Ultimas

Irã ataca navios e infraestrutura no Golfo e acende alerta sobre petróleo

O Irã lança, em março de 2026, uma série de ataques com drones contra navios-tanque e infraestrutura estratégica em países do Golfo. As investidas atingem águas próximas ao Iraque e áreas sensíveis como o Estreito de Ormuz, ampliando o risco de choque direto com Estados Unidos e aliados regionais.

Retaliação após morte de Khamenei eleva tensão no Golfo

Os ataques ocorrem menos de um mês depois da morte do líder supremo Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, em ofensiva coordenada por Estados Unidos e Israel em Teerã. Teerã afirma agir em retaliação e mira o coração da rota mundial do petróleo, numa tentativa declarada de pressionar mercados e adversários militares.

Dois navios-tanque estrangeiros são atingidos por drones iranianos em águas territoriais do Iraque. O Irã reivindica a autoria e diz que um drone submarino explode perto dos cascos, provocando incêndios a bordo. Pelo menos uma pessoa morre e 38 são resgatadas com vida por equipes de emergência na região.

O governo iraquiano reage com irritação e classifica os ataques dentro de seu território como “inaceitáveis”. O alerta expõe o desconforto de Bagdá, que tenta se manter distante do choque direto entre Teerã e Washington, mas vê seu litoral virar linha de frente de uma guerra que não controla.

O movimento iraniano avança ainda para o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no planeta. Ao usar drones aéreos e submarinos nesse ponto, o Irã sinaliza disposição de transformar uma rota vital em campo de pressão geopolítica permanente, com impacto imediato sobre preços futuros de energia.

Drones atingem Arábia Saudita, Bahrein, Emirados e Kuwait

Na Arábia Saudita, o Ministério da Defesa informa ter interceptado e destruído mais de 20 drones na região leste, onde se concentram os maiores campos de petróleo do reino. As imagens que circulam nas redes locais mostram clarões no céu noturno e colunas de fumaça próximas a instalações industriais.

No Bahrein, as autoridades relatam que tanques de combustível em uma instalação na província de Muharraq, no norte do país, entram em chamas após serem alvo de drones iranianos. O Ministério do Interior orienta moradores de quatro cidades e povoados próximos a permanecer em casa e fechar janelas para evitar inalação de fumaça e exposição ao fogo.

Os Emirados Árabes Unidos também se veem sob risco. O governo informa que suas defesas aéreas respondem a “ameaças de mísseis e drones provenientes do Irã”. Em Dubai, o gabinete de imprensa relata a queda de um drone sobre um prédio nas imediações de Creek Harbour. Um pequeno incêndio é controlado rapidamente, mas o episódio rompe a sensação de segurança em um dos centros financeiros mais vigiados da região.

No Kuwait, as Forças Armadas divulgam que sistemas antiaéreos estão em ação contra “ameaças hostis de mísseis e drones”. Bases militares e instalações de exportação de petróleo entram em estado de alerta elevado, num raio que vai do litoral kuwaitiano até o limite com o Iraque.

A ofensiva de Teerã se soma a ataques já lançados nas últimas semanas contra Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas insistem que miram apenas interesses de Estados Unidos e Israel nesses países, mas os danos já atingem civis, trabalhadores da indústria do petróleo e moradores de áreas urbanas.

Mercado de petróleo, guerra regional e disputa pelo poder em Teerã

Os ataques ocorrem enquanto o conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel se espalha. Washington diz ter destruído dezenas de navios iranianos, sistemas de defesa aérea, aviões e outras estruturas militares desde o fim de fevereiro. A Casa Branca contabiliza ao menos sete mortes de soldados americanos ligadas diretamente aos ataques de Teerã.

Dentro do Irã, o custo humano cresce de forma acelerada. A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, com sede nos Estados Unidos, aponta mais de 1.200 civis mortos desde o início da guerra. Hospitais em Teerã, Isfahan e Shiraz operam perto do limite, sob racionamento de energia e remédios provocado por sanções e bombardeios.

O conflito transborda para o Líbano. O Hezbollah, grupo armado apoiado por Teerã, lança ataques contra o território israelense em reação à morte de Khamenei. Israel responde com ofensivas aéreas contra o que classifica como alvos do Hezbollah, atingindo áreas urbanas e causando centenas de mortes de civis e combatentes libaneses.

Em meio ao caos, a liderança iraniana passa por transição acelerada. Um conselho de altos clérigos e militares elege Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, como novo líder supremo. Analistas ouvidos por veículos internacionais avaliam que Mojtaba representa a continuidade da linha dura. “Não há sinal de abertura política ou recuo da repressão”, resumem.

Donald Trump, que volta a influenciar a política externa americana, critica em público a escolha. Em declarações recentes, ele chama a ascensão de Mojtaba de “grande erro” e diz que sua indicação é “inaceitável” para qualquer tentativa de acordo com Teerã. O comentário amplia a incerteza sobre uma saída diplomática de curto prazo.

Os ataques com drones a navios-tanque e infraestruturas no Golfo funcionam como termômetro da nova fase da guerra. Cada explosão perto do Estreito de Ormuz envia um recado direto aos mercados: a rota do petróleo pode ser fechada ou encarecida de forma drástica. Traders já calculam cenários de alta prolongada, com impacto em combustíveis, frete marítimo e cadeias globais de suprimentos.

Risco de escalada e incerteza sobre saída diplomática

Governos do Golfo pressionam Washington e aliados europeus por garantias de proteção adicional a navios e portos estratégicos. Planos de escolta militar a comboios de petroleiros voltam ao centro das discussões, num cenário que lembra crises anteriores em Ormuz, mas agora com a presença maciça de drones aéreos e submarinos no campo de batalha.

Diplomatas na região avaliam que a possibilidade de erro de cálculo cresce a cada novo ataque. Um acerto acidental em navio americano ou embarcação de país europeu pode acionar respostas rápidas, com ataques diretos ao território iraniano. O Irã, por sua vez, indica que seguirá mirando ativos ligados a Estados Unidos e Israel enquanto não houver acordo sobre o fim dos bombardeios em seu território.

Os próximos dias devem concentrar negociações discretas em capitais do Golfo, em Washington e em canais indiretos com Teerã. A dúvida central permanece sem resposta: até que ponto o Irã está disposto a arriscar sua própria sobrevivência econômica para sustentar a pressão militar sobre o Estreito de Ormuz.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *