Esportes

John Textor é afastado do comando da Eagle Holding, controladora do Botafogo

John Textor é afastado do comando da Eagle Holding, controladora do Botafogo, em 24 de fevereiro de 2026. O empresário americano fala em “guerra civil” na gestão interna. A mudança acende um alerta imediato sobre o futuro administrativo e esportivo do clube carioca.

Crise no topo da estrutura que comanda o Botafogo

A decisão parte da própria direção da Eagle Holding, responsável pela administração da empresa que detém o controle da SAF do Botafogo. O movimento tira Textor do posto central de comando da holding, mas mantém a estrutura societária formalmente intacta. Não há, por enquanto, mudança de controle do clube, o que preserva contratos e obrigações já firmados.

Nos bastidores, o afastamento expõe uma disputa que se arrasta há meses entre grupos de gestão e investidores ligados à holding. O próprio Textor descreve o quadro como uma “guerra civil”, expressão que escancara o grau de ruptura política interna. A leitura imediata no mercado é de que o conflito ultrapassa divergências técnicas e alcança o núcleo do poder sobre decisões financeiras e esportivas.

A Eagle Holding controla a SAF alvinegra desde a formalização do modelo, que passa a vigorar a partir de 2022 com prazos de longo alcance, em torno de 30 anos. Nesse período, o clube transfere ao investidor o comando do futebol profissional e de receitas estratégicas, preservando responsabilidades associativas. Com o afastamento de quem personifica o projeto, a percepção de estabilidade entra em xeque.

Impacto imediato sobre a gestão e a imagem do Botafogo

No curto prazo, a principal pergunta recai sobre quem assume, de fato, o comando da Eagle Holding e como isso se traduz em decisões concretas no Botafogo. A mudança atinge a cúpula que define orçamento anual, volume de investimentos em elenco, pagamento de dívidas e prioridade em negociações de jogadores. Cada deliberação dessa esfera repercute em folha salarial, contratações e desempenho em campo.

Internamente, dirigentes e executivos tentam conter o desgaste ao reforçar que a SAF segue sob a mesma controladora. A explicação é técnica e verdadeira, mas não dissipa a sensação de incerteza. Quando o próprio controlador fala em “guerra civil”, o recado que chega a torcedores, parceiros comerciais e potenciais investidores é de instabilidade. Patrocinadores, que costumam trabalhar com contratos de 12 a 36 meses, acompanham o cenário com atenção, medindo exposição de marca e risco de associação a crises permanentes.

O histórico recente pesa. O Botafogo vive oscilações bruscas desde a transição para SAF, alternando fases de protagonismo no Campeonato Brasileiro com colapsos de desempenho na reta final. Em 2023, o time chega a liderar com ampla vantagem e termina o ano sem título, em um dos maiores desperdícios de campanha da era dos pontos corridos. A turbulência administrativa de agora reacende dúvidas sobre a capacidade de a gestão transformar investimento em estabilidade esportiva.

No mercado financeiro, qualquer ruído na empresa que controla ativos esportivos relevantes costuma se refletir em renegociação de prazos e condições de pagamento com credores. Bancos e fundos avaliam não só os balanços, mas a previsibilidade de comando. Um afastamento carregado de acusações públicas de “guerra civil” tende a endurecer conversas sobre crédito, refinanciamento e novos aportes de capital.

Disputa de poder, SAF sob pressão e o que vem a seguir

O episódio amplia a pressão sobre o modelo de clube-empresa no Brasil, ainda em fase de consolidação. A SAF do Botafogo surge como um dos casos emblemáticos dessa transformação, com promessas de aportes progressivos, reorganização de dívidas e modernização de gestão. O afastamento de Textor do comando da Eagle Holding adiciona uma camada de incerteza a esse roteiro e reacende o debate sobre governança e transparência.

Nos próximos dias, a atenção se volta para a definição de quem assume a liderança executiva da holding e de que forma esse novo comando se posiciona em relação ao Botafogo. A clareza sobre quem assina cheques, conduz negociações e responde por decisões esportivas torna-se decisiva para acalmar o ambiente. Sem uma sinalização rápida, o risco é ver crescer movimentos internos de contestação e disputas públicas por narrativa entre grupos ligados ao atual controlador.

Para a torcida, o ponto central continua sendo o campo. A dúvida concreta é se o episódio atrasará planejamento de temporada, afetará contratações ainda em curso ou reduzirá a capacidade de manter jogadores-chave em 2026. Cada incerteza administrativa tende a repercutir em pressão nas arquibancadas, queda de confiança e, em última instância, perda de receita com bilheteria e programas de sócio-torcedor.

O afastamento de John Textor do comando da Eagle Holding não altera, por ora, quem detém o controle formal do Botafogo, mas reabre uma discussão essencial: quem, de fato, dirige o projeto esportivo e financeiro do clube e com qual horizonte de estabilidade. As respostas dadas a essa pergunta, ou o silêncio em torno dela, vão determinar o tamanho da crise que começa a se desenhar agora.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *