Lua entra na fase nova e intensifica marés nesta sexta (20)
A Lua entra na fase nova nesta sexta-feira (20), alinhada ao Sol e à Terra, e some do céu noturno. O fenômeno marca marés mais intensas e ajustes no comportamento de animais marinhos em todo o planeta.
Alinhamento apaga o brilho e mexe com os oceanos
No início da noite, quem olhar para o céu provavelmente não vai encontrar o disco prateado que marca tantas madrugadas. O satélite natural está na fase nova, quando a face iluminada pelo Sol fica voltada para longe da Terra. O alinhamento entre os três corpos impede a visualização da Lua a olho nu e abre um novo ciclo no calendário lunar.
Esse arranjo geométrico, que se repete a cada 29,5 dias em média, não é apenas um detalhe para astrônomos. A combinação das forças gravitacionais do Sol e da Lua aumenta a diferença entre maré alta e maré baixa e dá origem às chamadas marés vivas. Em portos, manguezais e praias, a oscilação da água se torna mais intensa do que em outras fases, como o quarto crescente e o minguante.
O efeito começa a ser sentido ainda na véspera e se prolonga por alguns dias depois da Lua nova. Nessas janelas, comunidades costeiras adaptam rotinas de pesca, navegação e coleta de mariscos ao sobe e desce acelerado do mar. Em áreas rasas, um recuo rápido da água pode expor bancos de areia, enquanto a maré cheia alcança faixas mais altas da praia.
Vida marinha ajusta o relógio à escuridão
A ausência de claridade lunar também muda o comportamento de diferentes espécies. Em noites de Lua nova, o mar fica mais escuro e oferece uma espécie de cortina natural para animais que dependem da discrição. Muitos corais e moluscos sincronizam a liberação de gametas com essa fase, em eventos de reprodução em massa que ocorrem em poucas horas.
Em praias tropicais, tartarugas marinhas aproveitam a escuridão para subir à areia, cavar ninhos e depositar ovos com menor exposição a predadores. O contraste menor entre o horizonte e a faixa de areia reduz a chance de que aves ou outros animais localizem facilmente as fêmeas. Biólogos usam o calendário lunar para planejar monitoramentos e ações de proteção nesses períodos.
A influência da Lua não se limita a alguns dias específicos. O satélite, com diâmetro equivalente a cerca de um quarto da Terra e distância média de 384.400 quilômetros, dita a cadência de diversos ciclos biológicos. No perigeu, quando se aproxima de 363 mil quilômetros, e no apogeu, quando chega a cerca de 405 mil quilômetros, a força gravitacional muda de forma sutil, mas suficiente para alterar a altura das marés e o ritmo de certas espécies marinhas.
A rotação síncrona mantém sempre a mesma face voltada para a Terra, fenômeno que alimenta o imaginário popular há séculos. A chamada “face oculta” não é permanentemente escura: recebe luz solar, mas permanece invisível a olho nu. Somente sondas e missões espaciais, a partir da década de 1950, revelam em detalhes montanhas, crateras e planícies desse lado menos familiar.
Calendário, crenças e limites da influência lunar
O ciclo sinódico, de cerca de 29,5 dias, estrutura calendários agrícolas e religiosos em diferentes culturas. Comunidades rurais ainda regulam plantios, podas e colheitas pelas fases da Lua, enquanto tradições espirituais associam a fase nova ao começo de ciclos pessoais e rituais de introspecção. A cada virada de fase, o céu fornece um marcador visível do tempo em movimento.
Na prática, a precisão com que astrônomos calculam essas transições é crucial para navegação, previsão de marés e planejamento de operações marítimas. Tabuas de marés, usadas por pescadores e portos, incorporam as datas de Lua nova e cheia para estimar a variação do nível do mar em intervalos de horas. Um erro de poucos centímetros pode afetar o acesso a canais rasos e o atracamento de embarcações.
A popularidade do tema também alimenta crenças sobre o impacto da Lua no humor, na saúde mental e até na criminalidade. Pesquisas recentes, porém, não confirmam uma relação direta entre as fases do satélite e o comportamento humano. Estudos estatísticos com internações psiquiátricas, nascimentos e registros policiais não encontram padrões consistentes que acompanhem o calendário lunar.
Essa distinção entre influência física e mito interessa a educadores e divulgadores científicos. Professores aproveitam eventos como a Lua nova para discutir, em sala de aula, gravidade, órbitas e o papel do método científico na checagem de ideias intuitivas. A observação do céu, mesmo quando a Lua não aparece, vira ponto de partida para explicar como fenômenos invisíveis a olho nu moldam o cotidiano.
Nova fase, velhos ciclos e próximas observações
O desaparecimento temporário da Lua do céu visível não encerra o espetáculo. Em poucos dias, o crescente reaparece no horizonte oeste ao anoitecer, primeiro como um fio de luz, depois como um arco nítido. O formato iluminado muda conforme o hemisfério: no Sul, a parte clara da Lua crescente aponta para a esquerda; no Norte, para a direita, diferença que se explica apenas pelo ângulo de observação de cada região do planeta.
Enquanto astrônomos amadores ajustam telescópios e câmeras para registrar o retorno da luz, comunidades costeiras seguem atentas às marés vivas que se estendem ao longo da semana. O ciclo que começa nesta sexta prepara a próxima Lua cheia, que volta a reforçar a força das marés e a reorganizar rotinas na beira do mar. A pergunta que permanece é como sociedades cada vez mais urbanas vão manter o olhar treinado para um céu que continua a ditar ritmos, mesmo quando parece vazio.
