Ciencia e Tecnologia

Lua cheia entra em fase minguante e redefine céu de fevereiro

A Lua aparece hoje, 7 de fevereiro de 2026, em fase Cheia, com 72% de sua superfície iluminada e já em trajetória de queda de brilho. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o satélite entra na fase Minguante em dois dias, marcando a reta final de um ciclo que organiza marés, tradições culturais e a agenda de observadores do céu em todo o país.

Luz em declínio num ciclo que não para

No céu visível do Brasil e de boa parte do planeta, a imagem desta noite é de transição. A Lua segue formalmente na fase Cheia, mas já perdeu pouco mais de um quarto da superfície iluminada, exibindo 72% de visibilidade. Esse encolhimento gradual da área clara anuncia a chegada da Lua Minguante, prevista para as 9h44 do dia 9 de fevereiro, também de acordo com o Inmet.

O comportamento atual da Lua é um capítulo intermediário da lunação iniciada no começo do mês. Fevereiro de 2026 começou sob a influência de uma Lua Cheia logo no dia 1º, às 19h10, horário de Brasília. A partir dali, o brilho máximo inaugurou o trecho descendente do ciclo, que se completa em cerca de 29,5 dias, intervalo entre uma Lua Nova e a seguinte. “O que o público vê hoje é o resultado direto desse relógio celeste, que não atrasa nem adianta”, explica um meteorologista do Inmet, em referência ao monitoramento contínuo feito pelo instituto.

Nesse percurso, a Lua passa pelas quatro grandes fases – nova, crescente, cheia e minguante – e por etapas intermediárias, chamadas de interfases. Entre a Nova e a Cheia, o satélite exibe primeiro um fino arco, depois o chamado Quarto Crescente e, mais tarde, a fase gibosa crescente, quando mais da metade do disco luzente já se destaca no céu. Após o auge luminoso, o processo se inverte: vem a gibosa minguante, seguida do Quarto Minguante, até que o brilho desaparece quase por completo, abrindo espaço para uma nova Lua Nova.

Do calendário ao mar: por que a fase interessa

O estado atual da Lua não é um detalhe meramente estético. Em muitas regiões costeiras brasileiras, o calendário lunar segue vivo na rotina de pescadores, navegadores e comunidades ribeirinhas. Fases próximas à Lua Cheia costumam estar associadas a marés mais amplas, fenômeno influenciado pela gravidade conjunta do satélite e do Sol sobre os oceanos. A transição para a Minguante, como a que ocorre nesta semana, ajuda esses grupos a ajustar horários de saída, retorno e escolha de pontos de pesca.

No ambiente urbano, a Lua de hoje também produz efeitos mais sutis, mas presentes. Astrônomos amadores aproveitam a luminosidade ainda alta para registrar crateras e mares lunares com câmeras simples, sem depender de grandes telescópios. Fotógrafos planejam ensaios e registros de paisagem em que o disco branco atua como protagonista, sobretudo no começo da noite, quando surge próxima ao horizonte. “A fase cheia, mesmo em declínio, é uma vitrine para quem quer começar a observar o céu”, comenta um divulgador científico ouvido pela reportagem.

Os dados de fevereiro detalham esse roteiro. Depois da Lua Minguante de 9 de fevereiro, o ciclo avança para a Lua Nova no dia 17, às 9h03. A fase Crescente, que representa simbolicamente a retomada do crescimento luminoso, chega em 24 de fevereiro, às 9h28. Essa sequência mantém o padrão médio de cerca de sete dias de duração para cada fase principal, com pequenas variações de algumas horas a cada mês. O Inmet reúne essas informações em calendários públicos que se tornam referência para escolas, fazendeiros, entusiastas da astronomia e serviços de imprensa.

Nos livros de história da ciência, esse mesmo ciclo serviu de base para alguns dos primeiros calendários usados por civilizações antigas. Povos da Mesopotâmia, da China e do Mediterrâneo organizaram meses e festividades a partir da repetição visual da Lua pelo céu. Em muitas tradições religiosas, datas importantes ainda seguem o calendário lunar ou lunissolar, que considera ao mesmo tempo o movimento da Lua e o do Sol.

Planejamento, crenças e o céu dos próximos dias

No Brasil de 2026, a Lua Cheia em declínio também reorganiza agendas culturais e rituais. Grupos religiosos que associam fases específicas a cerimônias marcam encontros para esta semana, antes da entrada oficial na Minguante. Eventos de observação pública, promovidos por clubes de astronomia e centros de ciência, concentram atividades entre hoje e o dia 9, quando o contraste entre a parte iluminada e a sombra favorece a visualização de relevos na superfície lunar.

O interesse crescente pelo céu noturno encontra terreno fértil em plataformas digitais, que divulgam diariamente a situação da Lua, horários de nascer e se pôr e previsões para o mês. A presença de dados oficiais, como os fornecidos pelo Inmet, funciona como antídoto contra desinformação ligada a supostos efeitos extremos da Lua sobre o comportamento humano. Ao mesmo tempo, não elimina a dimensão simbólica que acompanha o satélite há milênios, entre mitos, superstições e rituais que atravessam gerações.

Os próximos dias reservam um cenário dinâmico para quem mantém o olhar voltado para o alto. A visibilidade, hoje em 72%, deve continuar caindo noite após noite, em ritmo perceptível a olho nu. A partir de 9 de fevereiro, com o Quarto Minguante instalado, a Lua passa a dominar mais o fim da madrugada do que o começo da noite, alterando o horário ideal para observação e fotografia. Quando a Lua Nova chegar em 17 de fevereiro, o céu noturno ficará mais escuro, favorecendo a visão de estrelas e planetas menos brilhantes.

Enquanto a paisagem muda, o ciclo persiste. Em 24 de fevereiro, o Crescente recoloca o satélite em trajetória de ganho de luz. Uma nova Lua Cheia volta a dominar o céu pouco depois, em março, repetindo o movimento que hoje se observa em seu trecho final. Entre a precisão matemática do ciclo, medida por instituições como o Inmet, e a carga simbólica que a Lua carrega, permanece uma pergunta que atravessa fronteiras e idiomas: o que cada fase ainda revela sobre a forma como a humanidade lê os próprios ciclos de começo, auge e despedida?

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