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Inter vira sobre o Grêmio, faz 4 a 2 no Gre-Nal 449 e empolga Pezzolano

O Inter vence o Gre-Nal 449 por 4 a 2, de virada, na noite deste domingo (25) no Beira-Rio, pelo Campeonato Gaúcho. A atuação sólida dos comandados de Paulo Pezzolano empurra o time para um início de temporada mais confiante e expõe fragilidades do Grêmio de Luís Castro.

Virada no Beira-Rio muda o tom do começo de ano

O clássico em Porto Alegre não entrega um roteiro de início de temporada, com ritmo lento e muitos testes. Em um Beira-Rio com 32.411 torcedores, dos quais 29.204 pagantes, o Inter joga com intensidade desde o primeiro minuto, sofre ao sair atrás no placar e reage com organização, pressão alta e protagonismo de Rafael Borré, autor de dois gols. O Grêmio, mesmo abrindo o marcador, não sustenta a vantagem e termina a noite sob questionamentos sobre o encaixe do time e as escolhas de Luís Castro.

A vitória colorada vale mais do que três pontos no Estadual. Em um início de trabalho ainda observado com cautela, Paulo Pezzolano ganha um clássico como cartão de visitas, diante do maior rival e sob cobrança permanente. O 4 a 2 sobre o Grêmio, alcançado após duas desvantagens no placar, reforça a ideia de um Inter mais agressivo, com meio-campo intenso e laterais participativos, enquanto o adversário se enrosca na saída de bola e sofre com erros de cobertura.

Clássico começa cauteloso no papel e elétrico no gramado

Os dois técnicos tratam o primeiro Gre-Nal do ano como exame de maturidade. Pezzolano mantém a base que vinha usando e segura no banco reforços como Félix Torres e Rodrigo Villagra. Luís Castro faz o mesmo do lado tricolor, insiste em Cristaldo no meio-campo, mesmo com Willian à disposição, e tenta preservar uma estrutura já testada. A cautela do desenho tático, porém, cai por terra em poucos minutos.

Logo aos 4 minutos, na primeira chegada mais aguda, o Grêmio acerta. Tetê cruza da direita, Carlos Vinícius escora de cabeça e Amuzu aparece livre entre os zagueiros para fazer 1 a 0. O gol não reflete o cenário, mas muda o ambiente no estádio. O Inter não se desmonta. Mantém a pressão na saída gremista e empata aos 9, em jogada confusa após escanteio de Alan Patrick. Borré desvia, a defesa se complica, Noriega toca na bola e Marcos Rocha completa contra a própria meta.

O empate devolve o peso da bola ao lado colorado. O time passa a controlar o meio-campo, com Ronaldo e Paulinho Paula dando sustentação para Alan Patrick pensar o jogo. Aos 19, Bernabei cruza rasteiro, Alan finaliza, Marlon salva em cima da linha e, no rebote, Carbonero acerta a trave. O colombiano ainda acerta o poste outra vez, aos 44, em jogada individual, e transforma a trave esquerda de Weverton em símbolo do desequilíbrio da etapa inicial.

Luís Castro percebe a fragilidade no setor central e volta do intervalo com Edenilson e Dodi para reforçar a marcação. O movimento melhora a circulação de bola gremista em alguns momentos, mas não muda a lógica do jogo. O Inter segue mais intenso, empurra o adversário para trás e quase vira com Paulinho Paula, que chega atrasado em cruzamento de Alan Patrick logo aos 3 minutos. O Grêmio responde em chute para fora de Edenilson, aos 7, mais pelo talento individual do que por construção coletiva.

Gols em sequência, Borré decisivo e alerta tricolor

O segundo tempo vira um jogo de nervos. O Inter finaliza mais, ocupa o campo ofensivo e parece mais perto da virada, mas é o Grêmio que volta a liderar o placar. Aos 20 minutos, Marlon cobra falta na área, Rochet afasta de soco, a bola volta e Edenílson aproveita a sobra para marcar. O 2 a 1 tricolor surge no momento em que Luís Castro demonstra maior irritação à beira do gramado e mexe de novo no time, com a entrada de Enamorado no lugar de Amuzu.

O golpe não abala o Inter, que responde com a mesma arma da noite: volume de jogo. Aos 29, Carbonero ganha pela direita, chega à linha de fundo e cruza para Borré empatar o Gre-Nal. No minuto seguinte, o colombiano aproveita nova oportunidade na área e vira o marcador, coroando uma atuação que combina mobilidade, presença diária e frieza na conclusão. A reação em dois minutos derruba a confiança gremista e transforma a arquibancada em combustível.

O Grêmio tenta recompor o sistema, mas continua vulnerável. As linhas se afastam, o time se estica em campo e abre espaços para os avanços de Bernabei, um dos destaques da noite. Aos 37, o lateral recebe na área e fecha o placar em 4 a 2, resultado que provoca gritos de “olé” no Beira-Rio e sela a sensação de domínio colorado. Pezzolano passa a rodar a equipe, com entradas de Villagra, Bruno Henrique, Tabata, Allex e João Bezzera, e ganha minutos importantes para o elenco em um cenário de confiança alta.

O duplo papel do clássico fica evidente no apito final de Lucas Guimarães Rechatiko Horn. O Inter sai de campo com moral elevada, elenco fortalecido e um recado para o restante do Gauchão. O Grêmio deixa o Beira-Rio pressionado por correções imediatas, apesar da presença de peças importantes como Tetê, Amuzu e Carlos Vinícius no setor ofensivo.

Inter ganha fôlego, Grêmio se vê diante de ajustes

A vitória no Gre-Nal 449 reforça a ideia de que o time de Pezzolano se adianta na preparação. O Inter demonstra organização, repertório ofensivo e capacidade de reagir em cenário adverso, algo que costuma pesar em mata-matas do Estadual e em competições mais longas. O treinador, que segura reforços no banco e ainda assim constrói uma atuação dominante, conquista argumento forte para defender a manutenção da base e consolidar seu modelo de jogo ao longo das próximas rodadas.

O resultado também mexe com o ambiente interno. Jogadores como Carbonero e Bernabei, que participam diretamente de lances decisivos, ganham confiança e ampliam a competição por vagas. Borré, protagonista da virada com dois gols, assume o papel de referência ofensiva e passa a ser visto como peça incontornável na escalação. A renda de R$ 894.036,50 e o bom público em um domingo à noite reforçam o peso simbólico do clássico em janeiro, ainda na largada da temporada.

O Grêmio vive uma leitura oposta. A equipe mostra capacidade de ser letal em poucos toques, mas sofre demais sem a bola. O meio-campo apresenta buracos, a defesa falha na coordenação da linha e a saída pressionada expõe os zagueiros. Luís Castro, que insiste em manter a base recente, terá de revisar peças e ideias para evitar que o Gre-Nal 449 se torne rótulo indesejado do seu início de ciclo em Porto Alegre.

Próximos jogos e a disputa por protagonismo no Gauchão

O Campeonato Gaúcho ainda está em sua fase inicial, mas o 4 a 2 deste domingo redesenha a percepção sobre a força dos rivais. O Inter entra na sequência da competição com mais peso político no vestiário, torcida mobilizada e comissão técnica fortalecida para cobrar intensidade e concentração. A atuação diante do maior rival funciona como referência de rendimento, não como exceção.

O Grêmio volta aos treinos com urgência por respostas. A comissão técnica deve rever a proteção ao sistema defensivo, a escolha das peças de meio-campo e a forma de utilizar jogadores de velocidade, como Tetê e Enamorado. A rivalidade Gre-Nal ganha mais um capítulo para alimentar debates em rádios, redes sociais e mesas redondas, enquanto o calendário avança. A dúvida, a partir de agora, é se o jogo desta noite será lembrado como um ponto fora da curva ou como o retrato fiel do que cada lado entrega em 2026.

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