Kassab descarta plano B e promete candidato do PSD à Presidência em dias
O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirma que o partido definirá “nos próximos dias” o nome que disputará a Presidência da República em 2026 e descarta qualquer plano B. Ao lado do governador Eduardo Leite (PSDB), ele sustenta que admitir alternativa significaria reconhecer derrota interna antes do início oficial da campanha.
PSD acelera escolha e mira protagonismo em 2026
A declaração ocorre em março de 2026, em meio à fase decisiva de alianças e costuras para a eleição presidencial marcada para outubro. Kassab tenta posicionar o PSD como protagonista num cenário ainda fragmentado, em que PT e PL trabalham para repetir o embate polarizado de 2022, enquanto partidos de centro buscam espaço para uma candidatura competitiva.
O dirigente sinaliza que a decisão interna está praticamente madura e que o partido trabalha com um único nome de referência. “Quando se fala em plano B, é porque o plano A fracassou. E o PSD não trabalha com fracasso”, diz, em linha com a estratégia de blindar o escolhido contra questionamentos públicos. A mensagem mira não apenas a base partidária, mas também potenciais aliados que enxergam na sigla um parceiro com capilaridade nacional.
Eduardo Leite, que governa o Rio Grande do Sul e mantém diálogo frequente com lideranças do centro, aparece ao lado de Kassab e reforça a leitura de que o PSD quer encerrar a temporada de especulações. Sem mencionar nomes, ele defende uma alternativa “moderada, responsável fiscalmente e socialmente sensível”, em contraste com a retórica mais inflamável de extremos políticos. A presença do governador, mesmo sem filiação ao PSD, é tratada como gesto calculado de aproximação entre siglas.
Nos bastidores, a cúpula do partido trabalha com um calendário apertado. A intenção é bater o martelo até o fim de março e usar o trimestre seguinte para testar o nome em viagens pelo país, pesquisas qualitativas e conversas com empresários, governadores e prefeitos. A meta é chegar a julho, quando começam formalmente as convenções, com um candidato conhecido em ao menos 70% do eleitorado, segundo dirigentes ouvidos reservadamente.
Unidade interna e recado ao tabuleiro político
A recusa explícita a discutir um plano B funciona como recado a duas frentes: ao próprio PSD, que convive com diferentes correntes regionais, e aos partidos que medem o peso de uma aliança. Ao afastar a hipótese de recuo, Kassab tenta reduzir a margem para disputas internas que costumam se acirrar nos grandes colégios eleitorais, como São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro, responsáveis por mais de 40% do eleitorado nacional.
A sigla cresce de forma constante desde 2011 e hoje controla prefeituras estratégicas em capitais e cidades médias. Em 2024, o partido comemora aumento de quase 20% no número de prefeitos eleitos em relação a 2020, o que amplia o tempo de TV, o acesso a recursos públicos de campanha e a capacidade de mobilização local. Esse ativo se torna argumento central na negociação com outras legendas que hesitam em lançar apostas próprias ao Planalto.
A fala de Kassab também mira o ambiente externo. Uma candidatura definida com antecedência pode atrair forças que buscam um caminho fora da disputa direta entre governo e oposição radical. Quanto mais cedo o nome estiver na praça, maior a chance de costurar acordos nos estados, distribuir palanques e reduzir deserções. No cálculo dos estrategistas, a imagem de um partido dividido, com várias opções em aberto, afastaria aliados e daria fôlego a candidaturas já consolidadas.
Analistas políticos avaliam que a postura do PSD pressiona outras legendas de centro, como MDB, União Brasil e PSDB, que ainda testam cenários e resistem a abrir mão de cabeças de chapa. Uma definição em questão de dias, e não de meses, ajuda Kassab a ocupar espaços em negociações que costumam avançar de forma mais intensa entre abril e junho, fase em que governadores e presidentes de partidos precisam decidir se embarcam em um projeto nacional ou se concentram em disputas regionais.
Definição em dias, disputas por anos
O anúncio prometido para os próximos dias não encerra a disputa, mas inaugura uma etapa mais visível. O candidato escolhido terá de se provar em um ambiente econômico ainda pressionado, com crescimento abaixo de 2% ao ano desde 2023 e inflação oscilando em torno do centro da meta. Terá de apresentar propostas claras para emprego, renda e investimento público num país em que mais de 120 milhões de pessoas vivem com algum tipo de benefício ou programa social.
Dentro do PSD, lideranças admitem em privado que o “sem plano B” é tão político quanto programático. A regra vale na vitrine, mas a sobrevivência eleitoral depende do desempenho nas pesquisas nos próximos seis meses. Se o nome não decolar, a pressão por rearranjos voltará à mesa, com conversas sobre retirada da candidatura ou composição em chapas já estruturadas. Kassab aposta que a demonstração de firmeza agora reduzirá esse risco adiante.
Os desdobramentos extrapolam o partido. Uma candidatura do PSD com fôlego real muda a equação para o governo federal, que pode perder parte de sua base parlamentar, e para a oposição mais dura, que tende a disputar o mesmo eleitorado antipetista de renda média. Governadores, bancadas empresariais e movimentos organizados observam esse movimento com atenção, porque alianças fechadas em 2026 tendem a repercutir nas disputas municipais de 2028 e nas estaduais de 2030.
A decisão anunciada para este março coloca o PSD diante de um teste de coerência e de ambição. O partido terá de provar, na prática, se a recusa a um plano B é sinônimo de confiança estratégica ou de risco calculado em excesso. A resposta começa a surgir nos próximos dias, mas os efeitos, positivos ou não, devem acompanhar a legenda por muitos anos nas urnas e nas mesas de negociação política.
