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Kayke brilha, Garro dita o jogo e Corinthians estreia com vitória

O Corinthians estreia na Libertadores de 2026 com vitória por 2 a 0 sobre o Platense, nesta quinta-feira (9), em Vicente López, na Grande Buenos Aires. No primeiro jogo sob comando de Fernando Diniz, a equipe cresce no segundo tempo, se apoia na joia Kayke e nas assistências de Rodrigo Garro e volta ao Brasil com três pontos e fôlego novo para a temporada.

Diniz começa em alta e vê aposta da base decidir na Argentina

O resultado vale mais do que a simples abertura de campanha no Grupo E. A atuação em Buenos Aires funciona como carta de apresentação do Corinthians de Fernando Diniz, que mistura princípios de posse de bola com uma aposta firme na base. Aos 19 anos, Kayke estreia como titular na Libertadores, marca o primeiro gol da era Diniz e muda o clima em um clube pressionado desde o início do ano.

O jogo começa com roteiro bem diferente do placar final. O Platense pressiona a saída de bola, adianta a marcação e controla o primeiro tempo. Em 31 minutos, o time argentino cria três chances claras, todas em chutes de média distância ou cruzamentos para a área, e transforma Hugo Souza no destaque corintiano antes do intervalo.

O Corinthians demora 47 minutos para acertar o primeiro chute. Rodrigo Garro encontra Yuri Alberto livre pela esquerda, em um dos poucos momentos em que o meio-campo respira. O centroavante ignora André, melhor posicionado pelo meio, e finaliza torto, para fora. O lance resume a etapa inicial: decisões apressadas, time encaixotado pela marcação argentina e pouca conexão entre os setores.

O intervalo muda o jogo. Diniz mantém a estrutura, mas ajusta a circulação de bola e aproxima os meias de Rodrigo Garro. Breno Bidon começa a aparecer entre as linhas, Kayke passa a receber em vantagem pelos lados e o Corinthians ganha metros no campo ofensivo. Em sete minutos, a equipe produz mais do que em toda a primeira etapa.

Aos 9 minutos do segundo tempo, a aposta de Diniz se paga. Garro acha um passe vertical preciso, quebra duas linhas e encontra Kayke nas costas da zaga. O garoto invade a área, mantém a calma diante de Borgogno e toca por cobertura. O lance lembra o gol de Romarinho em Bombonera, em 2012, pela forma como um jovem da base silencia um estádio argentino em noite de Libertadores.

O Platense tenta reagir. Aos 17, o zagueiro Vázquez sobe mais do que a defesa corintiana após cruzamento e testa firme no canto, mas Hugo Souza responde com outra defesa decisiva. O goleiro, emprestado, segura o momento de maior pressão dos anfitriões e dá o tempo que o Corinthians precisa para matar o jogo.

Garro comanda o meio, Kayke se firma e Yuri reage após erro

Rodrigo Garro assume o protagonismo técnico da partida. O argentino joga em casa, mas decide para o clube brasileiro. Ele participa da construção desde o campo de defesa, oferece linha de passe constante e escolhe bem as bolas de risco. Quando o jogo pede calma, ele desacelera. Quando surge espaço, acelera com passes verticais que quebram a marcação.

O segundo gol nasce da mesma parceria. Aos 24 minutos do segundo tempo, Garro recebe por dentro, levanta a cabeça e lança Yuri Alberto entre os zagueiros. O centroavante, que passa por cirurgia para retirada do siso dias antes e treina menos ao longo da semana, entra livre, espera a saída do goleiro e finaliza rasteiro. O VAR revisa o lance por possível impedimento, mas confirma a posição regular e o 2 a 0 em Vicente López.

O gol muda a narrativa pessoal de Yuri. Ele desperdiça a melhor chance do primeiro tempo e ouve críticas recentes pela falta de regularidade. A resposta vem em um jogo grande, fora de casa, na principal competição do continente. O atacante sai aos 24 minutos da etapa final, já com o gol marcado, e dá lugar a Pedro Raul, em decisão que preserva o físico e acena para a disputa interna por posição.

Kayke, por sua vez, transforma a noite em cartão de visitas. Além do gol, oferece profundidade pelos lados, volta para ajudar na recomposição e quase amplia aos 27 minutos, novamente em jogada com passe de Garro, com chute cruzado que passa perto da trave. A atuação fortalece o discurso de Diniz, que chega ao clube prometendo espaço para jovens em meio a um elenco que envelhece e custa caro à diretoria.

A reta final do jogo fica mais controlada após a expulsão de Saborido. Aos 33 minutos, o lateral do Platense faz falta em Matheus Bidu e pisa no tornozelo do corintiano quando ele já está no chão. O árbitro chileno Piero Maza consulta o VAR, revê o lance e mostra o vermelho direto. Com um jogador a mais, o Corinthians administra a vantagem, roda a bola e diminui o ritmo até o apito final.

O resultado coloca o time brasileiro em posição confortável na largada do Grupo E, que ainda conta com Santa Fé, da Colômbia, e Peñarol, do Uruguai, adversários que se enfrentam mais tarde, às 23h de Brasília, em Bogotá. Como se trata da primeira rodada, nenhum cenário de classificação se desenha ainda, mas três pontos fora de casa, em outro país, historicamente pesam na tabela da Libertadores.

Vitória muda clima para clássico e projeta nova hierarquia no elenco

O impacto imediato da estreia vitoriosa aparece no vestiário e na agenda. O Corinthians volta a campo já no domingo, às 18h30, na Neo Química Arena, para enfrentar o Palmeiras pela 11ª rodada do Brasileirão. A vitória em Buenos Aires reduz a pressão sobre Diniz antes do primeiro grande clássico à frente do time e oferece margem para ajustes sem o peso de uma crise precoce.

Internamente, o desempenho de Kayke e de Breno Bidon reforça a ideia de renovação gradual. A diretoria, que convive com limites orçamentários e críticas à política de contratações, ganha argumento para segurar jovens e reduzir movimentos apressados no mercado. Cada boa atuação de um atleta formado no clube impacta diretamente o valor de futuras negociações e abre caminho para novas apostas da base.

Garro também consolida seu papel como cérebro do meio-campo. Com duas assistências na estreia, ele se coloca como peça incontestável no esquema de Diniz. A sintonia com os atacantes já aparece logo no primeiro jogo oficial da nova era, e a tendência é que o sistema ofensivo gire em torno da sua capacidade de criar jogadas entre as linhas rivais.

A tabela da Libertadores reserva nova prova na próxima quarta-feira, quando o Corinthians recebe o Santa Fé, em Itaquera, pela segunda rodada. Uma nova vitória em casa pode deixar o time com 6 pontos em 6 possíveis e encaminhar uma classificação tranquila às oitavas, algo que o clube não vive com frequência recente em torneios continentais.

O desafio de Diniz, a partir de agora, passa por manter o nível de intensidade mostrado no segundo tempo na Argentina e corrigir a lentidão da etapa inicial. A estreia aponta um caminho: quando o meio-campo se aproxima, a bola roda com velocidade e os jovens atacantes recebem em condições de decidir. Resta saber se o Corinthians conseguirá repetir esse padrão em noites menos simbólicas do que a primeira vitória em Vicente López.

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