Jogadores do Alianza Lima negam acusação de abuso sexual em Montevidéu
Três ex-jogadores da seleção peruana são acusados de abuso sexual por uma jovem argentina de 22 anos em um hotel de Montevidéu, em 18 de janeiro de 2026. Carlos Zambrano, Miguel Trauco e Sergio Peña negam a denúncia, feita em Buenos Aires, e são suspensos pelo Alianza Lima às vésperas de amistoso contra o Inter Miami, de Lionel Messi.
Denúncia em Buenos Aires muda pré-temporada do Alianza
O caso vem a público entre quinta e sexta-feira, 23 e 24 de janeiro, e atinge o Alianza Lima em plena pré-temporada no Uruguai. A acusação envolve a noite em que a equipe peruana está concentrada no hotel Hyatt Centric, em Montevidéu, usado como base para a preparação do elenco.
A polícia da cidade de Buenos Aires informa que os três atletas são acusados do crime de “agressão sexual” supostamente ocorrido em 18 de janeiro. A vítima, segundo as autoridades, retorna à Argentina após deixar o Uruguai e registra a ocorrência na capital argentina, o que aciona o Ministério Público local e coloca o episódio sob investigação formal.
O canal argentino A24 revela que a jovem conhece Zambrano, de 36 anos, e que janta com o zagueiro antes de ir ao hotel onde a delegação do Alianza Lima está hospedada. O relato indica que Miguel Trauco, 33, e Sergio Peña, 30, entram no quarto em momento posterior. A partir daí, segundo a acusação, ocorre o abuso, cuja dinâmica detalhada não é tornada pública pelas autoridades até o momento.
Os jogadores usam as redes sociais para reagir com rapidez ao avanço da repercussão. Zambrano divulga um comunicado em que afirma rejeitar de forma enfática qualquer envolvimento em crime sexual e tenta reforçar a imagem de transparência diante da investigação em curso.
“Nego categoricamente qualquer acusação criminal que possa ser feita contra mim e confio que o processo será conduzido com a devida diligência”, escreve o defensor, ex-Boca Juniors. Ele acrescenta que se coloca “à disposição das autoridades” para esclarecer os fatos, numa tentativa de mostrar colaboração ativa com a polícia.
Trauco, lateral com passagem pelo Flamengo entre 2016 e 2019, publica nota em tom semelhante. O jogador nega “quaisquer acusações criminais que possam ser feitas” contra ele e também afirma que vai “cooperar em tudo o que for necessário” para a apuração. Peña, meio-campista que atua no clube peruano desde 2024, já havia usado suas redes no dia anterior para rechaçar a versão apresentada pela jovem argentina.
Pressão sobre o clube e impacto na imagem dos jogadores
A denúncia estoura num momento esportivo sensível para o Alianza Lima. O clube de Lima prepara um amistoso de alto apelo de público e mídia contra o Inter Miami, de Lionel Messi, marcado para este sábado, em Lima. A direção decide afastar os três atletas preventivamente da partida e de outras atividades, na tentativa de proteger a instituição e ganhar tempo diante do escândalo.
A suspensão atinge diretamente o planejamento esportivo de 2026. Zambrano é um dos líderes do elenco, Trauco chega para reforçar o setor defensivo e Peña ocupa espaço relevante no meio-campo. Sem eles, o técnico precisa redesenhar a equipe em fase de testes e ajustes táticos, às portas da temporada oficial no futebol peruano.
O episódio ecoa além do clube. No Peru, os três acumulam histórico de convocações para a seleção nacional em eliminatórias e Copas Américas. A associação direta de ex-jogadores da seleção a um caso de agressão sexual abala a imagem do futebol peruano em outros mercados da América do Sul, num momento em que ligas e federações intensificam discursos públicos contra violência de gênero.
O impacto também atinge potenciais contratos de patrocínio e ações de marketing. Marcas ligadas ao Alianza Lima monitoram a repercussão nas redes sociais, onde a denúncia passa a dominar debates esportivos desde o fim de semana anterior. As manifestações se dividem entre a defesa do direito de defesa dos jogadores e a cobrança por respostas rápidas da Justiça uruguaia e argentina.
No plano jurídico, advogados consultados por veículos argentinos lembram que casos de agressão sexual envolvendo cidadãos estrangeiros podem gerar cooperação entre diferentes autoridades nacionais, inclusive com pedidos de provas e depoimentos por carta rogatória. A eventual formalização de uma acusação penal mais adiante pode afetar a mobilidade internacional dos atletas e a assinatura de contratos fora do Peru.
Dentro do vestiário, o afastamento de três nomes experientes tende a mexer com a hierarquia do grupo. Jogadores mais jovens ganham espaço em treinos e amistosos, mas convivem com a sombra de uma crise que extrapola o campo. A diretoria do Alianza evita declarações públicas detalhadas, limita-se a comunicar a suspensão dos atletas e adota o discurso de aguardar o avanço das investigações.
Investigações em curso e incertezas para 2026
A polícia de Buenos Aires confirma que o inquérito está aberto e que recebeu o relato da jovem argentina, que indica o hotel Hyatt Centric, em Montevidéu, como local do suposto crime. A investigação busca reunir depoimentos, imagens de segurança do hotel e eventuais laudos médicos para reconstruir a sequência da noite de 18 de janeiro. Autoridades uruguaias podem ser chamadas a cooperar na coleta de provas em território local.
Os jogadores afirmam que já se colocam à disposição para prestar esclarecimentos formais, ainda que, por enquanto, não haja datas divulgadas para oitivas nem acusações apresentadas à Justiça. O caso permanece na fase inicial, quando a polícia reúne elementos para decidir se encaminha ou não uma denúncia ao Ministério Público.
No curto prazo, o cenário mais imediato para o Alianza Lima é esportivo e financeiro. A manutenção da suspensão até o esclarecimento dos fatos, decisão que ainda não tem prazo definido, pode obrigar o clube a buscar reposições no mercado e a renegociar bônus ligados à participação dos atletas em jogos da temporada 2026.
A repercussão também pode influenciar a carreira internacional de Zambrano, Trauco e Peña. Clubes estrangeiros, principalmente na América do Sul e na Europa, tendem a adotar maior cautela em negociações enquanto o caso estiver aberto. Mesmo sem condenação, o simples envolvimento em uma investigação por agressão sexual costuma pesar em avaliações de imagem feitas por departamentos de marketing e patrocinadores.
O episódio se insere em um contexto mais amplo, em que denúncias de violência sexual envolvendo atletas ganham maior visibilidade e pressionam instituições esportivas por respostas rápidas e políticas claras de prevenção. Federações e clubes latino-americanos são cobrados para ir além de notas oficiais e criar protocolos de conduta, canais de denúncia e punições internas.
As próximas semanas devem definir se a investigação avança para uma acusação formal na Justiça ou se o caso é arquivado por falta de provas. Até lá, o Alianza Lima convive com uma crise que atravessa o vestiário e a diretoria, enquanto os três jogadores tentam defender a própria versão dos fatos diante de um debate público cada vez mais sensível sobre violência de gênero no futebol profissional.
