Japonês Katsuki vence estreia da maratona de marcha no DF
O japonês Hayato Katsuki vence neste domingo (12/4), na Esplanada dos Ministérios, a primeira maratona de 42,195 km da marcha atlética em Mundiais por equipes. Aos 35 anos, ele cruza a linha de chegada em 3h04min58s e confirma o favoritismo na prova que inaugura uma nova era para a modalidade.
Maratona inaugura novo ciclo da marcha atlética
A Esplanada dos Ministérios amanhece tomada por cones, árbitros e torcedores curiosos. No asfalto, a marcha atlética testa um formato inédito: a distância clássica da maratona, 42,195 km, entra de vez no calendário internacional. A mudança faz parte da reformulação da modalidade neste ciclo até os Jogos Olímpicos de Los Angeles-2028, que troca as tradicionais provas de 20 km e 35 km por meia-maratona e maratona em busca de mais visibilidade e sintonia com as corridas de rua.
Katsuki, campeão asiático dos 50 km em 2018 e bronze mundial dos 35 km em 2025, chega ao Distrito Federal como um dos principais nomes do ranking. Nascido em 28 de novembro de 1990, ele ocupa a vice-liderança mundial nos 35 km, atrás apenas do canadense Evan Dunfee. O currículo pesa quando o relógio dispara, mas o japonês transforma expectativa em controle de ritmo, resistência e leitura precisa de adversários ao longo das mais de três horas de esforço.
Aos poucos, o grupo da frente se desfaz. O equatoriano David Hurtado tenta acompanhar o ritmo, assim como o compatriota de Katsuki, Kazuya Iwai. A maratona de marcha cobra um tipo diferente de estratégia: é preciso equilibrar velocidade, técnica rigorosa e resistência em uma prova que não admite erros de postura, sob pena de desclassificação. Nessa equação, Katsuki se mantém firme, administra as passagens de quilômetro e abre vantagem decisiva na parte final do percurso.
Hurtado cruza a linha de chegada em 3h05min57s e fica com a segunda colocação. Iwai completa o pódio com 3h06min03s, em mais uma demonstração da força japonesa na modalidade. Na soma das posições, o Japão também leva o título por equipes, com 13 pontos, à frente de Itália e Espanha. O resultado confirma o país como referência em um cenário que se redesenha em ritmo acelerado.
Modalidade muda de distância e busca novo público
A estreia da maratona de marcha no Mundial por equipes marca ruptura com quase um século de tradição. Entre os Jogos de Los Angeles-1932 e Tóquio-2020, a prova mais longa da marcha em Olimpíadas é a de 50 km. A distância desaparece do programa olímpico e abre espaço para um modelo mais próximo do universo das corridas de rua, com meia-maratona (21,1 km) e maratona (42,195 km). A intenção é clara: modernizar a imagem do esporte, facilitar o entendimento do público e tornar o produto mais atrativo para televisão, patrocinadores e plataformas digitais.
A nova configuração obriga atletas e federações a reverem planejamento, cargas de treino e até o perfil físico desejado. Especialistas apontam que a maratona de marcha tende a premiar competidores com histórico em provas longas, como os antigos 50 km, mas com capacidade de manter técnica limpa em alta intensidade. Katsuki simboliza essa transição: ele carrega títulos nos 50 km e consolida resultados consistentes nos 35 km, agora convertidos em desempenho sólido na distância de 42,195 km.
O impacto chega também ao Brasil. O país coloca cinco atletas na maratona masculina: Diego Pereira Lima (CASO-DF), Edson Érico Alves de Aguiar (Praia Clube-CEMIG-Exército-Futel-MG), Klaubert Emanoel Ferreira de França (CASO-DF), Paulo Henrique Ribeiro (Associação de Atletismo de Blumenau-SC) e Rudney Dias Nogueira (Praia Clube-CEMIG-Exército-Futel-MG). A presença numerosa não resulta em pódio, mas indica continuidade de investimento em uma modalidade que ainda luta por espaço fora do circuito de especialistas.
Dirigentes admitem, nos bastidores, que a troca de distâncias ajuda a “vender” melhor o esporte. Falar em meia-maratona e maratona aproxima a marcha do corredor amador, que já reconhece essas métricas nas grandes provas de rua. Para quem acompanha de casa, o formato facilita o entendimento das parciais e das marcas alcançadas. Para quem organiza, abre margem para integrar eventos em conjunto com corridas tradicionais, dividindo estrutura e público.
Olho em Los Angeles-2028 e na consolidação do formato
A vitória de Katsuki em Brasília não vale apenas uma medalha e um título por equipes para o Japão. O desempenho fortalece o país na largada de um ciclo que culmina em Los Angeles-2028. A Confederação Japonesa de Atletismo ganha argumento para manter investimentos na marcha, enquanto rivais observam atentamente os tempos registrados na Esplanada. Em provas de fundo, quatro minutos separam o campeão olímpico do atleta fora da final. Cada segundo da estreia da maratona ajuda a desenhar o que será necessário para brigar por medalhas no futuro.
A reformulação tende a atrair novos atletas, sobretudo em países com tradição em corridas de rua, mas pouca estrutura específica para a marcha. A possibilidade de compartilhar treinos, técnicos e até calendários com maratonistas pode reduzir custos e ampliar o número de competidores. Ao mesmo tempo, o aumento das distâncias eleva a exigência física e pode afastar quem vinha das provas mais curtas de 20 km, criando um filtro natural na base.
No Brasil, a presença de cinco nomes na largada, em casa, funciona como vitrine para federações estaduais e clubes que ainda tratam a marcha como nicho. Resultados modestos neste início de ciclo podem abrir espaço para ajustes em programas de formação, bolsas e centros de treinamento. O Mundial por equipes, realizado em um dos cartões-postais de Brasília, também testa a capacidade do país de receber grandes eventos da modalidade às vésperas de um novo formato olímpico.
A maratona de marcha estreia sob sol forte, câmeras ligadas e um campeão que incorpora a transição entre eras. A modalidade ainda busca respostas sobre calendário, público e modelo de transmissão. A linha de chegada em Brasília, porém, aponta uma direção nítida: a marcha atlética entra nos próximos anos pressionada a se reinventar, e performances como a de Hayato Katsuki ajudam a definir se essa estratégia será capaz de sustentá-la até Los Angeles-2028 e além.
