João Rodrigues chama reação ao caso ‘Cão Orelha’ de lacração em SC
O prefeito de Chapecó e pré-candidato ao governo de Santa Catarina, João Rodrigues (PSD), rompe o silêncio e chama de “lacração” a reação ao caso “Cão Orelha”. A declaração, dada neste sábado (7/2/2026), em Chapecó, acirra o embate político em torno da atuação da polícia no episódio. O delegado-geral envolvido na polêmica reage e afirma viver uma “inquisição”.
Declarações públicas expõem disputa política em Chapecó
João Rodrigues decide falar depois de dias de pressão. Até o início da semana, aliados relatam que o prefeito preferia aguardar, por considerar “prematuro” qualquer juízo sobre o “Cão Orelha”. O cálculo muda à medida que o caso ganha espaço em rádios, redes sociais e conversas de bastidor na capital catarinense.
Em entrevista a apoiadores e em declarações públicas, Rodrigues passa a enquadrar a repercussão como movimento orquestrado por adversários. “Transformaram isso em palanque, é só lacração”, afirma, segundo relato de pessoas presentes ao encontro político realizado no fim da tarde de sexta-feira. O prefeito sustenta que setores da oposição querem “criminalizar” sua gestão às vésperas da corrida eleitoral.
O delegado-geral, alvo de críticas desde os primeiros relatos sobre o “Cão Orelha”, reage com dureza. Em conversa com interlocutores e em manifestações públicas, classifica o ambiente como hostil. “Isso deixou de ser debate e virou inquisição”, diz. A palavra ecoa em grupos de policiais e servidores da segurança, que veem na expressão um recado de que a cúpula da corporação se sente sob julgamento político.
As falas dos dois ampliam a tensão em Chapecó, cidade de pouco mais de 260 mil habitantes e vitrine eleitoral do Oeste catarinense. Desde o início de fevereiro, o episódio do “Cão Orelha” domina rodas de conversa e domina programas locais de rádio em horários de pico, entre 7h e 9h. A temperatura política sobe à medida que pré-candidatos ao governo procuram se posicionar, seja para defender a polícia, seja para cobrar responsabilização.
Polarização atinge segurança pública e disputa eleitoral
O caso chega à política estadual em um momento sensível. Falta menos de um ano para as convenções partidárias que vão oficializar candidaturas ao governo em 2026, e João Rodrigues trabalha para consolidar seu nome como alternativa de centro-direita. A forma como ele administra crises locais, especialmente envolvendo segurança pública, passa a ser observada por dirigentes partidários em Florianópolis e Brasília.
Ao carimbar de “lacração” a reação ao “Cão Orelha”, Rodrigues sinaliza ao seu núcleo mais fiel de eleitores, que costuma ver exagero em pautas ligadas a direitos e ativismo digital. A palavra ressoa em grupos de WhatsApp de apoiadores, que repetem o termo em mensagens e vídeos de no máximo 30 segundos, distribuídos desde a madrugada deste sábado. Para adversários, no entanto, a estratégia reforça a imagem de um gestor que minimiza críticas e pouco se abre ao contraditório.
O delegado-geral, por sua vez, tenta se afastar do rótulo de vilão no episódio. Ao falar em “inquisição”, ele associa as cobranças a um julgamento sumário, sem direito a defesa ampla. Fontes ligadas à cúpula da segurança afirmam que, nos bastidores, há receio de que a corporação se torne alvo preferencial em palanques e debates televisivos, especialmente se o caso do “Cão Orelha” continuar a repercutir por mais de 30 dias.
Especialistas em comunicação política ouvidos pela reportagem veem na troca de acusações um retrato da polarização em Santa Catarina. De um lado, figuras públicas tentam desqualificar críticas como “lacração”. De outro, autoridades que se sentem pressionadas recorrem à imagem de uma “inquisição” para contestar o clima de cobrança pública. O resultado é um debate menos técnico e mais emocional, com impacto direto sobre a confiança em instituições.
Na prática, a repercussão respinga em diferentes frentes. A prefeitura monitora menções ao nome de Rodrigues em redes sociais e registra aumento de cerca de 40% nas citações diárias desde o início da polêmica. Integrantes da base governista na Câmara Municipal ajustam discursos e evitam associações diretas ao “Cão Orelha” em plenário, temendo desgaste em ano pré-eleitoral. Delegados e investigadores relatam apreensão com a possibilidade de novas convocações para prestar esclarecimentos.
O que vem a seguir para o prefeito, a polícia e o eleitor
A disputa em torno da narrativa sobre o “Cão Orelha” tende a se intensificar nas próximas semanas. Partidos rivais de Rodrigues discutem internamente como explorar o episódio em peças de comunicação e em agendas pelo interior. Alguns dirigentes defendem concentrar críticas na condução política do caso, evitando ataques diretos à polícia, que ainda goza de alto índice de confiança em pesquisas locais, acima de 60%.
No campo governista, conselheiros do prefeito sugerem reduzir a temperatura do debate e devolver o foco para obras e indicadores sociais de Chapecó. A avaliação é que manter a polêmica em evidência por mais de 90 dias pode cristalizar uma associação negativa entre o nome de Rodrigues e conflitos com a corporação policial. O prefeito, porém, costuma fazer da confrontação uma marca pessoal e resiste a recuar no tom.
A cúpula da segurança discute protocolos internos de comunicação para evitar novas crises de imagem. A possibilidade de notas mais frequentes, coletivas de imprensa e divulgação de dados detalhados surge como alternativa para diminuir o espaço de versões parciais sobre o “Cão Orelha”. O desafio é encontrar equilíbrio entre transparência e preservação de investigações em curso.
O eleitor catarinense acompanha tudo em tempo real, entre vídeos curtos, comentários inflamados e análises de especialistas. A forma como João Rodrigues e o delegado-geral conduzem esse embate ajuda a moldar a percepção sobre liderança, responsabilidade e respeito a críticas. As próximas declarações dos dois podem esclarecer o que de fato ocorreu no caso “Cão Orelha” ou empurrar o tema ainda mais para o terreno da guerra retórica, onde a dúvida costuma durar mais que qualquer campanha.
