Israel lança nova ofensiva contra Hezbollah e amplia bombardeios em Beirute
O Exército de Israel lança, nesta quarta-feira (11), uma nova ofensiva contra o grupo Hezbollah no Líbano. Os ataques aéreos se concentram nos subúrbios ao sul de Beirute e atingem também áreas centrais da capital.
Bombardeios saem da periferia e alcançam o centro da capital
Os jatos israelenses sobrevoam Beirute durante todo o dia e intensificam o bombardeio em bairros controlados pelo Hezbollah, ao sul da cidade. Nas primeiras horas da manhã, um míssil atinge um prédio de apartamentos no centro, segundo autoridades libanesas, e leva o conflito para uma região até então preservada dos ataques diretos.
Equipes de resgate trabalham entre escombros em ruas estreitas, enquanto sirenes se repetem a cada nova explosão. Moradores deixam às pressas edifícios vizinhos, carregando documentos, sacolas improvisadas e crianças no colo. A ofensiva marca mais um passo na escalada iniciada depois que o Hezbollah abre fogo, em 2 de março, em resposta à morte do líder supremo do Irã no começo da guerra entre Estados Unidos e Israel contra Teerã.
O governo libanês acusa Israel de ampliar deliberadamente o alvo dos bombardeios para além de infraestruturas militares do grupo. Autoridades de segurança afirmam que, apenas nas últimas semanas, mais de 600 pessoas morrem no Líbano em ataques israelenses e cerca de 800 mil deixam suas casas em direção ao interior do país ou a fronteiras já pressionadas por outras crises.
Escalada regional e ameaça de choque no preço do petróleo
Os confrontos entre Israel e Hezbollah se alimentam de uma rede de alianças que atravessa o Oriente Médio. O grupo xiita atua como principal braço armado do Irã na fronteira norte de Israel e serve de indicador da disposição de Teerã em projetar força na região. A nova ofensiva ocorre enquanto o Irã demonstra que ainda consegue atingir alvos militares e econômicos, apesar da pressão norte-americana.
Nesta quarta, o comando militar iraniano confirma novos ataques contra três navios mercantes no Golfo Pérsico e volta a mirar o coração do sistema energético global. Em pronunciamento transmitido por canais estatais, o porta-voz Ebrahim Zolfaqari faz um alerta direto a Washington. “Prepare-se para que o petróleo chegue a US$ 200 o barril porque o preço do petróleo depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, afirma.
Os disparos de Teerã contra Israel e contra alvos em outros pontos do Oriente Médio funcionam como recado de que o país ainda tem capacidade de interromper o fluxo de energia. O Pentágono descreve os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã como os mais intensos desde o início da guerra, há quase duas semanas. Mesmo assim, os iranianos mantêm o foco no Estreito de Ormuz, corredor estratégico por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
Os mercados reagem em tempo real a cada novo movimento militar. Depois de uma disparada no início da semana, o preço do barril recua temporariamente, e as bolsas se recuperam. Investidores apostam que o presidente americano, Donald Trump, encontra uma saída rápida para o conflito que ele próprio inicia, ao lado de Israel. Essa leitura, porém, convive com o temor de um choque de oferta de energia comparável ao dos anos 1970.
Cenário humanitário em colapso e incerteza sobre cessar-fogo
No Líbano, a conta imediata da ofensiva se traduz em filas em postos de gasolina, falta de medicamentos e escolas fechadas em regiões sob risco de bombardeio. Famílias que deixam os subúrbios ao sul de Beirute se espalham por casas de parentes e abrigos improvisados, enquanto agências internacionais alertam para a dificuldade de levar ajuda a áreas mais atingidas.
A expansão dos ataques para o centro da capital aumenta a sensação de que nenhum bairro está a salvo. Organizações locais temem que a destruição de prédios residenciais e comércios se torne rotina, como ocorreu em outras ofensivas israelenses no Líbano nas últimas décadas. A infraestrutura do país, já fragilizada por crises econômicas e políticas sucessivas, enfrenta agora danos em estradas, redes elétricas e serviços básicos.
A comunidade internacional acompanha o avanço da escalada com preocupação, mas sem sinais concretos de mediação eficaz. Não há anúncio de trégua em terra, nem garantia de que navios possam atravessar o Estreito de Ormuz sem risco. O impasse alimenta o medo de um conflito mais amplo, capaz de envolver diretamente outros aliados do Irã e de Israel e de provocar novas ondas migratórias rumo à Europa.
Diplomatas em capitais ocidentais avaliam que os próximos dias serão decisivos para definir se a ofensiva de Israel contra o Hezbollah se limita ao atual teatro de operações ou se se transforma em uma guerra regional de longo fôlego. Enquanto janelas estilhaçadas se acumulam no centro de Beirute e navios aguardam instruções antes de cruzar rotas vitais de energia, a pergunta que se impõe é por quanto tempo o mundo tolera esse nível de risco sem uma saída negociada.
