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Joanna de Assis aponta gestão como pivô de crise no Botafogo

A jornalista Joanna de Assis afirma, nesta quarta-feira (11), que a gestão do Botafogo é o principal fator do delicado início de temporada alvinegra. Em participação no SporTV News e em declarações à imprensa, ela associa o momento à eliminação na pré-Libertadores e a uma sucessão de falhas administrativas. Para Joanna, os problemas extracampo corroem o vestiário e explicam por que o time rende menos do que se espera.

Transfer ban, atrasos e um vestiário em ebulição

O alerta de Joanna vem no dia 11 de março de 2026, poucas semanas depois da queda na fase preliminar da Libertadores, ainda em fevereiro. O Botafogo tenta reagir em campo, mas convive com um histórico recente de transfer ban, atrasos em salários e pendências de FGTS que, na avaliação da jornalista, ajudam a desenhar o cenário atual. Não se trata, para ela, de um tropeço isolado, e sim de um clube que colhe o que planta fora das quatro linhas.

Joanna lembra que o transfer ban imposto ao Botafogo permanece ativo de outubro de 2025 até fevereiro de 2026, período crucial de montagem do elenco. O clube até se movimenta na janela, anuncia reforços e apresenta o meia-atacante Medina como grande contratação para a temporada. Na prática, porém, Martín Anselmi inicia o ano sem poder contar com boa parte dos novos nomes. “Todos os reforços que o Botafogo trouxe, inclusive o Medina, que é a principal contratação, não estavam disponíveis para o Martín Anselmi”, aponta.

Na análise dela, a demora para resolver a punição da Fifa vai além de um detalhe burocrático. Funciona como sintoma de gestão falha, que não antecipa problemas nem protege o treinador. “Aí é uma grave falha, outra vez, de planejamento”, diz Joanna. “O transfer ban do Botafogo ficou ativo de outubro até fevereiro. Por mais que o Botafogo tenha trabalhado na janela para trazer reforços, muitos não puderam ser inscritos.” O resultado é um técnico obrigado a disputar jogos decisivos com menos opções do que o prometido.

O estrago não se limita à questão de elenco. A comentarista lembra que o ambiente financeiro também pesa no humor do grupo. Ela cita atrasos de salários e de depósitos de FGTS, problemas que se arrastam e alimentam a desconfiança. “A gente viu de novo, eu sei que o Botafogo não é o único, sei que outros clubes passam por isso”, afirma. “Mas atraso de salário, atraso de FGTS, tudo isso vai minando o ambiente, vai atrapalhando.” A comparação com outros times, como o São Paulo, surge para mostrar que a prática é recorrente no futebol brasileiro, mas, no caso alvinegro, se soma a uma sequência de decisões mal conduzidas.

Jogadores em desabafo e recado para John Textor

Os reflexos desse contexto aparecem na câmera de televisão, logo após a eliminação. As entrevistas em campo de Alex Telles e Barboza chamam a atenção pela sinceridade e pela tensão contida. Para Joanna, as falas dos defensores vão além de frustração pela derrota e se aproximam de um alerta público ao comando do clube. “A entrevista do Alex Telles e do Barboza em campo, para mim, foi um pedido de socorro”, resume. Ela descreve atletas no limite, escolhendo palavras, mas sem esconder o incômodo com o entorno.

Alex Telles, contratado para ser referência técnica e de liderança, aponta que não é possível culpar apenas o elenco pela queda precoce. “Ele fala até de uma forma mais explícita, ‘olha, não dá para culpar só os jogadores. Um clube é formado de mais gente’”, relata Joanna. No entendimento da jornalista, a frase tem endereço certo. “Para mim, um recado explícito aí, para John Textor e para a administração”, afirma, citando o acionista majoritário da SAF alvinegra.

Barboza, zagueiro com longa passagem por General Severiano, adota tom mais contido, mas deixa transparecer desgaste acumulado. Ele admite que não pode dizer tudo o que pensa naquele momento, ainda à beira do gramado. “O Barboza se controla um pouco mais, mas ele também falou: ‘olha, é melhor eu não falar o que eu estou pensando agora’”, lembra Joanna. “‘Deixa eu me segurar aqui um pouquinho, não posso falar o que eu estou pensando’.” Para a comentarista, o silêncio parcial fala tanto quanto qualquer crítica aberta.

Os bastidores financeiros ajudam a explicar por que essas vozes ganham força agora. A própria renovação de contrato de Barboza, discutida nos últimos meses, emperra em meio à falta de garantias. O defensor, que convive com a rotina do clube há anos, exige sinais claros de estabilidade. “Atrapalha renovações, atrapalhou a renovação do Barboza, porque ele deixou claro que a renovação, para dar certo, ele tinha que sentir um pouco mais de confiança”, conta Joanna. Em um mercado em que zagueiros valorizados recebem propostas constantes, a hesitação do jogador funciona como termômetro da credibilidade interna.

A combinação de punições esportivas, pendências financeiras e desgaste no vestiário forma, na visão de Joanna, um círculo vicioso. A equipe é eliminada ainda na pré-Libertadores, caminho que poderia render ao menos US$ 3 milhões em premiação se chegasse à fase de grupos, considerando os valores recentes praticados pela Conmebol. Sem essa receita, a pressão sobre o caixa aumenta, e a necessidade de vender atletas ou cortar despesas volta à mesa.

Pressão por mudanças e incerteza para a temporada

O diagnóstico público de uma jornalista reconhecida amplia a pressão sobre a diretoria e sobre John Textor. Torcedores organizados cobram respostas, enquanto conselheiros e antigos dirigentes voltam a criticar a centralização de decisões na SAF. A exposição em rede nacional transforma o que era debate restrito a bastidores em tema de discussão diária nas redes sociais, nos programas esportivos e nas arquibancadas do Nilton Santos.

No curto prazo, o Botafogo tenta reorganizar o planejamento para o restante de 2026, com foco no Campeonato Brasileiro e na Copa do Brasil. A regularização de inscrições após o fim do transfer ban libera a utilização de reforços ainda neste primeiro semestre. A dúvida, porém, recai sobre o efeito acumulado das crises recentes. Jogadores abalados, possível saída de peças importantes e a dificuldade para atrair novos nomes pesam no cálculo de qualquer treinador que sente o clima instável.

A médio prazo, a gestão alvinegra precisa estancar atrasos salariais, quitar débitos trabalhistas e reconstruir a relação de confiança com o elenco. Negociações de renovação, como a de Barboza, tendem a se arrastar se o clube não apresentar um plano claro de correção de rota, com prazos e compromissos públicos. Cada dia de incerteza alimenta o risco de perder jogadores sem a compensação financeira ideal ou de ver atletas recorrerem à Justiça para rescindir contratos.

O futuro imediato do Botafogo passa por escolhas administrativas tão importantes quanto uma contratação de impacto. Joanna de Assis coloca o holofote sobre essa encruzilhada ao dizer que o desempenho em campo é apenas a última camada de um problema mais profundo. Resta saber se a crítica, ecoada em 11 de março, será o ponto de virada para uma gestão mais transparente e eficiente ou apenas mais um alerta ignorado em uma década marcada por promessas e frustrações no futebol brasileiro.

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