Influenciadora morre nas Filipinas após comer caranguejo venenoso
A influenciadora e pescadora Emma Amit morre na província de Palawan, nas Filipinas, após comer o chamado caranguejo do diabo durante gravação em 4 de fevereiro de 2026. Ela passa mal no dia seguinte, é levada ao hospital e não resiste à intoxicação.
Gravação termina em tragédia em Puerto Princesa
Emma Amit constrói sua audiência mostrando o dia a dia de pesca e coleta de frutos do mar em Puerto Princesa, cidade turística na província de Palawan. Na tarde de 4 de fevereiro de 2026, ela entra em um manguezal da região para registrar mais um vídeo ao lado do marido.
O plano é simples: coletar diferentes crustáceos, levar para casa e preparar uma refeição diante das câmeras. Segundo o jornal norte-americano New York Post, Emma recolhe quatro tipos de animais, entre eles o temido caranguejo do diabo, espécie venenosa de nome científico Zosimus aeneus, comum em recifes do Indo-Pacífico.
De volta à cozinha, ela limpa os animais, acende o fogo e prepara o prato com leite de coco, um dos ingredientes mais tradicionais da culinária local. A câmera segue ligada enquanto a influenciadora cozinha, fala com os seguidores e prova a iguaria, aparentemente sem notar nada de errado.
Os primeiros sintomas não aparecem imediatamente. Nas horas seguintes, não há registro público de qualquer mal-estar. O quadro muda no dia 5 de fevereiro, quando Emma começa a apresentar sinais de intoxicação grave, com convulsões e perda de consciência, ainda segundo relatos de testemunhas divulgados pela imprensa estrangeira.
Familiares e vizinhos chamam socorro. Durante o atendimento, os lábios da influenciadora escurecem, um indicativo clássico de envenenamento por toxinas marinhas, relatado por quem acompanha o caso. Emma é encaminhada a uma unidade de saúde local e, em seguida, transferida para um hospital maior, em busca de tratamento especializado.
Os médicos confirmam o quadro de intoxicação severa, compatível com o consumo do caranguejo do diabo. Relatórios médicos citados pela imprensa local alertam que “a intoxicação causada pelo caranguejo do diabo pode provocar paralisia e insuficiência respiratória em poucas horas, além de não haver antídoto para o envenenamento”. Mesmo com suporte hospitalar, Emma não resiste aos efeitos do veneno.
Espécie tóxica reacende alerta sobre segurança alimentar
A morte da influenciadora choca a comunidade de Puerto Princesa, onde ela vive e grava a rotina de pesca há anos. Amigos descrevem Emma como pescadora experiente, acostumada a se orientar em manguezais e recifes da região. O erro de identificação de uma única espécie se mostra fatal.
O caranguejo do diabo concentra toxinas potentes em sua carne e em seus órgãos internos. Trata-se de substâncias semelhantes às encontradas em alguns peixes e polvos venenosos, capazes de atacar diretamente o sistema nervoso. Em poucos casos há chance de reversão, já que não existe antídoto conhecido.
O governo local informa que, apenas em Puerto Princesa, a espécie se relaciona a pelo menos duas mortes recentes antes do caso de Emma. A repetição de episódios em um intervalo curto coloca a segurança alimentar da região em foco, principalmente entre comunidades que dependem da pesca artesanal para sobreviver.
Em comunicado divulgado após a confirmação da morte, as autoridades de Palawan fazem um apelo direto. “Pedimos encarecidamente que redobrem a atenção. Não comam esses caranguejos perigosos. Não arrisquem suas vidas”, diz o alerta. O texto orienta pescadores e moradores a evitarem qualquer consumo da espécie e a procurarem auxílio técnico para identificar animais suspeitos.
Especialistas em biologia marinha citados pela imprensa filipina lembram que o caranguejo do diabo costuma viver em recifes de corais e áreas rochosas no Indo-Pacífico, incluindo Filipinas, Japão e partes do Oceano Índico. Em muitas comunidades, a recomendação é clara há décadas: a espécie não deve ser consumida em hipótese alguma, mesmo após cozimento prolongado.
A tragédia ganha outra dimensão por envolver uma influenciadora digital em plena gravação de conteúdo. O vídeo, pensado para entreter e informar o público sobre a pesca local, acaba se transformando em símbolo dos riscos de experimentos gastronômicos feitos diante da câmera, sem apoio técnico ou acompanhamento de especialistas.
Pressão por engajamento expõe limites da aventura online
A morte de Emma repercute além de Palawan e alimenta um debate que cresce em diferentes países: até onde criadores de conteúdo podem ir em busca de visualizações. Canais dedicados a “aventuras gastronômicas” e à exploração de frutos do mar se multiplicam nas principais plataformas de vídeo, muitas vezes sem qualquer filtro de segurança.
No caso de Emma, o risco não parece calculado. Ela não apresenta o caranguejo do diabo como desafio extremo nem menciona perigo diante da câmera, o que sugere um erro real de identificação. O desfecho, porém, escancara um cenário em que a fronteira entre alimentação tradicional, curiosidade turística e exposição a venenos letais fica cada vez mais tênue.
Autoridades filipinas avaliam a ampliação de campanhas educativas em escolas, comunidades pesqueiras e redes sociais, com foco em espécies tóxicas comuns na região. O objetivo é evitar que episódios semelhantes se repitam, seja entre moradores locais, seja entre turistas atraídos por conteúdos de “comida exótica”.
Especialistas em comunicação digital ouvidos pela imprensa local defendem que plataformas online adotem avisos mais claros sobre riscos físicos em vídeos de exploração da natureza ou de gastronomia extrema. Também cobram que empresas incentivem a presença de consultores técnicos quando o conteúdo envolve animais potencialmente perigosos.
Em Palawan, moradores se organizam para prestar homenagem à influenciadora, que deixa uma base fiel de seguidores e uma rotina registrada em dezenas de vídeos. A imagem de Emma sorrindo diante de panelas fumegantes agora convive com relatos sobre toxinas invisíveis e venenos sem cura.
O caso coloca uma pergunta incômoda para além das Filipinas: em um ambiente digital em que a busca por engajamento parece não ter fim, quem define o limite entre curiosidade legítima e risco inaceitável?
