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Israel ataca refinaria em Teerã e faz petróleo passar de US$ 90

Israel lança na noite de 7 de março de 2026 uma série de ataques contra depósitos e refinarias de petróleo na região de Teerã, capital do Irã. As explosões atingem a infraestrutura que sustenta as exportações e o abastecimento interno de combustível iraniano e incendiem um dos principais complexos de processamento do país.

Ataques coordenados à infraestrutura energética iraniana

O alvo central da operação é a Refinaria de Shahr-e Rey, ao sul de Teerã, e tanques de armazenamento de petróleo bruto espalhados pela capital. Imagens analisadas por agências internacionais, como Reuters e CNN, mostram o complexo envolto em chamas após uma sequência de explosões que compromete uma das principais unidades de produção de combustíveis do Irã. Depósitos atacados agora já haviam sido atingidos por Israel em junho de 2025, durante a chamada Guerra dos Doze Dias, o que reforça a estratégia de insistir sobre pontos sensíveis da rede energética iraniana.

As incursões desta noite marcam uma inflexão em relação aos dias anteriores, quando as operações israelenses se concentram principalmente em alvos militares. Desta vez, o foco recai sobre a espinha dorsal da economia iraniana: o petróleo. A ofensiva mira, de forma explícita, a capacidade de exportação e o suprimento doméstico de energia, num momento em que o conflito no Oriente Médio já pressiona mercados e governos. Fontes locais relatam incêndios de grandes proporções e colunas de fumaça visíveis a quilômetros de distância da capital.

Mercados disparam e pressão recai sobre consumidores

Os efeitos dos ataques chegam às bolsas de commodities antes mesmo do fim da noite em Teerã. Na sexta-feira, 6 de março, em meio aos sinais de escalada, o barril do Brent já ultrapassa a marca dos US$ 90 e atinge o maior valor em quase dois anos. Operadores temem que as rotas marítimas do Golfo Pérsico, por onde escoam milhões de barris por dia, tornem-se o próximo alvo em uma guerra de infraestrutura. Analistas ouvidos por mercados internacionais alertam que a repetição de ataques a instalações estratégicas pode levar o preço do petróleo a patamares não vistos em muitos anos.

O impacto deixa o campo diplomático e entra no bolso de motoristas e empresas. Nos Estados Unidos, o preço da gasolina nas bombas sobe cerca de 14% em poucos dias, segundo dados de redes de postos. A alta reacende o temor de uma nova rodada de pressão inflacionária e obriga o governo Donald Trump a buscar medidas de contenção. Autoridades em Washington avaliam o uso de reservas estratégicas e discutem com aliados saídas para evitar que a crise energética se transforme em crise política às vésperas de decisões importantes sobre o rumo da política externa americana para o Oriente Médio.

Escalada entre Israel e Irã e risco à segurança energética global

A ofensiva desta semana não ocorre no vácuo. Na quinta-feira, 5 de março, o chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, tenente-general Eyal Zamir, já adianta uma mudança de fase da operação militar. “Nesta fase, vamos desmantelar ainda mais o regime e suas capacidades militares. Temos outras surpresas pela frente, que não pretendo revelar”, afirma em declaração em vídeo. A escolha de alvos como refinarias e depósitos de petróleo indica que a estratégia agora combina pressão militar com desgaste econômico prolongado.

Teerã reage com discurso de retaliação. No sábado, 7 de março, a Guarda Revolucionária afirma ter lançado um ataque contra a refinaria de petróleo israelense de Haifa, na costa norte de Israel. Sirenes de alerta aéreo soam na região, mas autoridades israelenses não confirmam danos a instalações estratégicas. O episódio, ainda em verificação, amplia o temor de uma troca direta e continuada de ataques a infraestruturas críticas nos dois países, com potencial de arrastar outros atores regionais e afetar, em cadeia, a segurança do abastecimento global.

O que pode vir a seguir no tabuleiro do petróleo

Empresas de energia, armadores e seguradoras monitoram cada novo movimento no Golfo Pérsico. Qualquer sinal de que terminais de exportação, estreitos marítimos ou navios petroleiros entram na mira tende a encarecer fretes e seguros, o que se soma à alta do barril e chega rapidamente ao preço final do combustível e da energia elétrica em diversos países. Economias altamente dependentes de importações de petróleo, especialmente na Europa e na Ásia, estudam reforçar estoques e acelerar planos de diversificação de fornecedores.

Governos e organismos multilaterais discutem, em paralelo, formas de conter a escalada sem dar sinais de fraqueza a nenhum dos lados. Qualquer tentativa de mediação precisa levar em conta que o petróleo volta a ser arma central no conflito, com impactos que extravasam as fronteiras regionais. A noite de 7 de março expõe, mais uma vez, a fragilidade de uma economia mundial ainda fortemente ancorada em combustíveis fósseis e deixa em aberto uma questão crucial: até onde Israel e Irã estão dispostos a avançar sobre a infraestrutura energética um do outro antes que a pressão internacional se torne irresistível?

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