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Jovem acusa ministro do STJ Marco Buzzi de apalpá-la dentro do tribunal

Uma jovem acusa o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), de tê-la apalpado e pressionado fisicamente em dependências da Corte. O depoimento é prestado em 7 de fevereiro de 2026 e passa a integrar o inquérito que investiga o magistrado por importunação sexual.

Acusação atinge uma das cúpulas do Judiciário

A jovem relata aos investigadores que o ministro encosta o corpo no dela, pressiona-a contra uma superfície e apalpa partes íntimas sem consentimento. O episódio, segundo a versão apresentada, ocorre em ambiente interno do STJ, em Brasília, durante atividade ligada ao trabalho. O inquérito apura se houve crime de importunação sexual, previsto na lei brasileira desde 2018 e punido com pena de 1 a 5 anos de prisão.

A investigação envolve um dos 33 ministros da Corte responsável por uniformizar a interpretação de leis federais, o que amplia o alcance político e simbólico do caso. A acusação se soma a um contexto de maior pressão por transparência e responsabilidade sobre autoridades do alto escalão, em especial quando se trata de violência de gênero. O depoimento da jovem, colhido formalmente em 7 de fevereiro, passa a ser peça central do procedimento conduzido por órgãos de controle.

Relato detalha pressão física e apalpamento

No depoimento, a jovem descreve que Marco Buzzi se aproxima de maneira inesperada e reduz qualquer possibilidade de reação ao usar a própria compleição física para imobilizá-la parcialmente. Ela afirma que o ministro pressiona o tronco contra o corpo dela, restringe movimentos e, em seguida, a apalpa. O ato, segundo o relato, ocorre de forma rápida, mas suficientemente clara para caracterizar conduta sexual indesejada e abusiva.

O procedimento se dá no âmbito de um inquérito formal, instaurado para esclarecer as circunstâncias e a dinâmica do encontro entre os dois. Investigadores registram a narrativa detalhada da jovem, incluindo horário aproximado, local exato dentro do prédio e eventuais pessoas que poderiam ter visto a movimentação no corredor e em salas próximas. A partir desse material, a apuração tenta cruzar a versão com registros de acesso, imagens de câmeras de segurança e agendas institucionais.

A jovem relata sentir medo e constrangimento imediato, o que a leva a se afastar do ambiente em poucos minutos, segundo sua fala. Ela afirma que demora algum tempo para decidir relatar o episódio a pessoas de confiança e, depois, formalizar a denúncia. O caminho até o depoimento inclui conversas preliminares com familiares, consulta a advogados e contato com autoridades responsáveis por supervisionar a conduta de magistrados de tribunais superiores.

Pressão pública por respostas e impacto institucional

O caso impacta a imagem do STJ, um dos vértices do sistema de Justiça ao lado do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral. A acusação contra um ministro em exercício acende um sinal de alerta em entidades da sociedade civil que atuam na defesa de mulheres em situação de violência. Organizações de direitos humanos cobram, em notas públicas e manifestações em redes sociais, apuração célere, independente e transparente.

Especialistas em direito e em integridade institucional apontam que denúncias desse tipo testam o compromisso real das cortes superiores com o combate a abusos, inclusive dentro de suas próprias estruturas. Para juristas ouvidos pela reportagem em outras ocasiões, casos envolvendo autoridades de alto escalão costumam enfrentar resistência, sejam por temor de retaliações, sejam por cultura de silêncio. A investigação sobre Marco Buzzi, nesse cenário, ganha caráter emblemático e é vista como termômetro da disposição do sistema de Justiça em aplicar à cúpula as mesmas regras cobradas do cidadão comum.

A repercussão ultrapassa os muros do Judiciário e chega ao Legislativo, onde parlamentares já defendem há anos o fortalecimento de mecanismos de responsabilização de magistrados. O episódio também mobiliza debates em universidades, conselhos profissionais e fóruns especializados em combate ao assédio, que destacam a vulnerabilidade de profissionais mais jovens em ambientes hierarquizados. Em um país onde, segundo pesquisas recentes, ao menos 30% das mulheres relatam ter sofrido algum tipo de assédio no trabalho, o comportamento de autoridades passa a ser examinado com ainda mais rigor.

O que pode acontecer a partir de agora

O inquérito segue em fase de coleta de provas, com previsão de novas oitivas, análise de documentos e eventual pedido de perícias técnicas, como recuperação de imagens de segurança. A partir dos elementos reunidos, investigadores podem recomendar o arquivamento, a apresentação de denúncia criminal ou o envio do caso para instâncias disciplinares, como o Conselho Nacional de Justiça, responsável por fiscalizar a conduta de magistrados de todo o país.

Um eventual avanço para ação penal abre espaço para medidas como afastamento temporário, restrições de agenda pública e questionamentos sobre a permanência de Marco Buzzi em processos sensíveis sob análise do STJ. Mesmo antes de qualquer decisão final, o caso já pressiona a Corte a reforçar protocolos internos de prevenção e resposta a episódios de assédio e importunação sexual. A forma como o Judiciário lida com a denúncia pode influenciar futuras políticas de combate a abusos de poder em órgãos públicos, dentro e fora dos tribunais.

Enquanto a investigação avança, permanece em aberto a pergunta sobre qual será o grau de transparência garantido ao longo do processo e quais limites serão impostos ao sigilo. A resposta a essa questão, somada ao desfecho do caso, tende a indicar se episódios como o relatado pela jovem seguirão restritos aos bastidores ou se passarão a enfrentar, de fato, o escrutínio público e institucional.

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