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Irã redesenha estrutura militar em resposta à maior mobilização dos EUA desde 2003

Irã e Estados Unidos aceleram, em fevereiro de 2026, a preparação para um possível confronto direto no Oriente Médio. Em resposta ao maior destacamento militar americano na região desde 2003, Teerã redesenha sua estrutura de poder e suas estratégias de defesa para garantir a sobrevivência do regime.

Reorganização silenciosa em Teerã

O movimento começa discretamente, ainda em 2025, com mudanças no alto comando da Guarda Revolucionária e na articulação com milícias aliadas em países vizinhos. Em poucos meses, ganha corpo uma reformulação ampla das bases de poder, que hoje alcança o Conselho de Segurança Nacional, os serviços de inteligência e a cadeia de comando responsável pelos mísseis de longo alcance.

Autoridades iranianas descrevem a nova fase como uma “economia de guerra permanente”, focada em sobrevivência do regime e dissuasão contra ataques externos. A meta declarada, segundo um assessor ouvido por veículos locais, é simples e brutal: “Tornar o custo de qualquer guerra inaceitável para Washington”.

A pressão cresce à medida que os Estados Unidos ampliam, ao longo do último ano, sua presença em bases no Golfo Pérsico, no Mar Vermelho e no leste do Mediterrâneo. Fontes militares na região estimam um reforço de mais de 30 mil soldados desde janeiro de 2025, distribuídos em navios, unidades aéreas e forças terrestres de reação rápida. O Pentágono não divulga números completos, mas admite tratar-se do maior redeslocamento para o Oriente Médio desde a invasão do Iraque, em março de 2003.

Em Teerã, a leitura é de cerco estratégico. O regime vê porta-aviões americanos operando a menos de 500 quilômetros de suas águas territoriais, drones de vigilância sobrevoando rotas usadas por milícias aliadas e uma sucessão de exercícios militares conjuntos entre EUA, Israel e monarquias do Golfo. A resposta é reorganizar o tabuleiro interno, blindar o núcleo de tomada de decisão e acelerar programas de armamento convencionais e assimétricos.

Escalada com impacto global

A tensão não se restringe ao jogo de forças regionais. O Oriente Médio ainda responde por cerca de 30% das exportações globais de petróleo e por mais de 20% do gás natural negociado internacionalmente. Uma guerra envolvendo diretamente Irã e Estados Unidos ameaçaria rotas vitais como o estreito de Hormuz, por onde passam, em média, 17 milhões de barris de petróleo por dia, algo em torno de 20% do consumo diário mundial.

Analistas ouvidos por centros de pesquisa europeus calculam que um bloqueio parcial de Hormuz por apenas duas semanas poderia levar o barril de petróleo, hoje na faixa de US$ 80, a patamares acima de US$ 120. Um conflito prolongado empurraria a inflação global para cima, reverteria previsões de crescimento em 2026 e atingiria em cheio economias dependentes de energia importada, como países da União Europeia, Índia e Japão.

A instabilidade militar também tende a aprofundar crises humanitárias já em curso. Em 2025, a região registra mais de 20 milhões de pessoas deslocadas por conflitos, segundo estimativas de organismos internacionais. Um confronto direto entre Teerã e Washington arrastaria países vizinhos, multiplicaria ataques de milícias e ampliaria o fluxo de refugiados para Turquia, Europa e países do Golfo, pressionando sistemas de saúde, educação e moradia.

Diplomatas descrevem um cenário de alinhamentos forçados. Na prática, aliados tradicionais dos EUA, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, seriam pressionados a abrir espaço logístico e político para operações americanas. Potências como Rússia e China, que aprofundam laços econômicos com o Irã nos últimos cinco anos, teriam de calibrar o apoio a Teerã sem romper com parceiros no Ocidente. “Ninguém quer ser arrastado para uma nova guerra aberta no Oriente Médio, mas poucos podem ficar totalmente neutros”, avalia um embaixador europeu, sob condição de anonimato.

O tabuleiro interno iraniano e os próximos passos

Dentro do Irã, a preparação para um cenário de confronto passa por mais do que manobras militares. O regime ajusta leis de segurança nacional, amplia poderes dos serviços de informação e reforça o controle sobre a circulação de notícias e redes sociais. Medidas aprovadas desde meados de 2025 preveem penas mais duras para colaborações com governos estrangeiros e permitem utilização acelerada de tribunais especiais em casos considerados de segurança do Estado.

Ao mesmo tempo, a cúpula iraniana tenta reduzir vulnerabilidades econômicas. Dados oficiais apontam aumento de cerca de 40% nos investimentos em infraestrutura militar e energética desde 2024, com foco em refinarias internas, armazenamento de combustíveis e sistemas de defesa antiaérea. A meta é manter o país funcional mesmo diante de novos pacotes de sanções, ataques cibernéticos contra instalações críticas ou interrupções temporárias nas exportações.

Do lado americano, o discurso público insiste em uma estratégia de “dissuasão reforçada” para evitar conflito, mas a prática indica preparação para cenários mais duros. Oficiais do Pentágono falam em capacidade de responder a “múltiplas contingências” na região, do Golfo ao Levante, e defendem o envio de mais caças, navios de guerra e sistemas antimísseis. Uma autoridade resume, em conversa com jornalistas estrangeiros: “Estamos deixando claro que qualquer ataque iraniano, direto ou por procuração, terá custo imediato”.

Nos bastidores diplomáticos, iniciativas de mediação aparecem, mas ainda sem peso suficiente para reverter a escalada. Países como Catar, Omã e Suíça oferecem canais discretos de comunicação entre Teerã e Washington, repetindo papel exercido em crises passadas. As tentativas esbarram em desconfiança mútua acumulada ao longo de décadas, do derrube do xá em 1979 às sanções impostas após 2018, quando os EUA abandonam o acordo nuclear.

O horizonte imediato é de incerteza calculada. Cada movimento militar, cada ataque de milícia, cada sanção econômica entra em uma conta política em Teerã e em Washington. O custo de recuar cresce a cada semana, assim como o risco de erro de cálculo. A questão que se impõe, para a região e para o mundo, é se essa preparação acelerada para a guerra ainda pode servir como instrumento de pressão para um acordo ou se já se torna o prenúncio de um conflito que muitos dizem querer evitar, mas poucos parecem dispostos a desarmar.

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