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Inmet amplia alerta de grande perigo de chuva em MG, RJ e ES

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) amplia, nesta quinta-feira (22), o alerta de grande perigo para chuva intensa em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A previsão indica acumulados diários que podem chegar a 100 milímetros, com risco elevado de alagamentos, deslizamentos e transtornos em transporte e serviços essenciais.

Risco máximo e pressão sobre a defesa civil

O novo aviso coloca em atenção redobrada cidades de diferentes portes, de capitais a municípios do interior, em uma faixa que concentra milhões de moradores. O alerta de grande perigo é o nível mais alto da escala usada pelo Inmet e aponta para situações em que fenômenos meteorológicos extremos representam ameaça concreta à integridade física das pessoas e ao funcionamento da infraestrutura urbana.

As áreas sob maior preocupação incluem regiões montanhosas e encostas urbanizadas, como trechos da Serra do Mar e da Zona da Mata mineira, historicamente vulneráveis a deslizamentos quando a chuva se mantém forte por muitas horas. Em bairros de periferia, onde o escoamento é precário e o saneamento é incompleto, 100 milímetros em um único dia podem ser suficientes para colocar casas abaixo da linha d’água e interromper o acesso a serviços básicos.

Inmet aciona protocolo de alerta máximo

O Inmet decide ampliar o alerta após a consolidação de modelos meteorológicos que apontam a persistência de núcleos de instabilidade sobre o Sudeste. A combinação de ar úmido, temperaturas elevadas e sistemas de baixa pressão favorece pancadas fortes e volumosas, com potencial para se repetir por vários dias. Técnicos citam ainda o solo já encharcado em parte da região, o que aumenta o risco de deslizamentos mesmo com períodos curtos de chuva intensa.

“Quando trabalhamos com previsão de mais de 100 milímetros em 24 horas, o cenário deixa de ser apenas de transtorno e passa a ser de ameaça séria à segurança da população”, afirma, em nota, um meteorologista do instituto. O alerta busca pressionar prefeituras e governos estaduais a ativarem, com antecedência, planos de contingência, abrir abrigos emergenciais e reforçar equipes de monitoramento em áreas mapeadas como de risco.

Moradores de encostas e margens de rios entram no radar prioritário da Defesa Civil, que recebe o comunicado oficial do Inmet e, a partir dele, decide sobre sirenes, mensagens de celular e ações de remoção preventiva. Em cidades que enfrentam chuvas fortes recorrentes desde o início do verão, o novo aviso funciona como um gatilho para a revisão urgente de rotas de fuga, pontos de apoio e comunicação direta com líderes comunitários.

O histórico recente da região Sudeste pesa na decisão de ampliar o nível de alerta. Episódios como as enchentes em Minas e Bahia em 2022 e as fortes chuvas na região serrana do Rio, em anos anteriores, expõem a combinação perigosa entre clima extremo, ocupação irregular e infraestrutura deficiente. Mesmo sem repetir números de tragédias passadas, acumulados de 100 milímetros em um dia, somados a dias chuvosos anteriores, são suficientes para provocar estragos expressivos.

Impactos imediatos em transporte, serviços e economia

O aviso de grande perigo atinge diretamente o planejamento do transporte nas principais cidades afetadas. Ruas e avenidas sujeitas a alagamento podem ser interditadas em poucas horas, interrompendo o deslocamento de ônibus, vans escolares e veículos de carga. Em trechos de rodovias que cruzam áreas de serra, a possibilidade de queda de barreiras leva concessionárias e órgãos rodoviários a montar esquemas especiais de inspeção e limpeza preventiva.

Serviços essenciais, como fornecimento de energia elétrica e abastecimento de água, entram em regime de alerta por causa da maior chance de queda de árvores, deslizamento de taludes e rompimento de tubulações. Estações de tratamento próximas a rios podem operar no limite se o nível da água subir rápido demais. Comerciantes de bairros sujeitos a enchentes correm para proteger estoques e equipamentos, muitas vezes elevando mercadorias ou instalando barreiras improvisadas nas portas.

Nas escolas, redes públicas e privadas avaliam ajustes em horários de entrada e saída para evitar períodos de maior intensidade de chuva. Hospitais e prontos-atendimentos reforçam escalas, prevendo tanto acidentes relacionados a alagamentos e quedas quanto o aumento de doenças ligadas à água contaminada em áreas com esgoto a céu aberto. Em regiões rurais, estradas de terra podem ficar intransitáveis, isolando comunidades e dificultando o escoamento da produção agrícola.

O impacto econômico tende a vir em cadeia. Interrupções em rodovias estratégicas atrasam entregas, afetam estoques industriais e pressionam pequenos produtores. O poder público, já pressionado por orçamentos apertados, precisa conciliar gastos emergenciais com obras estruturais de drenagem e contenção de encostas, que seguem pendentes em muitos municípios.

Orientações à população e próximos passos

O Inmet reforça que, diante de um alerta de grande perigo, a principal orientação é evitar deslocamentos desnecessários em períodos de chuva intensa e seguir as recomendações da Defesa Civil local. Moradores em áreas de risco devem prestar atenção a sinais prévios de deslizamento, como rachaduras novas em paredes e chão, portas que emperram, postes e árvores inclinados e barulhos incomuns no terreno. Qualquer mudança brusca precisa ser comunicada imediatamente aos órgãos de emergência.

As próximas horas são decisivas para a calibração das medidas de resposta. Governos estaduais e prefeituras prometem atualizar, ao longo do dia, mapas de risco, pontos de apoio e canais oficiais de informação, inclusive por aplicativos de mensagem e redes sociais. O comportamento da população, entre a rotina e a prevenção, vai definir até que ponto um alerta de 100 milímetros de chuva por dia se traduz em danos controlados ou em mais um capítulo de tragédias anunciadas no calendário de verão do Sudeste.

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