Lua cheia entra em declínio e inaugura nova etapa do ciclo lunar
A Lua atravessa a fase cheia neste domingo (8), visível em 63% no céu terrestre e em queda de luminosidade. A virada para a Lua minguante ocorre amanhã, segundo o calendário lunar de fevereiro do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Céu iluminado, ciclo em transição
No calendário deste fevereiro curto, o céu noturno vive um momento de transição. A Lua continua tecnicamente na fase cheia, mas já não exibe o disco perfeito e brilhante que marca o auge do ciclo. A superfície iluminada diminui noite após noite, num ritmo que interessa a astrônomos amadores, agricultores e quem organiza atividades ao ar livre.
O Inmet acompanha essa mudança com base na observação regular do ciclo lunar. Em 1º de fevereiro, a Lua cheia se instala às 19h10, inaugurando o mês com o satélite no máximo de luminosidade. Quinze dias depois, o mesmo astro já se prepara para a Lua minguante, marcada para as 9h44 desta segunda-feira (9). No meio do caminho, a fração visível se ajusta de forma quase imperceptível a olho nu, mas bem definida nos dados oficiais.
O calendário lunar de fevereiro de 2026
O mês de fevereiro de 2026 concentra todas as quatro fases principais da Lua. Depois da cheia de 1º de fevereiro, o ciclo segue para a Lua minguante do dia 9, às 9h44. A Lua nova surge em 17 de fevereiro, às 9h03, e abre uma nova lunação, nome dado ao intervalo entre duas luas novas sucessivas, que dura em média 29,5 dias. O trajeto se completa com a Lua crescente em 24 de fevereiro, às 9h28, preparando o terreno para a próxima cheia, já em março.
Entre essas fases principais, a Lua atravessa as chamadas interfases, menos conhecidas do público, mas fundamentais para quem acompanha o céu com atenção. Entre a Lua nova e a cheia, aparecem primeiro o quarto crescente e depois a fase conhecida como crescente gibosa, quando a maior parte do disco já está iluminada, mas ainda não totalmente. Depois da cheia, vem a minguante gibosa e, em seguida, o quarto minguante, quando apenas metade do disco segue iluminada antes do retorno à Lua nova.
Como a posição da Lua define o que vemos
O que o Inmet registra em seus boletins diários é o reflexo direto da geometria entre Sol, Terra e Lua. Na Lua nova, o satélite se coloca entre o nosso planeta e o Sol. O lado iluminado fica voltado para a estrela, enquanto o lado escuro se volta para nós. Por isso a Lua praticamente desaparece do céu noturno, mesmo seguindo sua órbita regular ao redor da Terra.
Com o avanço dos dias, o alinhamento muda e o arco iluminado começa a surgir no fim da tarde, marcando a fase crescente. Quando metade do disco se mostra iluminada, os astrônomos chamam o momento de quarto crescente. O ápice desse movimento ocorre na Lua cheia, quando a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua. O lado lunar voltado para nós recebe luz por completo, e o satélite nasce no horizonte por volta do pôr do sol, oferecendo uma das imagens mais reconhecíveis do céu.
Impacto na observação, na lavoura e na cultura
A fase cheia, mesmo em declínio como hoje, ainda garante uma noite mais clara do que em qualquer outra etapa do ciclo. Para quem observa estrelas, o brilho extra atrapalha a visualização de objetos muito tênues, como nebulosas e galáxias distantes, mas favorece a contemplação da própria superfície lunar. Detalhes de crateras, mares solidificados e contrastes de relevo se destacam, principalmente para quem usa binóculos simples ou pequenos telescópios.
No campo, o calendário de fevereiro interessa a agricultores que seguem práticas tradicionais de plantio e colheita associadas ao ciclo lunar. A presença da Lua cheia logo no dia 1º e a Lua nova em 17 de fevereiro delimitam janelas usadas por produtores que associam fases específicas ao manejo do solo, à poda e ao plantio de determinadas culturas. Pescadores artesanais também acompanham o calendário para planejar saídas em noites mais claras ou mais escuras, de acordo com a espécie procurada e com as marés.
Tradição, ciência e próximos dias
O interesse popular pela Lua cheia atravessa séculos e mistura ciência, religião e folclore. Festas, rituais e encontros ao ar livre ainda se organizam ao redor das datas de maior brilho lunar. As fases do mês de fevereiro, divulgadas pelo Inmet, ajudam a alinhar crenças antigas com a precisão dos dados atuais, permitindo que a programação cultural aproveite melhor as noites de maior iluminação.
Nos próximos dias, o disco continua a perder luminosidade até chegar à Lua nova do dia 17 e ao crescente de 24 de fevereiro. O ciclo recomeça, como ocorre há bilhões de anos, mas segue oferecendo informações valiosas para a agricultura, a pesca, o turismo e a pesquisa científica. Quem ergue os olhos para o céu neste domingo enxerga uma Lua cheia em despedida, já apontando para a pergunta que move observadores no mundo todo: como usar melhor cada fase desse relógio natural que marca o tempo no planeta?
