Esportes

Justiça manda ex-mulher de Daniel Alves detalhar gestão de R$ 25 mi

A Justiça de São Paulo determina que Dinorah Santana, ex-mulher e ex-procuradora de Daniel Alves, apresente prestação de contas detalhada da gestão do patrimônio do jogador entre 2013 e 2023. A decisão, tomada em processo que corre em segredo de Justiça, coloca no centro da disputa acusações de desvio de mais de R$ 20 milhões, que ela nega.

Disputa avança dos bastidores familiares ao tribunal

O conflito, que começa como desdobramento da separação do casal, ganha agora contornos de embate financeiro de alta complexidade. Daniel Alves acusa Dinorah de ter desviado mais de R$ 20 milhões enquanto administrava suas contas, no período em que atuava como procuradora e gestora exclusiva do patrimônio. Ela sustenta que todas as movimentações ocorrem com conhecimento e autorização do ex-marido e atribui o processo a uma reação do jogador a outra ação, de pensão alimentícia, movida por ela em nome dos dois filhos.

Nos autos, Daniel afirma que entre março e maio de 2023, logo após ser preso na Espanha, Dinorah retira cerca de R$ 7 milhões de suas contas no Brasil. O ex-jogador também aponta que, entre 2019 e 2023, aproximadamente R$ 25 milhões saem de suas contas sem, segundo ele, explicação satisfatória. O pedido à Justiça mira a reconstrução detalhada do caminho desse dinheiro e o esclarecimento de cada operação realizada ao longo de uma década.

Dinorah responde com farta documentação. A defesa apresenta mais de 130 páginas de conversas, comprovantes de transferências e extratos bancários. Em diversas mensagens, o próprio Daniel solicita pagamentos, autoriza repasses e orienta despesas. Em outras, quem acompanha e organiza as movimentações é uma funcionária do casal, identificada como Natha, que à época trabalhava para a empresa em comum e hoje atua exclusivamente para o ex-jogador.

Para tentar encerrar a controvérsia, Dinorah contrata por conta própria uma auditoria independente sobre a gestão dos recursos. O relatório, anexado ao processo, indica que há comprovação de destino para cerca de R$ 25,4 milhões. Desse total, R$ 10,8 milhões seriam gastos ligados aos filhos dela com Daniel, como educação, moradia e despesas de rotina. Outros R$ 4,2 milhões aparecem como despesas realizadas com autorização direta do jogador. Uma fatia de R$ 1,4 milhão corresponde a transferências para a própria conta de Dinorah, também, segundo a defesa, autorizadas expressamente por ele.

Os auditores apontam que apenas algo em torno de R$ 800 mil permanece sem destinação comprovada nos documentos entregues. A defesa destaca que, durante todo o período questionado, Daniel e a funcionária Natha teriam acesso irrestrito às contas, extratos e comprovantes. A alegação é de que, em dez anos, não houve qualquer contestação formal sobre movimentações consideradas irregulares.

Decisão eleva cobrança por transparência em disputas milionárias

O juiz responsável pelo caso considera insuficientes os relatórios apresentados e determina um novo nível de detalhamento. A ordem é para que Dinorah apresente prestação de contas em formato mercantil, ou seja, com quadro completo de receitas, despesas e saldos, ano a ano, cobrindo todo o período de 2013 a 2023. Na prática, isso obriga a ex-procuradora a reconstituir de maneira minuciosa a vida financeira do jogador ao longo de uma década, incluindo entradas de contratos, patrocínios, investimentos e saídas para despesas pessoais, familiares e empresariais.

A decisão reforça a tendência de maior rigor judicial sobre a gestão de fortunas em contextos de separação litigiosa e quebra de confiança. Quando o relacionamento termina, cada transferência passa a ser examinada sob a lente da suspeita, sobretudo quando envolve cifras de sete ou oito dígitos. Em casos como o de Daniel Alves, a linha que separa administração legítima, remuneração do gestor e eventual desvio de recursos se torna tema central do processo.

Especialistas em direito de família e empresarial ouvidos em casos semelhantes destacam que esse tipo de decisão costuma impactar não só os protagonistas, mas também a forma como atletas, artistas e empresários estruturam suas finanças. Arranjos informais, baseados em confiança e vínculos afetivos, perdem espaço para contratos mais detalhados, mecanismos de dupla assinatura e auditorias periódicas obrigatórias. A exposição pública de conflitos internos também pesa na imagem de todos os envolvidos, em especial quando a disputa se mistura a outras ações, como discussão de pensão alimentícia.

No caso específico, a própria narrativa dos autos evidencia essa sobreposição de frentes. Dinorah afirma que a ação movida por Daniel tem caráter de “retaliação” à cobrança de pensão para os filhos. Ele, por outro lado, apresenta o processo como reação necessária a uma suposta descoberta tardia de irregularidades em sua gestão patrimonial. A Justiça, ao exigir transparência máxima, tenta separar o que é drama familiar do que pode configurar, de fato, má administração ou enriquecimento indevido.

Próximos passos podem abrir novas frentes na disputa

O cumprimento da decisão abre uma fase tecnicamente mais complexa no processo. Dinorah precisará organizar demonstrativos detalhados, possivelmente recorrer a contadores e peritos, e reapresentar de forma estruturada aquilo que já defende ter comprovado. A partir desses novos dados, o tribunal poderá determinar a realização de perícia contábil independente, cruzar informações com extratos bancários e, se entender necessário, convocar testemunhas e responsáveis por operações específicas.

Os desdobramentos vão além da ação atual. A depender do que emergir dessa prestação de contas, o caso pode se desdobrar em novas ações cíveis, pedidos de ressarcimento e discussões sobre eventual responsabilidade de terceiros que tiveram acesso às contas, como funcionários e consultores. O histórico recente de Daniel Alves na Justiça espanhola, ainda que em outra esfera, adiciona pressão e visibilidade ao caso brasileiro e amplia o interesse sobre sua situação financeira.

O processo segue em segredo de Justiça, e prazos específicos não são divulgados, mas a definição sobre a regularidade ou não da gestão de dez anos de patrimônio dificilmente será rápida. A disputa, que começou restrita ao círculo familiar, hoje envolve relatórios de auditoria, milhares de páginas de documentos e a reconstituição de cerca de R$ 25 milhões em movimentações. A pergunta que ficará até o fim da análise contábil é simples e decisiva: quanto desse dinheiro foi gasto com autorização e quanto, se algo, fugiu do controle do dono das contas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *