Jovi lança celular Y31 e fone Buds Air3 com foco em bateria no Brasil
A fabricante chinesa Jovi lança nesta segunda-feira (9) o celular Y31 e o fone Bluetooth Buds Air3 no mercado brasileiro, com aposta pesada em bateria de longa duração. Os dois produtos miram consumidores que buscam aparelhos mais resistentes, com boa memória e menos dependência da tomada no dia a dia.
Bateria de dois dias e memória de até 512 GB
O Y31 chega às lojas com uma proposta clara: ser o celular de entrada que aguenta dois dias longe da tomada sem virar um tijolo no bolso. A Jovi afirma que a bateria de 7.200 mAh garante até 48 horas de uso contínuo, superando modelos básicos que costumam parar em 6.000 mAh.
O segredo da bateria está na tecnologia BlueVolt, solução proprietária que troca o grafite tradicional por silício de carbono dentro da célula. Em termos práticos, isso permite armazenar mais energia no mesmo espaço físico e manter o aparelho relativamente fino, com 8,5 mm de espessura, medida incomum para celulares com essa capacidade.
O foco em autonomia não vem sozinho. O Y31 estreia no Brasil com versões de 256 GB e 512 GB de armazenamento interno, número que costuma aparecer apenas em aparelhos intermediários e premium. A variante com 256 GB chega primeiro; a opção de 512 GB é prometida para “as próximas semanas”. Ambas trazem 8 GB de memória RAM para rodar o Android 16 com folga para aplicativos de uso diário.
No comunicado, a empresa apresenta o modelo como opção para quem grava muitos vídeos e não quer viver apagando arquivos. A Jovi aponta que o público brasileiro, acostumado a registrar festas, viagens e conteúdos para redes sociais, busca cada vez mais celulares com espaço generoso e que não travem com vários apps abertos.
O conjunto é comandado pelo processador Snapdragon 6s Gen 2, chip pensado para equilibrar desempenho e economia de energia. A tela traz taxa de atualização de 120 Hz, recurso que deixa animações e rolagem mais suaves, ainda que a resolução permaneça em HD, característica alinhada à proposta de segmento de entrada.
Resistência de nível militar e fone com até 50 horas
O pacote de estreia da Jovi no país também aposta forte em durabilidade. O Y31 chega com certificações IP68, IP69 e IP69+, selos que atestam resistência contra água e poeira em cenários mais extremos do que o habitual. Na prática, o aparelho pode suportar submersão e até jatos de água em alta pressão e temperatura, condições bem acima do contato acidental com chuva ou respingos.
O celular passa ainda por testes de queda em múltiplos ângulos e alturas, o que rende a certificação militar MIL-STD-810H, acompanhada do selo SGS Gold Label. A tela recebe vidro reforçado contra riscos cotidianos, como contato com chaves e moedas. O recado da marca é direto: o Y31 tenta se posicionar como um aparelho de entrada que não parece descartável.
O fone sem fio Buds Air3 completa a estratégia. A Jovi promete até 50 horas de áudio somando a bateria dos earbuds e do estojo de recarga. São cerca de 10 horas de reprodução contínua nos fones e outras 40 horas garantidas pelo case, uma das maiores autonomias declaradas hoje para modelos TWS vendidos oficialmente no Brasil.
Os fones pesam 3,6 gramas cada, têm certificação IP54 contra respingos e poeira leve e miram quem usa o acessório por longos períodos, em deslocamentos e trabalho remoto. O Buds Air3 não traz cancelamento ativo de ruído, recurso que abafa sons externos, mas a marca destaca um sistema de redução de ruído em chamadas apoiado em inteligência artificial, desenhado para filtrar vozes e diminuir barulhos de fundo.
O modelo oferece conexão com mais de um dispositivo ao mesmo tempo e suporte ao assistente do Google, o que facilita alternar entre celular e notebook ou acionar comandos de voz. A Jovi posiciona o fone como complemento natural do Y31 e de outros aparelhos Android na mesma faixa de preço.
Disputa por autonomia esquenta mercado brasileiro
Os lançamentos chegam em um momento em que o consumidor brasileiro cobra mais autonomia de bateria e resistência física, após anos de aparelhos finos, potentes e frágeis. O Y31 estreia a partir de R$ 2.069,10 no pagamento via Pix, com desconto de 10% informado pela marca em relação ao preço cheio. O Buds Air3 entra em pré-distribuição e aparece nas lojas nas próximas semanas, sem valor oficial detalhado no anúncio.
A ofensiva reforça a aposta da Jovi no país, depois da chegada de outros modelos voltados ao público intermediário. No comunicado, a empresa trata bateria, robustez e espaço interno como pontos de decisão para compradores que ainda hesitam em migrar para celulares mais caros. A estratégia tenta ocupar um espaço deixado por fabricantes que reduziram a oferta de aparelhos de entrada com especificações mais generosas.
Concorrentes locais e internacionais tendem a sentir o movimento. Aparelhos da mesma faixa de preço costumam entregar baterias menores, menos resistência certificada e metade da capacidade de armazenamento. A presença de um modelo com 7.200 mAh, até 512 GB de memória e padrão militar de testes eleva a régua do segmento e pressiona outras marcas a responderem com melhorias semelhantes.
No mercado de áudio, o Buds Air3 entra na disputa por usuários que priorizam autonomia antes de recursos mais sofisticados. A ausência de cancelamento de ruído ativo pode afastar parte do público que busca imersão máxima em música e vídeos, mas o conjunto de 50 horas de uso, peso reduzido e compatibilidade com vários dispositivos tenta compensar essa escolha técnica.
O efeito prático pode ser o barateamento de modelos concorrentes com especificações semelhantes ou o surgimento de novos fones com foco em bateria acima dos 40 horas de uso total, patamar que ainda é exceção no país.
Próximos passos da Jovi e pressão sobre rivais
A chegada simultânea do Y31 e do Buds Air3 indica que a Jovi não quer atuar apenas como coadjuvante no mercado brasileiro. Ao combinar bateria de dois dias, certificações robustas e grande espaço de armazenamento em um aparelho de entrada, a empresa busca fidelizar usuários que trocam de celular com menos frequência e valorizam durabilidade.
Os próximos meses devem mostrar se a aposta em autonomia e resistência, sem foco em recursos como câmeras avançadas ou telas de altíssima resolução, convence um público acostumado a comparar aparelhos pela ficha técnica. A resposta dos concorrentes, em forma de novos modelos ou cortes de preço, vai indicar até que ponto a estratégia da Jovi redefine o padrão mínimo esperado para celulares e fones de ouvido na faixa intermediária no Brasil.
