Irmão de Djidja deixa regime fechado após reduzir pena com estudo e trabalho na prisão
Condenado a 10 anos e 11 meses por tráfico de drogas e associação para o tráfico, Ademar Cardoso teve 364 dias de pena abatidos. Justiça autorizou o regime semiaberto com tornozeleira eletrônica.

Ademar Farias Cardoso Neto, irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido Djidja Cardoso, teve autorizada pela Justiça do Amazonas a progressão do regime fechado para o semiaberto. A decisão foi assinada nesta sexta-feira (23) pela juíza Sabrina Cumba Ferreira. Condenado a 10 anos e 11 meses de prisão por tráfico de drogas e associação para o tráfico, ele poderá deixar o presídio, mas deverá usar tornozeleira eletrônica e cumprir restrições.
A progressão foi antecipada após a Justiça reconhecer o abatimento de 364 dias da pena, resultado de atividades de trabalho, leitura e estudo realizadas durante o período de prisão. Entre os fatores considerados está a aprovação de Ademar no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2025.
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Inicialmente, o cálculo da execução penal indicava que ele poderia passar ao semiaberto apenas em outubro de 2027. Com o reconhecimento dos dias de remição e o cumprimento dos demais requisitos legais, a data foi antecipada para outubro de 2026. Segundo a defesa, a saída da unidade prisional está prevista para as 10h de sábado (24).
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O benefício foi concedido após a análise do tempo de pena cumprido, do comportamento de Ademar no sistema prisional e de sua participação em atividades que permitem a remição da pena, mecanismo previsto na Lei de Execução Penal.
Durante o período de detenção, Ademar participou de atividades de trabalho, leitura e estudo. A aprovação no Enem 2025 também foi considerada na análise de sua trajetória educacional.
Com o reconhecimento de 364 dias de remição, o prazo para a progressão de regime foi antecipado em aproximadamente um ano.
A decisão também considerou um exame criminológico realizado por uma comissão multiprofissional. Segundo o documento citado no processo, Ademar demonstrou condições de autocontrole, discernimento e aptidão para o retorno gradual ao convívio social.
O Ministério Público do Amazonas apresentou parecer favorável à progressão.
Ademar terá tornozeleira eletrônica e restrições de horário
A decisão judicial determina a expedição do alvará de soltura e o encaminhamento de Ademar à unidade responsável pelo cadastro e instalação da tornozeleira eletrônica.
Mesmo fora do presídio, ele continuará cumprindo pena e deverá obedecer às condições estabelecidas pela Justiça.
Entre as principais determinações estão:
- Recolhimento noturno: permanecer em casa das 22h às 6h nos dias úteis, respeitadas as autorizações judiciais para atividades permitidas;
- Fins de semana e feriados: permanecer integralmente na residência;
- Deslocamentos: não deixar Manaus sem autorização prévia da Justiça;
- Mudança de endereço: comunicar e obter a autorização judicial necessária;
- Proibição de álcool e drogas: não consumir bebidas alcoólicas nem utilizar substâncias ilícitas;
- Armas: não portar armas de qualquer tipo.
O descumprimento das condições poderá provocar consequências na execução penal, incluindo a reavaliação do benefício.
Família prepara recepção em salão de beleza de Manaus
De acordo com a defesa, Ademar deverá deixar o sistema prisional na manhã de sábado (24), após a realização dos procedimentos necessários para o monitoramento eletrônico.
Familiares e amigos organizam uma recepção no salão de beleza Belle Femme, no bairro Parque Dez de Novembro, em Manaus.
O estabelecimento integra a rede de salões administrada pela família Cardoso e também foi mencionado nas investigações relacionadas ao comércio ilegal de cetamina.
Até a divulgação da decisão, a saída de Ademar ainda estava prevista, não havendo confirmação de que ele já tivesse deixado o presídio.
Mãe de Djidja também passou para o regime semiaberto
A progressão de Ademar ocorre menos de um mês depois de sua mãe, Cleusimar Cardoso Rodrigues, receber autorização judicial para deixar o regime fechado.
Cleusimar teve a progressão concedida em 28 de setembro de 2026, também por decisão da juíza Sabrina Cumba Ferreira.
Condenada a 10 anos e 11 meses de prisão no processo relacionado ao tráfico de cetamina, ela passou a cumprir pena no regime semiaberto, com tornozeleira eletrônica e restrições de circulação.
A decisão anterior também estabeleceu recolhimento domiciliar noturno, permanência em casa nos fins de semana e outras obrigações judiciais.
Com a nova decisão, mãe e filho passam a ter autorização para cumprir suas penas fora do regime fechado, desde que respeitem as condições impostas individualmente pela Justiça.
Relembre a condenação no caso Djidja Cardoso
Ademar foi condenado em julho de 2026, juntamente com outras seis pessoas, em um processo relacionado à Operação Mandrágora, que investigou o tráfico de cetamina em Manaus.
Além dele e de Cleusimar, foram condenados José Máximo Silva de Oliveira, Hatus Moraes Silveira, Verônica da Costa Seixas, Sávio Soares Pereira e Bruno Roberto da Silva Lima.
As penas variaram de oito anos e seis meses a 10 anos e 11 meses de prisão.
Segundo a sentença, o grupo utilizava estruturas ligadas à rede de salões Belle Femme e ao movimento religioso denominado “Pai, Mãe, Vida” para distribuir e aplicar cetamina.
A investigação apontou que a substância era obtida ilegalmente e utilizada em práticas realizadas pelos integrantes do grupo.
Outros três acusados foram absolvidos por insuficiência de provas.
Por que houve uma nova sentença em 2026?
O processo já havia resultado em condenações anteriores, mas a sentença foi anulada em 2025 após a Justiça reconhecer problemas relacionados ao acesso da defesa a provas periciais.
Com a regularização dessa etapa processual, houve uma nova análise judicial.
Em julho de 2026, a Justiça voltou a condenar sete réus por crimes relacionados ao tráfico de drogas e à associação para o tráfico.
A progressão de regime concedida a Ademar nesta sexta-feira não altera, por si só, a condenação. Trata-se de uma decisão referente à forma de cumprimento da pena.
O que aconteceu com Djidja Cardoso?
Djidja Cardoso foi encontrada morta em 28 de maio de 2024, dentro da residência da família, em Manaus.
Ela era empresária e ficou conhecida por interpretar a sinhazinha do Boi Garantido durante cinco anos no Festival de Parintins.
Durante a investigação de sua morte, policiais encontraram frascos de cetamina enterrados no quintal da residência, além de seringas, embalagens e outros materiais relacionados ao uso de medicamentos.
A possibilidade de overdose de cetamina foi uma das principais linhas investigativas.
O laudo preliminar citado na investigação apontou edema cerebral com comprometimento das funções cardíaca e respiratória, mas não estabeleceu, naquele documento, a causa do edema.
A morte da ex-sinhazinha e as investigações posteriores deram origem a um dos casos policiais de maior repercussão no Amazonas nos últimos anos.
Agora, a autorização para que Ademar cumpra a pena em regime semiaberto representa um novo desdobramento judicial do caso.


