Lanús vence, Flamengo cai e pressão sobre Filipe Luís explode
O Flamengo perde por 1 a 0 para o Lanús, nesta quarta-feira (19), em Buenos Aires, e se complica na decisão. O time de Filipe Luís desaba no segundo tempo, leva gol de cabeça de Castillo e volta ao Rio pressionado para “ganhar por dois” no Maracanã.
Lanús domina etapa final e decide jogo pelo alto
O roteiro da noite argentina expõe duas faces do Flamengo. No primeiro tempo, o time controla a bola, ronda a área rival e cria a melhor chance do jogo até então. Na etapa final, assiste ao Lanús crescer, perde o controle emocional e cede o resultado que deixa o título em risco.
A partida começa travada, com disputa forte no meio-campo e pouca velocidade pelos lados. O Lanús se encolhe atrás da linha da bola, marca em bloco e tenta acelerar apenas em roubadas esporádicas. O Flamengo gira a posse, mas encontra um muro grená à frente da área.
Os argentinos chegam a balançar a rede cedo, aos 10 minutos, com Castillo. O atacante aparece nas costas da defesa, completa para dentro e faz o estádio explodir. O bandeirinha, porém, levanta o braço na mesma hora, e o VAR confirma: impedimento claro, gol anulado.
O susto freia o ímpeto do Lanús e desperta o Flamengo. A equipe de Filipe Luís enfim acelera por dentro, com troca rápida de passes. Arrascaeta encontra Cebolinha infiltrando pela esquerda, o camisa 11 bate de canhota, forte, e obriga Losada a fazer a defesa da noite. A grande chance rubro-negra morre ali.
O restante da etapa inicial se arrasta em divididas, faltas e interrupções. O Flamengo tem mais posse, supera 60% em alguns momentos, mas produz pouco. O Lanús aceita o cenário, esfria o jogo e leva o empate sem gols para o intervalo com sensação de controle.
O segundo tempo começa com outra temperatura. O Lanús adianta as linhas, pressiona a saída brasileira e transforma cada escanteio em ameaça. Aos poucos, o Flamengo se encolhe, perde a capacidade de ligar contra-ataques e passa a apenas reagir.
Castillo volta a ser protagonista. Após cobrança de escanteio da direita, a bola é desviada na primeira trave e sobra para o camisa 19 empurrar para dentro. A comemoração dura segundos. O árbitro recebe o aviso do VAR semiautomático, revisa o lance e aponta novo impedimento. O Flamengo respira com alívio visível.
O alívio dura pouco. Sete minutos depois, outro escanteio, outro cruzamento e, desta vez, nada de irregularidade. Castillo se infiltra entre Léo Ortiz e Léo Pereira, sobe sem ser incomodado e testa firme, no canto. A bola entra, aos 19 da etapa final, e o 1 a 0 se instala no placar e no psicológico rubro-negro.
A partir do gol, o Flamengo parece menor em campo. Filipe Luís tenta reagir com mudanças, aumenta a presença ofensiva, mas encontra um Lanús organizado, maduro e confortável com a vantagem mínima. O time brasileiro finaliza pouco, não volta a exigir grandes defesas de Losada e assiste ao relógio correr contra si.
Pressão imediata sobre Filipe Luís e reação da torcida
O apito final em Buenos Aires abre outro jogo, desta vez fora de campo. Nas redes sociais, o nome de Filipe Luís dispara entre os mais comentados. Parte da torcida despeja frustração sobre o treinador, questiona escolhas e mira especialmente a queda de rendimento na segunda etapa.
Em perfis no X, antigo Twitter, e no Instagram, torcedores ironizam o comando do time. “Parabéns, professor. Mais um segundo tempo entregue”, escreve um usuário, em publicação que reúne milhares de curtidas. Outro desabafa: “Esse Flamengo não pode voltar do intervalo tão desligado. É final”. O tom geral mistura decepção e cobrança.
A irritação não nasce apenas do placar desta quarta. Vem de uma sequência de atuações irregulares, nas quais o Flamengo alterna bons momentos e apagões prolongados. A derrota para o Lanús, com domínio argentino a partir da metade do jogo, reforça a percepção de que o time não sustenta intensidade em 90 minutos decisivos.
O ambiente também é contaminado por episódios paralelos. O clube sofre, no mesmo dia, um ataque hacker em rede social, com mensagem “Vasco maior do Rio” publicada em perfil oficial. O episódio vira munição para rivais e aumenta a sensação de turbulência em um momento em que o foco deveria ser totalmente esportivo.
O impacto esportivo, porém, é ainda mais concreto. O Flamengo chega ao jogo de volta no Maracanã, ainda em 2026, sem direito a novo tropeço. Precisa vencer por dois ou mais gols de diferença para levantar a taça no tempo normal. Uma vitória simples, por 1 a 0, força prorrogação; qualquer empate entrega o título ao Lanús.
A pressão recai sobre elenco e comissão técnica. Jogadores experientes, como Arrascaeta, Pedro e Everton Cebolinha, passam a ser cobrados por protagonismo imediato. Filipe Luís é empurrado a rever escolhas de escalação e postura, especialmente a dificuldade em lidar com bolas paradas defensivas, que decidem o jogo na Argentina.
Maracanã vira decisão de tese para o trabalho do técnico
O duelo de volta, no Maracanã lotado, tende a ser mais do que uma simples final. Para Filipe Luís, o confronto se aproxima de um julgamento precoce de seu trabalho à frente do Flamengo. Uma classificação com autoridade pode aliviar o ambiente. Uma nova atuação frágil, diante de mais de 60 mil torcedores, tende a escancarar fissuras internas.
A preparação para o jogo passa por decisões objetivas. O comando técnico precisa ajustar o sistema defensivo em bolas aéreas, responsável direto pelo 1 a 0 na Argentina. Também precisa encontrar formas de transformar superioridade na posse de bola em finalizações claras, algo que não acontece em Buenos Aires, sobretudo na etapa final.
Dirigentes rubro-negros evitam declarações públicas mais duras neste primeiro momento, mas o discurso interno é claro: o clube investe pesado no elenco e não aceita acomodação em decisões. O Maracanã, que já viu viradas históricas em finais continentais e nacionais, volta a ser convocado como fator de desequilíbrio a favor do time carioca.
A torcida, apesar da irritação nas redes, tende a encher o estádio. A lógica é conhecida: apoio durante os 90 minutos, julgamento após o apito final. Nas arquibancadas, a expectativa é de um Flamengo mais agressivo desde o início, com pressão alta, volume ofensivo e menos espaço para que o Lanús repita o controle demonstrado no segundo tempo em Buenos Aires.
O 1 a 0 na Argentina não encerra a disputa pelo título, mas muda o tom de tudo que cerca o clube. O Flamengo entra na semana da decisão obrigado a responder em campo às perguntas que a própria atuação levantou. O time de Filipe Luís terá noventa minutos, no Maracanã, para provar se a derrota em Buenos Aires é um tropeço isolado ou o sinal mais claro de um problema maior.
