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João Lima é investigado por violência doméstica contra a esposa

A Polícia Civil da Paraíba investiga o cantor João Lima por violência doméstica contra a esposa, a influenciadora Raphaela Brilhante, em João Pessoa. As agressões, registradas por câmeras de segurança dentro da casa do casal, vêm à tona neste sábado (24/1), quando a vítima procura a Delegacia da Mulher e pede medidas protetivas.

Agressões aparecem em vídeo e chegam à polícia

Uma sequência de imagens gravadas por câmeras de segurança internas mostra João Lima em meio a empurrões, puxões e agressões físicas contra Raphaela Brilhante. Os vídeos circulam nas redes sociais e passam a ser analisados pela Polícia Civil da Paraíba, que trata o caso como violência doméstica. As gravações, segundo a corporação, integram o conjunto de provas reunidas no inquérito.

Neste sábado, Raphaela deixa o campo virtual e leva o caso oficialmente à polícia. Ela registra boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de João Pessoa e formaliza o pedido de medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha. O depoimento é colhido pela delegada Marcela Gonçalves, na Central de Polícia Civil da capital, e inclui o relato de agressões que, segundo a defesa, começam ainda na lua de mel.

Violência começa após o casamento e se estende na separação

O casamento de João Lima e Raphaela Brilhante acontece em novembro de 2025, após cerca de dois anos de namoro sem registros de violência, de acordo com a advogada da influenciadora, Dayane Carvalho. A rotina do casal muda poucos dias depois da cerimônia. A defensora afirma que os primeiros episódios de agressão ocorrem na lua de mel e se repetem nos meses seguintes, já em João Pessoa.

A violência, segundo a advogada, não termina com o fim da relação. Em determinado momento, Raphaela decide se separar e volta a morar na casa dos pais, sem revelar à família o que vinha acontecendo. Mesmo depois da ruptura, parte das agressões relatadas por ela ocorre quando os dois já estão formalmente separados. “As agressões começaram na lua de mel e se estenderam mesmo após a separação. Ela vinha sofrendo calada, com medo das consequências”, diz Dayane ao portal G1.

O caso ganha dimensão pública quando as imagens internas da residência do cantor, em João Pessoa, se espalham pelas redes sociais. Os vídeos mostram cenas sucessivas de violência física em ambiente doméstico, com Raphaela tentando se defender e deixar os cômodos. A repercussão pressiona por respostas rápidas das autoridades e desloca o episódio do universo privado para o debate público sobre segurança das mulheres.

Repercussão expõe fragilidades no combate à violência doméstica

A investigação corre em segredo de justiça, segundo a Polícia Civil informou ao G1, porque diligências ainda estão em curso. A corporação não detalha, por enquanto, quais medidas já adota além da análise das imagens, da oitiva da vítima e da coleta de depoimentos de testemunhas. O Correio tenta contato com a polícia desde a manhã, mas não obtém retorno até a publicação desta reportagem.

A defesa de Raphaela sustenta que o caso ilustra um padrão comum em situações de violência doméstica: agressões que começam de forma isolada, se repetem em ciclos e só chegam formalmente à polícia depois de meses. A Lei Maria da Penha, em vigor desde 2006, prevê medidas protetivas de urgência, como afastamento do agressor do lar e proibição de contato. Na prática, a resposta do sistema de Justiça ainda varia de acordo com a estrutura local, a agilidade do Judiciário e a exposição pública do caso.

A notoriedade de João Lima, cantor paraibano com presença ativa nas redes sociais, amplia o alcance da denúncia. O episódio desperta reações de fãs, seguidores e movimentos de defesa dos direitos das mulheres, que cobram transparência na investigação e proteção efetiva para a vítima. Especialistas em violência de gênero lembram que celebridades acusadas costumam enfrentar escrutínio intenso, mas que a maioria das mulheres agredidas no país permanece anônima, sem vídeos, sem provas tão visíveis e, muitas vezes, sem acesso à rede de proteção.

Carreira em risco e próximos passos da investigação

O inquérito em João Pessoa deve avançar com novas oitivas, pedidos de perícia nas imagens e análise de laudos médicos eventualmente apresentados por Raphaela. A partir do material reunido, o Ministério Público poderá denunciar o cantor por violência doméstica, com base na Lei Maria da Penha e em crimes como lesão corporal. A concessão das medidas protetivas, solicitadas neste sábado, depende de decisão judicial que costuma sair em prazo curto, frequentemente em até 48 horas.

Até o momento, João Lima e sua defesa não se manifestam publicamente sobre as acusações. A reportagem tenta contato com o cantor, sem sucesso, e mantém espaço aberto para posicionamento. A repercussão do caso já coloca em xeque contratos, agenda de shows e parcerias comerciais do artista, que pode enfrentar boicotes de público e de marcas. A investigação, ainda em andamento, tende a testar não só a eficácia da rede de proteção à vítima em João Pessoa, mas também a disposição do mercado e dos fãs em lidar com denúncias de violência contra mulheres no meio artístico.

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