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Inter vira em nove minutos, faz 4 a 2 no Grêmio e dispara no Gauchão

O Internacional vence o Gre-Nal 449 por 4 a 2, de virada, neste domingo (25), no Beira-Rio, e assume a liderança isolada do Grupo A do Gauchão. O Grêmio abre 2 a 1, mas leva três gols em nove minutos no segundo tempo e sai pressionado.

Virada relâmpago muda a noite no Beira-Rio

O clássico começa nervoso, com discussões, reclamações contra a arbitragem de Lucas Horn e entradas fortes nos primeiros minutos. Aos 4, o Grêmio impõe o roteiro que imaginava: Tetê pressiona pela direita, cruza, Carlos Vinícius escora e Amuzu aparece quase na pequena área para empurrar a bola para as redes e fazer 1 a 0.

O gol cedo não esfria o Inter. Cinco minutos depois, aos 9, o time colorado aproveita a primeira grande bola parada. Na cobrança de escanteio, Weverton sai mal, Borré desvia de cabeça, Noriega tenta salvar em cima da linha, mas a bola bate em Marcos Rocha e entra. O empate reacende o estádio, que recebe 28.116 torcedores, com cerca de 2 mil gremistas na área visitante.

O 1 a 1 dá confiança ao time da casa. O Inter passa a rodar a bola no campo ofensivo, prende o Grêmio atrás e encontra espaço principalmente com Alan Patrick e Carbonero. O meia acerta uma bola na trave e obriga Weverton a fazer grande defesa em chute de fora da área. O atacante colombiano também carimba o poste em lance que já desenha a pressão que viria depois.

O Grêmio reage a partir dos 30 minutos. Amuzu volta a levar perigo, Thiaguinho finaliza para fora após escanteio e Rochet precisa trabalhar para manter o empate até o intervalo. O 1 a 1 reflete um primeiro tempo intenso, com Inter mais agressivo e tricolor apostando em transições rápidas.

O segundo tempo começa com o Grêmio tentando controlar o jogo com a bola. Edenilson e Dodi entram para dar mais passes e reduzir o ímpeto colorado. A estratégia funciona por alguns minutos. Aos 20, Marlon cobra falta pela esquerda, Rochet se atrapalha na saída de soco, a bola desvia em Paulinho e sobra limpa para Edenilson cabecear para o gol vazio. O 2 a 1 tricolor parece premiar a proposta mais pragmática.

A vantagem, porém, dura muito pouco. O Inter reage com a urgência de um time que briga por título. Aos 28, Carbonero recebe na esquerda, parte para cima de Noriega, ganha no um contra um e cruza na medida para Borré, na primeira trave, empatar o clássico. O Beira-Rio explode e muda de clima.

Dois minutos depois, a virada se concretiza. O Grêmio erra na saída, a bola sobra na área e Borré, de novo, aparece para bater cruzado e fazer 3 a 2. O colombiano, alvo de elogios nas redes sociais, vira personagem central da noite. “Borré decidiu quando mais precisava”, escreve um torcedor colorado, sintetizando o sentimento nas arquibancadas virtuais.

O golpe final vem aos 36. Bernabei arrisca de fora da área, a bola quica, Weverton falha e o Inter faz 4 a 2, transformando o Beira-Rio em festa. A torcida passa a gritar “olé” a cada troca de passes, enquanto o Grêmio se mostra abatido, sem reação, e vê um jogo que parecia controlado escapar em menos de dez minutos.

Clássico reforça força do Inter e expõe fragilidade gremista

A vitória por 4 a 2 não vale apenas três pontos. O resultado consolida o Internacional como favorito ao título do Campeonato Gaúcho de 2026. O time chega a 12 pontos no Grupo A e se mantém na liderança, com desempenho que empolga a torcida e sustenta o discurso de um elenco competitivo para a temporada.

O Gre-Nal 449 também deixa marcas do outro lado. O Grêmio estaciona nos 9 pontos e corre o risco de ser ultrapassado pelo Caxias na rodada. As falhas sucessivas na defesa, em especial nas bolas aéreas e nas saídas de Weverton, alimentam a cobrança imediata ao sistema defensivo. “Nove minutos apagaram um jogo controlado”, escreve um torcedor gremista, resumindo a frustração com a queda brusca de rendimento.

O enredo da virada ganha ainda mais peso por envolver jogadores com história recente nos dois clubes. Edenilson, ex-Inter, marca pelo Grêmio e chega a recolocar o tricolor em vantagem. A resposta vem com protagonismo de Borré, autor de dois gols e peça-chave na pressão alta colorada. Bernabei, que já havia aparecido bem em finalizações de média distância, fecha a conta com o quarto gol e simboliza a confiança do time em chutar de fora da área.

O clássico movimenta as redes sociais desde o apito final. Do lado colorado, os comentários destacam a “alma” e a “intensidade de campeão” do time, em referência à reação após o 2 a 1. Entre os gremistas, o debate gira em torno das escolhas táticas, do recuo excessivo no segundo tempo e da dificuldade de segurar a pressão em jogos grandes. A discussão também atinge nomes individuais, com críticas a Weverton e questionamentos sobre a proteção oferecida pelos volantes.

Historicamente, Gre-Nais costumam redefinir o clima da temporada em Porto Alegre. O 4 a 2 desta noite segue a tradição. O Inter ganha munição para sustentar o discurso de favoritismo no estadual e de competitividade no cenário nacional. O Grêmio sai obrigado a rever conceitos defensivos, corrigir a bola parada e ajustar o emocional após uma virada tão rápida quanto dolorosa.

Calendário aperta e clássico molda próximos passos

O impacto do Gre-Nal 449 não se limita ao Campeonato Gaúcho. Os dois clubes já voltam a campo na quarta-feira, na estreia do Campeonato Brasileiro. O Internacional recebe o Athletico no próprio Beira-Rio, às 19h, embalado pela atuação ofensiva e pela resposta rápida às desvantagens no placar. O Grêmio visita o Fluminense no Maracanã, às 19h30, com a missão de reorganizar o sistema defensivo e virar a página do clássico.

No Gauchão, a última rodada da fase de grupos está marcada para sábado (31), às 16h30. O Inter enfrenta o Caxias, no Centenário, em duelo direto que pode reforçar ainda mais a liderança colorada. O Grêmio recebe o Juventude, na Arena, pressionado a dar resposta imediata e evitar nova queda de rendimento nos minutos decisivos.

A virada em nove minutos entra para a memória recente do clássico como um daqueles jogos que extrapolam o placar. O Inter sai com elenco fortalecido, torcida em alta e sensação de que pode disputar títulos em 2026. O Grêmio deixa o Beira-Rio com perguntas a responder: o problema é pontual, fruto de uma noite ruim, ou sinal de uma fragilidade estrutural que pode cobrar um preço maior no Brasileirão?

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