Leila reage à vitória do Palmeiras e tenta virar página da crise
Leila Pereira reage publicamente à vitória do Palmeiras sobre o São Paulo, neste 24 de janeiro de 2026, na Arena Barueri, e tenta reposicionar sua autoridade após dias de protestos da torcida. O time vence por 3 a 1, mantém a liderança do Paulistão e reduz, ao menos por uma noite, o barulho em torno da presidente.
Da goleada para a resposta em campo
Quatro dias depois de ver o time ser goleado por 4 a 0 pelo Novorizontino e virar alvo de pichações nos muros do Allianz Parque, Leila volta às redes sociais. Ela publica uma foto com a frase “Posso perguntar?”, em letras brancas sobre fundo escuro, e reacende um bordão conhecido entre os torcedores. A mensagem mira os mesmos críticos que, desde o início da temporada, cobram mais contratações e desempenho convincente.
O post faz referência a um antigo recado da própria presidente, usado sempre que o time reage em campo após sequência de críticas. Naquele momento, a pergunta era direta: “Estão mais calmos?”. Agora, a provocação vem depois do primeiro Choque-Rei do ano, em que o Palmeiras volta a se impor em clássico e tenta virar a chave da crise. A escolha do timing mostra cálculo político: Leila fala quando o placar e a atuação lhe dão margem para recuperar terreno.
Vitória em clássico como ativo político
O time de Abel Ferreira chega pressionado à Arena Barueri. A derrota para o Novorizontino, por 4 a 0, no interior, é das mais pesadas da era recente e dispara o alarme entre conselheiros, torcedores organizados e sócios. As paredes do Allianz amanhecem pichadas, as redes sociais do clube acumulam críticas e o debate volta a girar em torno da condução do futebol pela diretoria. A resposta vem no gramado: Maurício, Flaco López e Khellven marcam e conduzem o 3 a 1 sobre o São Paulo. Bobadilla desconta para o Tricolor, mas não muda o roteiro da noite.
O resultado mantém o Palmeiras na liderança da primeira fase do Campeonato Paulista, com 12 pontos em 5 jogos, e deixa a classificação às quartas praticamente encaminhada, a três rodadas do fim desta etapa. Em números frios, a campanha sustenta o discurso de estabilidade. Em clima, a vitória funciona como válvula de escape. A arquibancada, que protesta e cobra desempenho desde a pré-temporada, encontra algum alívio no clássico. O elenco também ganha fôlego, após dias de questionamentos sobre foco, preparação física e profundidade do elenco.
Pressão por reforços e espaço para a base
O debate que cerca Leila, porém, não se esgota com um bom resultado. A presidente administra uma equação delicada: precisa equilibrar orçamento, atender a metas de vendas e, ao mesmo tempo, responder à cobrança por reforços de impacto para 2026. A diretoria de futebol admite, em conversas recentes, que “abre portas” para saídas de jogadores valorizados, mas encontra dificuldade para repor peças no mesmo nível. A estratégia passa por usar a base como motor financeiro e esportivo. Jovens formados na Academia de Futebol ganham espaço no elenco principal com a expectativa de gerar receitas relevantes em futuras negociações internacionais.
Esse modelo, que combina vendas altas com investimentos pontuais, alimenta parte da insatisfação atual. Torcedores que picham muros e criticam a presidente enxergam excesso de prudência e falta de ousadia nas contratações. O placar de 3 a 1 no Choque-Rei oferece um argumento imediato a Leila. Ao se posicionar nas redes, ela tenta mostrar que o projeto resiste às turbulências e que o elenco, mesmo sob contestação, segue competitivo. A frase “Posso perguntar?” carrega subtexto claro: se o time responde em campo, até que ponto as cobranças seguem justificadas na intensidade dos últimos dias?
Autoridade em teste e próximos capítulos
O movimento de Leila é também uma disputa de narrativa. Ao retomar um bordão antigo justamente após o clássico, a presidente tenta recolocar seu papel não apenas como gestora, mas como figura central na construção da identidade recente do clube. A vitória sobre o São Paulo melhora o ambiente no vestiário, reduz a pressão sobre Abel Ferreira e sua comissão e abre espaço para conversas mais serenas sobre reforços, saídas e metas esportivas para a temporada. Internamente, auxiliares veem o resultado como oportunidade para blindar o elenco em meio ao calendário apertado e à vitrine do Paulistão.
Os próximos jogos, nas três rodadas finais da primeira fase, vão dizer se a noite em Barueri representa ponto de virada ou apenas alívio momentâneo. A classificação antecipada às quartas, somada a eventual manutenção da liderança geral, pode reforçar o discurso de que o planejamento segue no eixo, mesmo sob contestação ruidosa. A reação da torcida, nas arquibancadas e nas redes, definirá o alcance real do gesto de Leila. A pergunta que paira, depois do “Posso perguntar?” publicado na vitória, inverte o sinal: quem responde agora é o torcedor, disposto ou não a dar novo voto de confiança à presidente.
