Inter faz 3 a 1 no São Luiz, avança à semifinal do Gauchão
O Internacional vence o São Luiz de Ijuí por 3 a 1, no Beira-Rio, na noite desta semana, e garante vaga na semifinal do Campeonato Gaúcho de 2026. Com time misto, o Colorado confirma a classificação e agora enfrenta o Ypiranga na luta por um lugar na decisão estadual.
Time alternativo, classificação assegurada
Paulo Pezzolano escolhe um Inter quase todo reserva, com apenas Bernabei entre os titulares habituais, e mesmo assim não abre mão do protagonismo em Porto Alegre. A vitória, construída com sofrimento e um golaço do lateral argentino, consolida a estratégia de rodar o elenco em meio a um calendário apertado, às vésperas do duelo com o Palmeiras pelo Brasileirão, na quinta-feira, também no Beira-Rio.
O jogo começa acelerado. Aos 2 minutos, Aguirre arrisca de longe, da intermediária, e conta com uma falha grosseira de Gabriel Oliveira. O goleiro do São Luiz se atrapalha, não segura a bola e vê o chute entrar devagar, abrindo o placar para o Inter diante de 16.669 torcedores, para uma renda de R$ 300.672. A vantagem, porém, dura pouco.
Em lance rápido, uma bola nas costas da zaga colorada encontra Felipe Rangel em velocidade. O atacante domina com espaço, invade a área e bate forte, sem chance para Anthoni, empatando em 1 a 1 e silenciando o estádio por alguns instantes. A igualdade devolve o São Luiz ao plano original: recuar as linhas, esperar atrás do meio-campo e buscar contra-ataques esporádicos.
O Inter passa a trocar passes com paciência, mas encontra dificuldades para furar o bloqueio. Falta criatividade, sobra insistência. Mesmo assim, as chances aparecem. Alerrandro quase marca de calcanhar após boa jogada de Allex pela direita, em um lance que arranca aplausos da arquibancada. Do outro lado, o próprio Rangel quase vira o jogo ao pegar um rebote na meia-lua, já com Anthoni batido, mas finaliza para fora.
O clima pesa sobre Gabriel Oliveira depois do frango. Percebendo o nervosismo do goleiro, os jogadores do Inter começam a finalizar de média distância. Tabata e Allex arriscam chutes perigosos, tirando tinta da trave. Thiago Maia obriga Gabriel a espalmar para escanteio em novo arremate forte. Na cobrança, o volante desvia de cabeça perto do poste, mas a bola sai pela linha de fundo. O primeiro tempo termina com domínio colorado, sem nova mudança no placar.
Golaço de Bernabei muda o jogo e Vitinho fecha a conta
O intervalo não traz mudanças no Inter, enquanto o São Luiz mexe no meio e no ataque. Paulo Henrique Marques tira um jogador de marcação e coloca Victor Jesus, mais agressivo, para explorar os espaços. A alteração surte efeito imediato. O atacante recebe dentro da área e finaliza com perigo, mas Félix Torres se joga na bola e evita o gol. Logo depois, Araújo tenta uma bicicleta e obriga Anthoni a boa defesa.
A tensão cresce no Beira-Rio. O empate mantém o Inter com a vaga encaminhada, mas o risco de um gol do adversário alimenta a impaciência da torcida. O alívio vem em grande estilo. Após cobrança de escanteio, a zaga do São Luiz afasta mal, e a bola sobra na intermediária para Bernabei. O argentino ajeita o corpo e solta um chute de peito de pé, seco, no ângulo. A bola viaja e morre no canto alto, sem defesa, fazendo 2 a 1 e devolvendo a segurança ao time.
O gol muda o clima no estádio e a postura em campo. Com a vantagem, Pezzolano aproveita para renovar o fôlego da equipe. Villagra entra no lugar de Thiago Maia, Bruno Gomes substitui Bruno Henrique, e a linha de frente também é mexida. Surge, então, um momento aguardado: a estreia de Alan Rodríguez na temporada, na vaga de Bruno Tabata, sinaliza que o treinador pretende ampliar opções para a sequência do ano.
O São Luiz tenta reagir, adianta a marcação e se expõe mais. A equipe do Interior não se entrega, busca o empate em bolas aéreas e chutes de fora da área, mas esbarra na zaga formada por Félix Torres e Juninho. O Inter passa a explorar os espaços deixados pelo adversário. Em uma dessas escapadas, já perto do fim, Vitinho recebe de João Victor, invade a área e conclui com precisão, definindo o 3 a 1 que sacramenta a classificação.
O placar resume a superioridade colorada em volume de jogo, mesmo sem brilho constante. A atuação de Bernabei, decisivo no apoio e na finalização, e de Vitinho, eficiente na reta final, reforça a ideia de um elenco mais encorpado. O 3 a 1 também reduz a pressão sobre Pezzolano após semanas de questionamentos sobre o desempenho ofensivo e a dependência dos titulares em jogos decisivos.
Semifinal contra o Ypiranga e foco dividido com o Brasileirão
A classificação coloca o Inter em posição estratégica na reta final do Gauchão. A semifinal contra o Ypiranga terá o jogo de ida em Erechim e a volta no Beira-Rio, ainda em março de 2026, cenário que favorece o Colorado em caso de equilíbrio. A campanha até aqui, com vitória segura em casa mesmo com escalação alternativa, alimenta o discurso interno de que é possível disputar o título estadual sem sacrificar a preparação para o Brasileirão.
O calendário, no entanto, não dá folga. Antes de pensar no Ypiranga, o Inter volta as atenções para o duelo com o Palmeiras, na quinta-feira, novamente em Porto Alegre, em jogo que testa o limite físico e emocional do grupo. A forma como Pezzolano administra o elenco, alternando titulares e reservas, indica um 2026 de menor dependência de um time base e maior competitividade interna por posição.
O São Luiz deixa o Beira-Rio eliminado, mas com uma atuação que expõe virtudes e limitações típicas de equipes do Interior. O time é organizado, reage rápido ao sofrer gol e cria chances claras, mas não sustenta o ritmo e sente o peso da decisão em um estádio grande. Para o clube de Ijuí, a participação no Campeonato Gaúcho de 2026 termina com a sensação de que detalhes, como a falha do goleiro no primeiro gol e a má recomposição no lance de Bernabei, custam caro.
O Inter sai do confronto com mais do que a vaga. Sai com a confirmação de que reservas como Aguirre, Vitinho e Alan Rodríguez podem responder sob pressão, e com a prova de que Bernabei, hoje peça-chave, carrega protagonismo técnico em jogos decisivos. A semifinal contra o Ypiranga e o encontro imediato com o Palmeiras dirão se a vitória por 3 a 1 sobre o São Luiz é ponto de partida para um time em ascensão ou apenas um alívio momentâneo em uma temporada que cobra respostas rápidas.
