Ciencia e Tecnologia

iPhone 14, 15 e 16: vale comprar modelos antigos em 2026?

Em 6 de fevereiro de 2026, a Apple mantém no Brasil um portfólio em que iPhone 14, 15 e 16, incluindo versões Pro e Pro Max, ainda disputam espaço. A promessa é simples: desempenho de ponta e longevidade de software, mesmo em aparelhos lançados há até três anos.

Processador forte, câmera atual e celulares que envelhecem devagar

No mercado brasileiro, em que o preço de um topo de linha pode ultrapassar R$ 10 mil, o ciclo de troca de celulares se alonga. Consumidores seguram o mesmo aparelho por quatro ou cinco anos, e é nesse cenário que a Apple aposta na força dos chips A15 Bionic, A16 Bionic, A18 e A18 Pro para manter modelos antigos em evidência.

O iPhone 14, lançado em 2022 com o chip A15 Bionic, ilustra essa estratégia. O processador, que já equipa também versões anteriores, continua rodando o iOS atual com folga, segura múltiplos aplicativos abertos e dá conta de jogos pesados. A tela OLED de 6,1 polegadas mantém brilho alto e contraste profundo, enquanto o sistema de duas câmeras traseiras, ambas com 12 megapixels, ainda entrega fotos limpas à noite e vídeos estáveis em 4K. A câmera frontal com foco automático melhora selfies e chamadas de vídeo, um recurso que há poucos anos aparecia só nos modelos mais caros.

A estrutura de alumínio reforça a sensação de durabilidade, e a certificação IP68 garante resistência à água em mergulhos rasos e contra poeira. A bateria segura até 20 horas de vídeo, número que, na prática, significa um dia inteiro longe da tomada para o uso médio. O conector Lightning, ainda presente nessa geração, sinaliza o limite da retrocompatibilidade: funciona bem, mas já aponta para uma transição de padrão que o consumidor brasileiro começa a sentir no bolso e na gaveta de cabos.

Com o iPhone 15, a Apple dá um passo adiante e leva o chip A16 Bionic, antes exclusivo da linha Pro, para o modelo regular. O ganho de velocidade não se traduz só em números de benchmark; o usuário percebe em abertura mais rápida de aplicativos, edição de vídeo mais fluida e efeitos de câmera em tempo real. A Dynamic Island, recorte interativo no topo da tela de 6,1 polegadas, abandona o entalhe tradicional e vira espaço para alertas, timers, chamadas e navegação, dando um rosto novo ao iOS sem exigir aprendizado complexo.

A câmera principal salta para 48 megapixels, aproximando o iPhone 15 da qualidade vista em modelos mais caros e permitindo recortes com menos perda de detalhe. O conector USB-C substitui o Lightning e aproxima o aparelho do ecossistema de notebooks, tablets e acessórios já adotados no dia a dia. A traseira em vidro colorido e as bordas de alumínio arredondadas melhoram a pegada, enquanto o chip de banda ultralarga de segunda geração refina a localização precisa de acessórios e de outros iPhones em ambientes fechados, recurso útil para quem vive em grandes cidades e depende do celular para tudo.

Na linha 16, a Apple aposta mais na forma de uso do que na ficha técnica bruta. O iPhone 16 recebe o novo chip A18, preparado de fábrica para tarefas de inteligência artificial, e mantém a tela de 6,1 polegadas, mas muda a ergonomia com dois elementos: o Botão de Ação, configurável para atalhos como câmera, lanterna ou gravação de voz, e o botão lateral de Controle da Câmera, sensível ao toque. Na prática, o usuário segura o aparelho como uma câmera tradicional, enquadra e fotografa com mais firmeza, o que reduz tremidos e facilita o uso com uma mão.

As câmeras traseiras, agora alinhadas na vertical, preservam o sensor principal de 48 megapixels e exploram melhor enquadramentos na horizontal, pensando em vídeo. O conjunto segue com carregamento USB-C, que simplifica viagens e o compartilhamento de cabos. O processador A18 libera espaço para recursos de IA que chegam por meio de atualizações de software, desde edição de fotos automática até sugestões inteligentes em mensagens.

No topo da linha, o iPhone 16 Pro traz o chip A18 Pro e amplia a tela para 6,3 polegadas, com taxa de atualização de 120 Hz. Esse número, que pode soar abstrato, significa rolagem e animações muito mais suaves, perceptíveis ao abrir redes sociais ou jogar. O corpo de titânio reduz peso sem perder rigidez, enquanto a unidade com 1 TB acomoda anos de fotos, vídeos em alta resolução e bibliotecas de aplicativos pesados sem exigir limpeza constante.

O conjunto de três câmeras soma principal e ultra-angular de 48 megapixels e uma teleobjetiva de 12 megapixels com zoom óptico de 5x. O aparelho grava vídeos em 4K a 120 quadros por segundo, padrão usado em produções profissionais, e incorpora conexão USB 3 para transferência de arquivos bem mais rápida que a do USB convencional. Para quem trabalha com criação de conteúdo, isso encurta o tempo entre a gravação e a edição no computador.

O iPhone 16 Pro Max leva esse pacote ao extremo. Mantém o chip A18 Pro, mas expande a tela para 6,9 polegadas, a maior já vista em um iPhone, e conserva o acabamento em titânio. Nesta versão, a unidade de 256 GB já basta para a maioria dos usuários, mas segue a mesma arquitetura de câmera do 16 Pro, com zoom óptico de 5x e o mesmo botão lateral dedicado para fotos e vídeos. A bateria é a mais resistente da família, com até 33 horas de reprodução de vídeo, número que, no cotidiano, se traduz em dois dias de uso moderado sem recarga.

Por que modelos antigos seguem fortes no Brasil em 2026

A permanência de aparelhos como o iPhone 14 e o iPhone 15 nas vitrines ocorre num momento em que o dólar pressiona preços e a renda cresce pouco. Em muitas lojas brasileiras, o valor de lançamento de um iPhone 16 Pro Max encosta ou supera a casa dos R$ 11 mil, enquanto um iPhone 14 pode aparecer por pouco mais da metade disso em promoções e no mercado de usados certificados.

Especialistas em varejo ouvidos pelo setor dizem que 22o consumidor brasileiro aprendeu a olhar para ficha técnica e suporte de software, não só para o ano do modelo22. O raciocínio é simples: se o chip continua atual, se a câmera entrega boa qualidade e se o iOS ainda recebe atualizações por vários anos, o incentivo para trocar de aparelho todo ano desaparece.

Os processadores A15 e A16 Bionic ainda figuram em rankings de desempenho e rodam sem esforço recursos que usam inteligência artificial, como reconhecimento de texto em fotos e tradução em tempo real. A mudança do Lightning para o USB-C a partir do iPhone 15 também reduz o custo de entrada para quem já usa esse padrão em notebooks, fones e carregadores portáteis, e diminui a necessidade de comprar cabos específicos.

No campo das câmeras, o salto para 48 megapixels na linha 15 e na linha 16 reduz a distância prática para modelos Pro e Pro Max em situações de boa luz. Em ambientes escuros, o processamento de imagem ainda favorece as versões mais caras, com sensores maiores e lentes mais luminosas, mas a diferença fica menor a cada geração. Isso fortalece o argumento de quem vê no iPhone 15 o ponto de equilíbrio entre preço e recursos.

A resistência IP68, presente de forma consistente nas últimas gerações, também pesa na conta para um país com verões chuvosos e uso intenso à beira-mar. A possibilidade de aguentar respingos, quedas acidentais na piscina e poeira fina melhora a revenda futura, um fator decisivo para muitos brasileiros que trocam de aparelho financiando parte da compra com a venda do usado.

A chegada dos chips A18 e A18 Pro, preparados para novas funções de inteligência artificial, cria uma linha divisória clara, mas menos drástica do que parece. Recursos mais pesados, como geração de imagem ou edição de vídeo automatizada, tendem a funcionar melhor nos modelos mais recentes, mas não tornam obsoletos os aparelhos equipados com A15 ou A16. Em muitos casos, a Apple adapta experiências de IA para rodar parcialmente na nuvem, mantendo a usabilidade nos iPhones mais antigos.

As novas soluções de interface, como Dynamic Island e Botão de Ação, também influenciam a percepção de modernidade. Quem vem de modelos anteriores à linha 14 sente uma diferença concreta ao migrar para o 15 ou para o 16, mesmo que não escolha a versão Pro. Ainda assim, para uma parcela expressiva da população, a escolha recai sobre o melhor equilíbrio entre custo e longevidade, e não sobre a última novidade de design.

Próximos passos, compras mais conscientes e efeito no mercado

A análise de desempenho dos iPhones 14, 15 e 16 em 2026 tende a influenciar a forma como o brasileiro compra celulares nos próximos anos. A percepção de que um topo de linha da Apple ainda se mantém competitivo após três ou quatro ciclos de lançamento fortalece o mercado de usados, recondicionados e aparelhos de anos anteriores vendidos com desconto.

A própria Apple adapta sua estratégia no país, mantendo modelos antigos por mais tempo no portfólio oficial e oferecendo atualizações de software por prazos que podem superar sete anos. Lojas físicas e on-line, por sua vez, usam essa janela para montar vitrines em degraus: o consumidor entra atraído pelo iPhone 16 Pro Max, mas muitas vezes sai com um iPhone 14 ou 15, com preço menor e ficha técnica ainda relevante.

Revendedores de Android de alto desempenho acompanham de perto esse movimento. Se iPhones antigos continuam no páreo com chips ainda rápidos e câmeras competitivas, fabricantes rivais precisam garantir ciclos de atualização de segurança mais longos e melhorar a durabilidade de bateria e tela para concorrer de igual para igual nesse horizonte de quatro a cinco anos.

O debate sobre conectores, puxado pela transição forçada ao USB-C na Europa e replicado em outras regiões, mostra como decisões técnicas viram tema de política pública. No Brasil, mesmo sem uma obrigação direta, a mudança da Apple para USB-C a partir da linha 15 reduz lixo eletrônico e simplifica a vida de quem alterna entre marcas. A padronização favorece o consumidor, que pode usar um único carregador para múltiplos aparelhos.

Nos próximos dois anos, a grande incógnita está na velocidade com que as novidades de inteligência artificial vão diferenciar, de fato, as gerações de iPhone. Se os recursos exclusivos dos chips A18 e A18 Pro se mostrarem decisivos no dia a dia, a pressão para migrar para os modelos mais recentes aumenta. Caso contrário, os iPhones 14 e 15 tendem a se consolidar como o novo piso do ecossistema Apple no Brasil, ocupando com folga o espaço entre a entrada e o topo da pirâmide.

Enquanto as próximas gerações não chegam, o consumidor brasileiro navega entre desejo e orçamento, puxado por lançamentos anuais e por um mercado que aprende a valorizar longevidade. A pergunta que fica é por quanto tempo um bom chip e uma câmera competente continuarão sendo suficientes para adiar a troca de aparelho em um setor acostumado a viver de novidade.

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