João Fonseca enfrenta Berrettini nas oitavas de Monte Carlo
João Fonseca enfrenta o italiano Matteo Berrettini nesta quinta-feira (9), às 6h (de Brasília), pelas oitavas de final do ATP 500 de Monte Carlo. O duelo acontece na Curt des Princes, no Principado de Mônaco, e coloca frente a frente a maior promessa do tênis brasileiro e um finalista de Wimbledon.
Brasileiro estreia com autoridade e entra no radar
A campanha de Fonseca em Monte Carlo começa a mudar de patamar a percepção sobre o tênis brasileiro no circuito. Em sua primeira participação no torneio, o jovem supera a estreia com autoridade e se credencia a encarar um nome pesado do circuito. Na última segunda-feira (6), ele derrota o canadense Gabriel Diallo, número 36 do mundo, por 2 sets a 0, com parciais de 6/2 e 6/3, em pouco mais de uma hora de jogo.
O placar elástico na abertura não apenas garante vaga nas oitavas de final do saibro monegasco. O resultado reforça a ideia de que Fonseca já consegue competir em igualdade física e técnica com jogadores estabelecidos no top 50, algo raro para brasileiros em início de carreira. O desempenho sólido no primeiro saque, a agressividade na devolução e a maturidade nos pontos decisivos chamam atenção de treinadores e comentaristas locais.
Berrettini chega em alta após “bicicleta” sobre Medvedev
Do outro lado da rede, Fonseca encontra um adversário que vive um de seus dias mais marcantes no circuito. Aos 29 anos, Matteo Berrettini chega às oitavas depois de aplicar um duplo 6/0 em Daniil Medvedev, ex-número 1 do mundo. No jargão do tênis, o placar com dois sets a zero e nenhum game cedido é chamado de “bicicleta” e entra para a história recente do circuito pela raridade e pelo peso do rival batido.
Berrettini ocupa hoje a 90ª posição do ranking da ATP, bem distante do auge em 2022, quando aparece em sexto lugar. O currículo, porém, fala mais alto que a classificação atual. Em 2021, o italiano conquista seu primeiro ATP 500 e chega à final de Wimbledon, onde perde de virada para Novak Djokovic. O histórico no alto nível inclui ainda semifinal do US Open em 2019 e quartas de final em Roland Garros em 2021, prova de que ele se adapta bem a diferentes pisos.
O estilo do italiano é conhecido e respeitado. O saque é uma arma de definição rápida, capaz de encurtar games inteiros, enquanto o forehand, a direita forte, empurra o adversário para trás e abre espaço para bolas curtas ou subidas à rede. A vitória sobre Medvedev, sem oferecer um único game, recoloca Berrettini no centro das conversas do vestiário e aumenta o grau de dificuldade do desafio para o brasileiro.
Confronto de gerações e atenção redobrada ao Brasil
O encontro nas oitavas de Monte Carlo simboliza um choque de gerações. Fonseca, ainda em fase de afirmação, tenta transformar o bom momento em pontos no ranking e em vitrine global. Berrettini, veterano de grandes palcos, busca provar que continua competitivo depois de lesões e oscilações que o empurram para fora do top 50. Em comum, os dois exibem estilos agressivos, baseados em primeiro saque pesado e golpes de definição curta.
A presença de um brasileiro nas oitavas de um ATP 500 no saibro europeu resgata lembranças de momentos fortes do país na modalidade, ainda que em contextos distintos. Desde o auge de Gustavo Kuerten, no fim dos anos 1990 e início dos 2000, o tênis brasileiro alterna entre bons resultados pontuais e longos períodos sem protagonistas frequentes em grandes torneios. A campanha em Monte Carlo, ainda em construção, sugere nova tentativa de ocupar esse espaço.
O impacto é concreto. Um bom desempenho contra Berrettini, mesmo sem vitória, tende a render convites para chaves principais de outros torneios, inclusive ATP 250 e 500 em diferentes continentes. A exposição em um horário nobre da grade europeia, ainda que de manhã no Brasil, amplia o alcance de patrocinadores e reforça o interesse de canais de TV e plataformas de streaming em acompanhar a trajetória de Fonseca ao longo da temporada.
Berrettini, currículo pesado e laço com o Brasil
O adversário que se coloca no caminho do brasileiro carrega um passado recente de protagonista em Grand Slams. Em 2021, além da final de Wimbledon, Berrettini soma campanhas consistentes em quase todos os pisos, algo raro num circuito cada vez mais especializado. A sequência com semifinal no US Open e quartas em Roland Garros confirma a versatilidade. Mesmo agora, a partir da 90ª posição, ele entra em quadra com o peso de quem já esteve entre os seis melhores do planeta.
O italiano também constrói uma ponte afetiva com o público brasileiro. A avó, Lucia Fogaça, é brasileira, e esse vínculo já rende entrevistas bem-humoradas e cumprimentos em português nas redes sociais. Contra Fonseca, a torcida nas arquibancadas tende a se dividir entre a simpatia pelo atleta de origem brasileira e a curiosidade em acompanhar, de perto, o crescimento do novo nome do tênis nacional.
O que está em jogo para Fonseca e para o tênis brasileiro
As oitavas de final em Monte Carlo valem mais do que vaga nas quartas para Fonseca. Uma vitória sobre um finalista de Wimbledon com histórico em todos os Grand Slams projeta o brasileiro para uma faixa mais alta do ranking, abre portas para entradas diretas em chaves principais e reduz a dependência de convites. Em um circuito em que cada ponto influencia calendário, premiações e estrutura de trabalho, um resultado positivo nesta quinta-feira pode antecipar etapas de sua evolução.
Para Berrettini, manter a boa fase em Monte Carlo significa mostrar que o duplo 6/0 em Medvedev não é um ponto fora da curva. A sequência no torneio ajuda a recuperar pontos perdidos por lesões e ausência em grandes eventos, além de preservar seu status de ameaça constante nos grandes quadros. A partida também reforça sua conexão com o público brasileiro, que passa a acompanhá-lo não apenas pela origem familiar, mas pela influência direta no caminho de um conterrâneo em ascensão.
Próximos capítulos no saibro de Monte Carlo
Fonseca entra em quadra sabendo que um jogo agressivo, mas calculado, é necessário para resistir ao saque e à direita de Berrettini. O serviço precisa funcionar com alta porcentagem de primeiros saques, e a devolução tem de ser profunda para evitar que o italiano mande nos pontos desde o início. O duelo de estilos agressivos promete partidas curtas, com poucos ralis longos e muitos pontos definidos em três ou quatro golpes.
O resultado desta quinta-feira indica até onde Fonseca consegue ir no saibro europeu em 2026 e qual será seu patamar no restante da temporada. Uma vitória projeta o brasileiro para um novo degrau de exigência e expectativa. Uma derrota competitiva mantém o discurso de evolução gradual e não diminui o impacto de sua primeira campanha em Monte Carlo. A resposta vem na Curt des Princes, em um início de manhã que pode mudar o roteiro do tênis brasileiro no circuito global.
