Ciencia e Tecnologia

Lua entra em fase nova e some do céu nesta sexta (23)

A Lua entra em fase nova nesta sexta-feira (23), alinhada com o Sol e invisível a olho nu na Terra. O momento marca o início de um novo ciclo lunar de 29,5 dias e altera marés, rotinas naturais de animais marinhos e condições de observação do céu noturno.

Lua some do céu, mas movimenta oceanos

Durante a fase nova, o único satélite natural da Terra passa exatamente entre o planeta e o Sol. A face iluminada fica voltada para o lado oposto a nós, o que torna a Lua praticamente impossível de enxergar sem instrumentos. A imagem mais comum do céu noturno, com um disco prateado cortando a escuridão, dá lugar a um breu mais profundo.

O desaparecimento da Lua não significa ausência de influência. Quando o satélite se alinha com o Sol, suas forças gravitacionais se somam e produzem as chamadas marés vivas, aquelas com maior diferença entre maré alta e maré baixa. Esse efeito se repete tanto na Lua nova quanto na Lua cheia e impacta diretamente a rotina de portos, pescadores e comunidades costeiras.

Nas próximas horas e dias, quem vive perto do litoral sente esse movimento de forma concreta. Em algumas regiões, a maré alta avança mais sobre a faixa de areia, enquanto a maré baixa expõe por mais tempo bancos de areia e áreas rasas. Planejamento de navegação, entrada e saída de embarcações e até atividades de turismo dependem dessa variação, calculada com precisão em tábuas de maré.

Marés vivas, vida marinha e mitos persistentes

O ciclo sinódico da Lua, que dura em média 29,5 dias, organiza uma espécie de relógio natural para os oceanos. Na Lua nova de hoje, a combinação de gravidade da Lua e do Sol cria maior amplitude nas marés. Em algumas costas, a diferença entre o nível mínimo e máximo da água chega a superar em dezenas de centímetros o padrão de marés de quadratura, que ocorrem nas fases crescente e minguante.

Vários animais marinhos usam essa oscilação como sinal de tempo. Corais, moluscos e algumas espécies de peixes sincronizam períodos de reprodução com as noites de Lua nova, quando a escuridão é maior. Biólogos explicam que a ausência de claridade auxilia tanto na proteção contra predadores quanto na coordenação de desovas em massa, que se repetem com precisão de calendário. Em praias de desova de tartarugas marinhas, a Lua nova costuma coincidir com maior movimento. As fêmeas saem do mar em busca da areia seca para cavar ninhos e enterrar centenas de ovos, aproveitando o céu mais escuro como espécie de manto protetor. Para pesquisadores e equipes de monitoramento costeiro, datas como esta sexta-feira são estratégicas no planejamento de vigílias noturnas.

A influência da Lua, porém, não se estende a tudo que a tradição popular insiste em atribuir ao satélite. Médicos e cientistas reforçam, em estudos revisados por pares, que não há evidências sólidas de que as fases lunares alterem humor, incidência de partos ou comportamento violento. O efeito direto e comprovado se concentra nas marés e em ciclos biológicos marinhos, não na mente humana. “A Lua comanda os oceanos, mas não comanda a nossa cabeça”, sintetiza a formulação de astrônomos e divulgadores científicos ao comentar o tema.

A forma como o fenômeno é visto, quando há iluminação, também muda de acordo com o lugar do observador. No Hemisfério Sul, a parte iluminada da Lua crescente aparece voltada para a esquerda. No Hemisfério Norte, o clarão se projeta para a direita. Essa diferença de perspectiva ilustra como Terra, Sol e Lua formam um sistema dinâmico, em constante reposicionamento.

Um relógio celeste que organiza rotinas na Terra

A Lua nova de hoje marca o primeiro quadro de um ciclo que avança rapidamente. Em poucos dias, uma fina faixa de luz reaparece no fim da tarde, inaugurando a fase crescente. Cerca de uma semana depois, o satélite exibe metade de sua face iluminada. Por volta da metade do ciclo, a Lua cheia domina o céu noturno com o disco completamente claro voltado para a Terra. Na sequência, a borda iluminada começa a encolher, dando início à minguante e empurrando o calendário de volta à sombra total da próxima Lua nova.

Nesse percurso, o satélite mantém duas características que desafiam a intuição. Seu diâmetro equivale a cerca de um quarto do tamanho da Terra, e a distância média até nós é de 384,4 mil quilômetros. Essa separação varia: no perigeu, ponto mais próximo da órbita elíptica, o satélite chega a cerca de 363 mil quilômetros; no apogeu, se afasta para algo em torno de 405 mil quilômetros. A rotação síncrona faz com que a Lua leve praticamente o mesmo tempo para girar em torno de si mesma e para completar uma volta ao redor da Terra. O resultado é conhecido de qualquer observador casual: vemos sempre a mesma face. A região oposta, que recebe luz solar normalmente, só se torna acessível a partir de sondas e espaçonaves.

A fase nova também interessa a astrônomos amadores e observadores do céu em cidades grandes. Com o disco lunar apagado, o brilho de estrelas, nebulosas e até da Via Láctea ganha contraste, principalmente em áreas com pouca iluminação artificial. Telescópios domésticos, binóculos e até a observação a olho nu se beneficiam desse escuro natural. Planetários e clubes de astronomia costumam aproveitar noites como esta para organizar sessões de observação de outros alvos do céu.

O movimento regular das fases converte a Lua em espécie de calendário celeste. Agricultores tradicionais ainda seguem esse compasso para planejar plantios, podas e colheitas, embora muitas dessas práticas se baseiem mais em cultura acumulada do que em comprovação científica rigorosa. Para a ciência moderna, a relevância está na precisão orbital e na influência calculável sobre mares e ecossistemas costeiros, hoje monitorados com satélites, boias oceânicas e estações meteorológicas.

Próximo ciclo já começa nesta noite

A Lua nova desta sexta-feira encerra o ciclo anterior e dispara a contagem para o próximo conjunto de fases, que se completa novamente em cerca de 29,5 dias. Tábuas astronômicas já indicam as próximas datas de Lua crescente, cheia e minguante, usadas por pesquisadores, navegadores e serviços de previsão de marés. No litoral, a expectativa recai sobre a intensidade das marés vivas e seus reflexos em erosão costeira, operação de portos e rotinas de pesca artesanal.

Quem volta os olhos para o céu hoje à noite talvez não encontre o contorno familiar do satélite, mas encontra um cenário ideal para enxergar além dele. O breu que encobre a Lua cria uma janela de observação rara nas grandes cidades e reforça, mais uma vez, como um corpo a 384 mil quilômetros de distância segue ditando ritmos sutis na Terra. A próxima pergunta não é se o satélite vai influenciar o planeta, mas de que forma sociedades cada vez mais urbanas e conectadas ainda conseguem perceber esse compasso natural em meio às luzes artificiais e às urgências do cotidiano.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *