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Inter recebe Athletico embalado por Gre-Nal e fase de Borré

Internacional e Athletico Paranaense abrem a caminhada no Campeonato Brasileiro em clima oposto nesta quarta-feira, no Beira-Rio. O Colorado chega embalado pela vitória de 4 a 2 sobre o Grêmio no Gre-Nal e pela grande fase do atacante Rafael Santos Borré, enquanto o Furacão tenta transformar a preparação com time de aspirantes em vantagem física na largada da competição.

Inter muda o astral após Gre-Nal e se arma para estrear forte

O clássico de domingo, pelo Gauchão, redesenha o ambiente no vestiário colorado. A virada por 4 a 2 sobre o maior rival, no Beira-Rio lotado, afasta o peso da luta contra o rebaixamento em 2024, que só termina na última rodada. A vitória recoloca o Inter no eixo e cria a expectativa de um início de Brasileiro sem sustos, algo que o clube não vive com frequência recente.

Rafael Santos Borré encarna essa virada de chave. O colombiano, que marca apenas oito gols em 47 partidas no ano passado, precisa de só três jogos em 2026 para chegar à metade dessa marca. No Gre-Nal, balança a rede duas vezes, decide o jogo e ganha de vez o status de protagonista de um time que se reconstrói em torno dele e de Alan Patrick.

Paulo Pezzolano não economiza elogios ao centroavante ao projetar o duelo com o Athletico. “Ele está preparado para jogar as posições, com outro centroavante também, e pode fazer muita coisa. Quando tem jogo agressivo, ele vai ter uma participação. Ele aparece no momento que tem que aparecer e é um jogador completo”, afirma o técnico. O treinador lembra o contexto difícil de 2024 para relativizar o ano abaixo do colombiano e aponta um cenário diferente agora. “Quando um ano é difícil, como ano passado, não era só o Borré, mas outros estavam abaixo. É normal. Mas quando está bem, joga muito os jogadores para cima. E isso favorece ao Borré. Espero que ele desfrute e siga fazendo gols”, completa.

A resposta em campo vem acompanhada de investimento pesado. Depois de flertar com o rebaixamento à Série B até a 38ª rodada, o Inter entra em 2026 disposto a deixar a palavra “risco” fora do vocabulário. O clube já traz o zagueiro equatoriano Félix Torres, o volante argentino Rodrigo Villagra e o meia Paulinho, reforços que mudam o nível de competição por posição e ampliam o leque de opções para o treinador.

Athletico aposta em fôlego e estratégia diante de rival confiante

Do outro lado, o Athletico chega ao Beira-Rio por um caminho diferente. Enquanto o Inter coloca força máxima em campo no último teste antes do Brasileiro, o Furacão escolhe preservar o elenco principal e usa uma equipe de aspirantes na reta final do Campeonato Paranaense. A decisão reduz o desgaste de titulares e dá minutos a jovens, mas deixa uma dúvida: o time chegará mais inteiro fisicamente ou sentirá a falta de ritmo de competição pesada logo na estreia?

A estratégia paranaense contrasta com a intensidade gaúcha. O Inter entra em campo com a mesma base que atropela o Grêmio e mantém a ideia de jogo agressiva, pressionando alto e acelerando transições. Pezzolano deve repetir a formação com Rochet; Bruno Gomes, Mercado, Victor Gabriel e Bernabei; Ronaldo, Paulinho e Alan Patrick; Vitinho, Borré e Carbonero. A escolha reforça a mensagem de que o Brasileiro é prioridade desde a primeira rodada, mesmo com a classificação ao mata-mata do Estadual já assegurada.

Fabinho Soldado, executivo de futebol colorado, tenta calibrar o discurso. O dirigente evita prometer taças, mas deixa claro que o padrão de atuação precisa mudar em relação a 2024. “Não queremos passar uma mensagem para o torcedor de título, mas de muito comprometimento a cada jogo e a cada rodada, já temos um jogo dificílimo na quarta-feira. É mudar a chave para que o torcedor possa nos apoiar e nos incentivar para que quarta-feira possamos fazer uma grande estreia e conseguir um resultado positivo na nossa casa”, afirma.

A estreia coloca em campo duas leituras distintas de planejamento de temporada. O Inter aposta na sequência, na confiança imediata gerada por uma vitória de peso e em um elenco reforçado. O Athletico, que administra minutos com aspirantes no Estadual, tenta colher agora a vantagem de ter um time fisicamente mais inteiro, mesmo diante de um rival que vem em alta.

Brasileirão começa a desenhar forças e pressões já na primeira rodada

O duelo em Porto Alegre não vale apenas três pontos na tabela inicial. A partida funciona como termômetro do que Inter e Athletico podem oferecer em 2026. Um bom resultado em casa tende a consolidar o Colorado como candidato à parte de cima da tabela e reforça a narrativa de recuperação depois de uma temporada em que o clube vive até o último jogo sob ameaça de queda. Uma atuação convincente de Borré, em especial, alimenta a lista de personagens centrais do campeonato e muda o olhar nacional sobre o atacante.

O Athletico joga para provar que também entra no torneio para discutir vaga direta na Libertadores e, em um cenário mais ousado, o título. Um tropeço logo na largada não define o ano, mas embaralha o discurso interno de que a preparação controlada com aspirantes garante vantagem competitiva. Uma vitória, por outro lado, relativiza o embalo colorado e reforça a imagem de clube que sabe planejar ciclos longos, mesmo enfrentando ambientes hostis como o Beira-Rio.

O Campeonato Brasileiro costuma punir oscilações prolongadas e premiar regularidade, e isso começa na primeira rodada. Inter e Athletico entram em campo já sob olhar atento de torcedores, dirigentes e rivais diretos. A maneira como cada um estreia, mais do que o placar puro, indica se o Gre-Nal é um ponto de virada duradouro para o Colorado ou apenas um pico emocional em um calendário que se estende até dezembro. A resposta começa a aparecer quando a bola rolar no Beira-Rio.

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