Israel anuncia ampliação de ataques contra alvos estratégicos no Irã
Israel decide intensificar e expandir as operações militares contra alvos estratégicos no interior do Irã, anunciou nesta sexta-feira (27) o ministro Israel Katz. A nova fase da campanha mira líderes de alto escalão e estruturas consideradas vitais para a capacidade militar do regime iraniano.
Escalada após ataques de mísseis
O anúncio ocorre após quase quatro semanas de ataques diários israelenses em território iraniano, em resposta a lançamentos de mísseis do Irã contra áreas civis em Israel. Katz afirma que a decisão vem depois de alertas ignorados por Teerã, que, segundo ele, mantém a ofensiva contra centros urbanos israelenses.
Em vídeo gravado e divulgado nas redes sociais, o ministro afirma que o governo tentou conter a escalada antes de ampliar o uso da força. “O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e eu alertamos o regime terrorista iraniano para que parasse de lançar mísseis contra a população civil em Israel. Apesar dos avisos, os ataques continuaram e, portanto, as operações das Forças de Defesa de Israel (IDF) no Irã irão se intensificar e se expandir para novos alvos e áreas que auxiliam o regime na construção e operação de armas contra civis israelenses”, diz.
O ministro não apresenta detalhes sobre o tipo de armamento empregado, as regiões específicas do país que passam a entrar na mira ou o número de soldados envolvidos. A ausência de informações alimenta especulações em capitais ocidentais e reforça a percepção de que o conflito entra em uma fase mais prolongada e imprevisível.
Os ataques, conduzidos pelas Forças de Defesa de Israel, contam com apoio operacional dos Estados Unidos, segundo autoridades israelenses. Isso inclui compartilhamento de inteligência, coordenação de alvos e reforço logístico, embora Washington evite descrever publicamente o grau de envolvimento em cada operação.
Alvos estratégicos e custo humano crescente
As forças israelenses concentram os bombardeios em instalações associadas à Guarda Revolucionária do Irã, braço mais poderoso das Forças Armadas iranianas. A ofensiva mira centros de comando, arsenais de mísseis e infraestruturas ligadas ao desenvolvimento de armas consideradas estratégicas por Teerã. “Continuaremos a caçar os líderes e comandantes do regime terrorista e a destruir suas capacidades estratégicas”, afirma Katz, ao justificar o foco em figuras de alto escalão.
Na quinta-feira (26), o Exército israelense anuncia a morte do comandante da Marinha da Guarda Revolucionária, em ataque a uma instalação militar no litoral iraniano. O governo de Teerã confirma a morte, classifica a ação como “agressão” e promete responder “no tempo e lugar apropriados”. A eliminação de um oficial desse nível expõe a vulnerabilidade da cadeia de comando iraniana e eleva o custo político interno para o regime.
Desde o início da guerra, mais de 1.900 pessoas morrem no Irã em decorrência dos ataques, de acordo com números divulgados pela Cruz Vermelha. A entidade relata hospitais sobrecarregados, falta de insumos médicos em algumas regiões e fluxo crescente de deslocados internos que deixam áreas alvo de bombardeios diários. Organizações humanitárias pressionam por corredores de ajuda e por pausas temporárias nas operações, pedido que encontra resistência em Israel, que insiste em manter a pressão militar contínua.
A escalada reacende memórias de crises anteriores envolvendo Irã e Israel, mas difere de episódios passados pela intensidade e pela frequência dos ataques no interior do território iraniano. Em conflitos anteriores, a maior parte das ações permanecia restrita a ataques pontuais, sabotagens e operações clandestinas. A atual campanha, declarada e diária, expõe mais diretamente a disputa entre os dois países e arrasta potências internacionais para o centro da crise.
Impacto regional e pressão internacional
O avanço dos bombardeios preocupa governos da região, que temem o alastramento do conflito para países vizinhos e rotas estratégicas de energia. O Golfo Pérsico concentra parte decisiva da produção e do escoamento de petróleo para mercados da Ásia e da Europa, o que torna cada novo ataque motivo de alerta em bolsas internacionais e agências de risco. Investidores monitoram a possibilidade de interrupções em terminais portuários e oleodutos, fatores capazes de pressionar o preço do barril em poucas horas.
Diplomatas em Nova York relatam aumento de consultas de emergência no Conselho de Segurança da ONU, que volta a discutir a situação no Oriente Médio sob forte divisão entre membros. O Irã cobra uma condenação formal às operações israelenses e menciona ataques recentes contra escolas e hospitais como exemplos de violações ao direito internacional. Israel, por sua vez, argumenta que responde a mísseis lançados deliberadamente contra civis e que tenta, sempre que possível, minimizar danos colaterais.
Os Estados Unidos defendem o direito israelense de se proteger, mas enfrentam pressão crescente de aliados europeus por uma estratégia que reduza o risco de escalada descontrolada. Governos da União Europeia pedem cessar-fogo imediato ou, ao menos, uma “descompressão gradual” dos ataques mais intensos. Em público, porém, evitam confrontar diretamente Israel, parceiro central em matéria de segurança e tecnologia militar.
No Irã, o prolongamento da campanha aérea agrava a ansiedade da população, que vive com sirenes constantes, falta de energia em algumas áreas e interrupções intermitentes em serviços básicos. Autoridades locais restringem a circulação durante a noite em cidades próximas a alvos militares e intensificam o uso de abrigos subterrâneos. O cenário alimenta o temor de que o país caminhe para uma economia de guerra mais profunda, com impacto duradouro sobre emprego, inflação e oferta de bens essenciais.
Próximos passos e incertezas
O anúncio de Katz abre caminho para uma campanha mais ampla, que pode incluir novos tipos de alvos e operações em regiões até agora preservadas. Analistas de defesa avaliam que Israel busca degradar, em poucas semanas, a capacidade iraniana de produzir e lançar mísseis de médio e longo alcance. O cálculo é que uma ofensiva concentrada reduza a margem de manobra militar de Teerã e, ao mesmo tempo, pressione a liderança iraniana à mesa de negociações.
Diplomaticamente, a intensificação das operações deve manter o conflito no topo da agenda internacional, com sucessivas reuniões emergenciais em fóruns multilaterais. Organizações humanitárias pedem uma investigação independente sobre as mortes civis no Irã e alertam para o risco de colapso de serviços básicos em províncias mais atingidas. A cada novo bombardeio, cresce a dúvida sobre até onde Israel está disposto a ir, em que momento o Irã decidirá responder de forma mais direta e se a comunidade internacional terá força política para conter a escalada antes que se transforme em uma guerra aberta de dimensões imprevisíveis.
