Lula destaca R$7,8 bilhões no Fundo Amazônia, queda no desmatamento e aposta em terras raras
Lula destaca R$ 7,8 bilhões no Fundo Amazônia, queda no desmatamento e aposta em terras raras

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou os avanços do Brasil na preservação ambiental, na produção de biocombustíveis e na exploração de minerais estratégicos. Entre os resultados apresentados pelo governo estão R$ 7,8 bilhões em recursos comprometidos pelo Fundo Amazônia, a redução do desmatamento no Cerrado e a ampliação da mistura de etanol na gasolina para 32%. Lula também defendeu que o país deixe de atuar principalmente como exportador de matérias-primas e amplie a industrialização de suas reservas de terras raras.
As iniciativas fazem parte da estratégia do governo federal para fortalecer a participação brasileira na transição energética mundial. A proposta reúne investimentos na proteção das florestas, incentivo à produção de combustíveis renováveis e desenvolvimento de uma indústria capaz de transformar minerais críticos em produtos de maior valor agregado.
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Na quinta-feira (5), durante a primeira reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, em Brasília, o governo avançou nessa agenda ao aprovar uma lista de 27 minerais prioritários para políticas de incentivo e investimentos. A decisão ocorre em meio ao crescimento da demanda internacional por matérias-primas utilizadas na fabricação de baterias, veículos elétricos e equipamentos tecnológicos.
Fundo Amazônia chega a R$ 7,8 bilhões em recursos comprometidos
Um dos principais pontos destacados pelo governo é a retomada do Fundo Amazônia, mecanismo de financiamento de projetos de preservação ambiental que ficou sem aprovar novas iniciativas entre 2019 e 2022.
As contratações foram retomadas em 2023, permitindo a ampliação de ações voltadas ao combate ao desmatamento, à fiscalização ambiental, à proteção de territórios e ao desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis.
Segundo dados oficiais divulgados em outubro de 2026, o fundo contabilizava 160 projetos aprovados e R$7,8 bilhões em recursos comprometidos, em valores corrigidos pela inflação. O montante representa compromissos acumulados ao longo da existência do mecanismo, e não exclusivamente investimentos realizados entre 2023 e 2025.
Os projetos alcançam aproximadamente 75% dos municípios da Amazônia Legal. Entre as iniciativas financiadas estão o fortalecimento de órgãos ambientais, a aquisição de equipamentos para fiscalização e o apoio a comunidades que dependem da floresta para sua sobrevivência.
A retomada do fundo fortalece a capacidade de financiamento de políticas ambientais, embora os resultados dependam da execução dos projetos e da continuidade das ações de fiscalização.
Cerrado registra menor desmatamento da série histórica
Outro resultado apresentado pelo governo envolve a redução do desmatamento no Cerrado, um dos biomas mais importantes do Brasil.
Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a área desmatada no Cerrado caiu 23,8% entre agosto de 2025 e julho de 2026, em comparação com o período anterior.
A devastação passou de 7.235,27 quilômetros quadrados para 5.516,69 quilômetros quadrados, alcançando o menor patamar da série histórica iniciada em 2001.
Na Amazônia, os dados apresentados pelo governo apontam redução de 41,8%, de 5.731 para 3.335 quilômetros quadrados no mesmo intervalo.
Apesar da redução, milhares de quilômetros quadrados de vegetação nativa continuam sendo perdidos anualmente. O desafio permanece na manutenção da fiscalização, no combate à exploração ilegal de recursos naturais e na recuperação de áreas degradadas.
Em pronunciamento realizado no Dia da Independência, em setembro, Lula relacionou a proteção ambiental ao desenvolvimento e à soberania nacional.
“Somos referência mundial em transição energética e no enfrentamento da emergência climática que ameaça o futuro da humanidade”, afirmou o presidente.
Brasil amplia participação dos biocombustíveis
Na área energética, o Brasil ampliou a utilização de combustíveis renováveis para reduzir a dependência de derivados do petróleo.
Desde 1º de agosto de 2026, a gasolina comum comercializada no país passou a receber uma mistura obrigatória de 32% de etanol anidro. O percentual anterior era de 30%.
A medida foi adotada inicialmente por 180 dias, com possibilidade de prorrogação, conforme as regras estabelecidas para o setor.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, estudos técnicos realizados antes da implementação indicaram viabilidade da mistura para a frota brasileira, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos avaliados.
No diesel, o percentual obrigatório de biodiesel chegou a 15% em agosto de 2025, dando continuidade à política de expansão dos combustíveis renováveis.
O etanol brasileiro é produzido principalmente a partir da cana-de-açúcar e do milho, enquanto o biodiesel utiliza matérias-primas como óleos vegetais e gorduras.
O governo considera a ampliação dessas misturas uma ferramenta para reduzir a participação dos combustíveis fósseis, estimular a produção agrícola e fortalecer a segurança energética.
Os efeitos ambientais dependem, porém, de toda a cadeia produtiva, incluindo o uso da terra, a produção agrícola, o processamento e o transporte dos combustíveis.
Lula quer industrializar terras raras dentro do Brasil
Além dos avanços ambientais, Lula defendeu uma mudança no modelo de exploração das riquezas minerais brasileiras.
A intenção é evitar que o país permaneça concentrado na extração e exportação de minério bruto, enquanto outras economias realizam o processamento industrial e a fabricação de produtos tecnológicos.
O presidente quer ampliar a participação brasileira em todas as etapas da cadeia produtiva, desde a exploração mineral até a separação, o refino e a transformação industrial.
O Brasil possui uma das maiores reservas de terras raras do mundo. Esses elementos são utilizados em setores estratégicos, incluindo a fabricação de motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e tecnologias industriais.
Em pronunciamento de 7 de setembro, Lula defendeu que os recursos naturais sejam utilizados para impulsionar o desenvolvimento econômico nacional.
“Nossas riquezas devem servir ao futuro do povo brasileiro”, afirmou Lula.
A estratégia busca ampliar a geração de empregos qualificados, estimular a pesquisa científica, desenvolver tecnologia nacional e fazer com que uma parcela maior da riqueza produzida permaneça no território brasileiro.


