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Irã anuncia mísseis com ogivas acima de 1 tonelada contra Israel

O novo líder supremo iraniano, brigadeiro-general Majid Mousavi, anuncia neste 9 de março de 2026 uma escalada nos ataques com mísseis contra Israel. O Irã promete lançar apenas projéteis com ogivas superiores a uma tonelada, ampliando alcance e poder destrutivo em meio ao conflito já em ebulição no Oriente Médio.

Escalada anunciada nas redes e nos campos de batalha

A decisão é divulgada diretamente por Mousavi em uma publicação na rede social X, poucas horas depois de Teerã formalizar sua nomeação como novo líder supremo. O anúncio vem acompanhado de uma frase que sintetiza a mudança de patamar militar: “A partir de agora, nenhum míssil com ogiva inferior a uma tonelada será disparado”, escreve o comandante da Guarda Revolucionária Islâmica.

Mousavi afirma ainda que o “comprimento de onda” dos lançamentos, expressão usada para indicar a frequência das operações, deve crescer junto com a intensidade e o alcance dos disparos. O recado é dirigido a Israel, alvo declarado dos ataques, e a todas as potências que acompanham o conflito à distância, mas com interesses diretos na região.

O comunicado nas redes sociais coincide com uma nova leva de lançamentos anunciada pela Guarda Revolucionária. Um vídeo divulgado pela força de elite mostra o que o Irã afirma ser o disparo de mísseis Khorramshahr, Fatah, Khyber e Qadr, modelos conhecidos por combinar alcance ampliado e ogivas mais pesadas. A CNN, porém, informa que não consegue verificar de forma independente as imagens.

Esses sistemas, apresentados pelo governo iraniano nos últimos anos como vitrine de sua indústria bélica, são descritos por Teerã como capazes de atingir centenas de quilômetros e carregar cargas explosivas muito acima de uma tonelada. O objetivo declarado é aumentar a capacidade de causar danos simultâneos em múltiplos alvos militares e urbanos.

Mortes em Israel e risco de guerra mais ampla

Horas antes do anúncio de Mousavi, um ataque com mísseis iranianos no centro de Israel mata ao menos uma pessoa e deixa duas feridas, segundo médicos e policiais locais. Soldados e paramédicos israelenses são vistos retirando um corpo de uma área atingida, enquanto equipes de segurança isolam ruas e buscam estilhaços para periciar o tipo de armamento utilizado.

O comandante do distrito de Tel Aviv, Haim Sargarof, afirma a jornalistas que um dos mísseis disparados contra Israel carrega uma ogiva de fragmentação, desenhada para explodir em múltiplos pedaços metálicos. Segundo ele, o projétil atinge pelo menos seis pontos diferentes, ampliando a área de destruição e multiplicando o potencial de vítimas. Esse tipo de ogiva é pensado para maximizar o impacto em locais densamente povoados, onde alguns metros podem separar uma rua residencial de uma instalação militar.

A escalada ocorre em um momento de tensão crescente entre Teerã e Jerusalém, depois de meses de trocas de ameaças, ataques diretos e ações por meio de aliados regionais. Israel vê o programa de mísseis iraniano como ameaça existencial, enquanto o Irã afirma agir em resposta ao que chama de agressões israelenses e à presença militar ocidental no Oriente Médio.

A nomeação de Mousavi, figura central da Guarda Revolucionária, indica, segundo analistas, uma preferência clara pela via militar em detrimento de qualquer sinal de distensão. A crítica aberta de líderes estrangeiros, como o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que se diz “desapontado” com a escolha do novo líder supremo, reforça a percepção de isolamento político de Teerã. Trump já declarara em outras ocasiões que o Irã só teria sucesso se abandonasse suas ambições nucleares, e agora associa o avanço militar iraniano a um cenário de guerra prolongada.

No campo, o efeito imediato é o aumento do medo. Em cidades israelenses próximas às áreas atingidas, sirenes de alerta voltam a soar, e autoridades reforçam pedidos para que moradores permaneçam próximos a abrigos. Cada novo lançamento iraniano passa a carregar a perspectiva de ogivas mais pesadas e de impactos mais letais, inclusive em regiões centrais e simbolicamente sensíveis, como Tel Aviv e Jerusalém.

Pressão internacional, cálculo político e próximos passos

A decisão pública de só usar ogivas superiores a uma tonelada produz ondas além do tabuleiro militar. Governos ocidentais e países árabes observam com preocupação a combinação de precisão crescente com maior carga explosiva, cenário que amplia o risco de danos colaterais em larga escala. Uma única ogiva desse porte, lançada contra uma área urbana, pode causar destruição em raio muito maior que o de ataques recentes, elevando em dezenas o número potencial de mortos e feridos.

Especialistas em segurança regional afirmam que Israel tende a responder com mais dureza, seja por novos bombardeios cirúrgicos a instalações iranianas, seja por ações encobertas contra a cadeia de comando da Guarda Revolucionária. O aumento do poder de fogo iraniano também pode acelerar debates sobre novas sanções econômicas e embargos de tecnologia militar por parte de Estados Unidos e União Europeia, que já impõem ao Irã restrições desde o início dos anos 2000 por causa do programa nuclear.

A mudança de doutrina anunciada por Mousavi ainda testa a disposição de potências como Rússia e China de manter apoio político e econômico a Teerã em um cenário de conflito mais aberto com Israel. Cada novo míssil lançado pode funcionar como termômetro da paciência internacional e como argumento para quem defende medidas mais duras no Conselho de Segurança da ONU.

Israel, por sua vez, enfrenta o dilema de calibrar a resposta para conter o avanço iraniano sem arrastar a região a uma guerra de grandes proporções. Quanto mais pesadas as ogivas usadas pelo Irã, maior a pressão interna sobre o governo israelense para agir de forma preventiva e mais agressiva, inclusive com operações em território iraniano.

O ataque que mata ao menos uma pessoa no centro de Israel, neste mesmo 9 de março, torna concreto o cenário que tantas vezes é discutido em reuniões diplomáticas. Não se trata mais apenas de testes de mísseis em desertos iranianos, mas de projéteis com mais de uma tonelada de explosivos cruzando o espaço aéreo e atingindo cidades habitadas.

O anúncio de Mousavi deixa poucas dúvidas sobre o rumo pretendido por Teerã: mais alcance, mais intensidade, mais poder destrutivo. A incógnita, agora, está na reação internacional e, principalmente, na capacidade de Israel e Irã de evitar que essa nova fase de ataques com ogivas mais pesadas se transforme na faísca de uma guerra ainda maior no Oriente Médio.

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