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Lula lidera potencial de voto em nova pesquisa para 2026

Lula aparece à frente no potencial de voto para a Presidência em 2026, segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026. O levantamento também reforça a força de Flávio Bolsonaro como principal nome do campo opositor e mede o grau de conhecimento, rejeição e eleitorado fiel de outros seis possíveis candidatos.

Cenário consolida Lula e Flávio Bolsonaro como polos da disputa

A nova rodada da pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06428/2026, monitora o humor do eleitorado em um momento de reorganização das forças políticas. O Real Time Big Data ouviu 2 mil pessoas em todo o país entre 6 e 7 de fevereiro, com margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Os números indicam que o ex-presidente Lula mantém a dianteira no potencial de voto e concentra o maior grupo de eleitores convictos, aqueles que declaram voto certo e difícil de mudar.

Flávio Bolsonaro, senador pelo PL e herdeiro político do bolsonarismo, surge como o principal antagonista de Lula. Ambos figuram como os nomes mais conhecidos entre os entrevistados, mas também lideram a rejeição. O dado reforça a persistência da polarização que marca a política nacional desde 2018 e limita o espaço de candidatos que tentam se apresentar como alternativa ao embate entre lulismo e bolsonarismo.

Os demais monitorados, Aldo Rebelo (DC), Eduardo Leite (PSD), Ratinho Jr. (PSD), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), ainda operam em um patamar de visibilidade menor. Parte relevante do eleitorado declara não conhecê-los o suficiente para opinar. Esse fosso de conhecimento ajuda a explicar por que, mesmo sem estar formalmente na disputa, Lula e Flávio seguem ocupando o centro do tabuleiro.

Rejeição alta limita crescimento e pressiona estratégias de campanha

O levantamento não mede apenas intenção espontânea de voto. O instituto procura saber quem o eleitor votaria com certeza, em quem poderia votar, em quem não votaria de jeito nenhum e quem não conhece. Esse recorte revela que Lula registra o maior contingente de eleitores decididos, o que lhe garante uma base consolidada para 2026, ainda que distante do período oficial de campanha. Ao mesmo tempo, o petista figura entre os mais rejeitados, cenário que exige atenção redobrada do governo para reduzir desgastes até a eleição.

Flávio Bolsonaro repete o padrão. A herança do governo do pai, as investigações que cercam o clã e a atuação da extrema direita no País alimentam tanto sua força entre os fiéis quanto o repúdio de uma parcela expressiva da população. A disputa tende a se travar em um campo já conhecido do eleitor: de um lado, a memória recente do governo Bolsonaro; de outro, o julgamento cotidiano do terceiro mandato de Lula em meio a pressões do mercado, do Congresso e a crises internacionais.

Entre os nomes em busca de espaço, governadores e ex-governadores testam seus limites. Ratinho Jr., do Paraná, e Romeu Zema, de Minas Gerais, apostam em discursos de gestão e em agendas econômicas liberais para falar a um eleitor cansado de conflito permanente. Ronaldo Caiado, de Goiás, tenta se firmar como voz conservadora moderada. Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, explora a imagem de gestor jovem e moderado, enquanto Aldo Rebelo se apoia em bandeiras nacionalistas e Renan Santos tenta capitalizar a atuação nas ruas contra a corrupção e a extrema direita. Todos, porém, esbarram no nível de desconhecimento e na dificuldade de furar o noticiário centrado em Lula e no bolsonarismo.

Especialistas ouvidos ao longo das últimas semanas apontam um ponto comum: a rejeição alta funciona como teto para os dois polos tradicionais. “Quem entra na eleição com mais de um terço do eleitorado dizendo que não vota de jeito nenhum precisa conquistar praticamente todo o resto para vencer”, resume um analista político ouvido pela reportagem. Esse teto abre, em tese, uma brecha para candidaturas alternativas, mas a história recente mostra que transformar esse potencial em votos concretos é tarefa árdua.

Partidos ajustam rota e miram 2026 em meio a incertezas

Os números chegam em um ambiente que muitos no governo classificam como de “normalidade tensa”. Depois dos anos mais duros da crise democrática, o País volta a um funcionamento institucional mais previsível, mas isso não elimina os riscos. A extrema direita segue organizada, o Congresso pressiona por mais espaço no Orçamento e o mercado cobra ajustes fiscais permanentes. Cada movimento do Planalto é lido à luz de 2026, e pesquisas como a do Real Time Big Data alimentam cálculos diários em Brasília e nos estados.

Para o PT, a liderança de Lula no potencial de voto é motivo de alívio, mas não de conforto. O partido sabe que o presidente enfrenta desgaste natural de governo, inflação de expectativas e resistência de setores que rejeitam qualquer projeto associado à esquerda. A estratégia tende a combinar entrega de resultados econômicos, manutenção de programas sociais e tentativa de reduzir a temperatura do conflito político, sem perder o contraponto com o bolsonarismo.

No campo oposicionista, a pesquisa funciona como radar para decisões internas. O PL precisa definir se aposta em Flávio Bolsonaro como nome principal ou se mantém a porta aberta para outra liderança do grupo. Partidos de centro e centro-direita, como PSD, Novo e legendas menores, observam o desempenho de Ratinho Jr., Zema, Caiado e Eduardo Leite para calcular alianças, federações e eventuais desistências antecipadas. Quanto mais tempo Lula e Flávio ocuparem o topo do noticiário, mais caro fica construir uma terceira via competitiva.

O levantamento também tem efeito prático sobre a comunicação das campanhas em gestação. Candidatos pouco conhecidos tendem a intensificar agendas nacionais, entrevistas e presença em redes sociais para reduzir o índice de desconhecimento ainda em 2026. Os mais rejeitados se veem pressionados a moderar discurso, buscar alianças amplas e falar a eleitores que hoje os enxergam com desconfiança.

O próximo ano deve trazer pesquisas mais frequentes, com recortes regionais, testes de segundo turno e simulações com novos nomes. A fotografia atual ainda pode mudar, mas já orienta orçamentos, negociações e discursos. A pergunta que acompanha este começo de 2026 é direta: alguém conseguirá romper a polarização consolidada entre Lula e o bolsonarismo, ou o País caminhará para mais uma eleição decidida entre dois projetos que o eleitorado conhece bem, aprova em parte e rejeita em igual medida?

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