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Impasse financeiro trava retorno de Lucas Paquetá ao Flamengo

O acordo entre Flamengo e West Ham pela compra de Lucas Paquetá por 41,25 milhões de euros esbarra em um último obstáculo financeiro e sofre atraso. Os clubes negociam a forma de pagamento, prevista para entre 2026 e 2028, enquanto o meio-campista mantém o desejo de voltar ao Rio.

Forma de pagamento vira ponto central

Flamengo e West Ham já concordam com o valor total da operação e trabalham com a janela de janeiro de 2026 para a conclusão da transferência. O desenho do negócio prevê parcelas distribuídas até 2028, com pelo menos quatro pagamentos, em um modelo clássico de transferência internacional de alto valor.

O que parecia um detalhe de bastidor se transforma no principal entrave. O West Ham aceita os 41,25 milhões de euros, mas quer segurança máxima sobre o fluxo de recebimento. O clube inglês pretende usar o contrato com o Flamengo como garantia em um banco internacional, que antecipa o montante mediante cobrança de tarifas. Esse mecanismo é comum na Europa, mas fica mais caro quando o comprador está fora do eixo regulado pelo Fair Play Financeiro da Uefa.

O Flamengo paga salários e compromissos em dia, mas é um clube brasileiro, inserido em um mercado sem fiscalização equivalente à da Premier League. Para o banco que analisa o contrato, o risco não é o histórico rubro-negro, e sim a ausência de um ambiente regulatório rígido, como o inglês. Essa leitura encarece as taxas, sobretudo em operações longas, com parcelas diluídas em três anos.

Os dirigentes londrinos trabalham com exemplos recentes. Ao olhar para um contrato em que o Bournemouth compra um jogador do Vasco, por exemplo, a instituição financeira parte da premissa de que o clube da Premier League obedece regras severas de controle de gastos. No caso de um comprador sul-americano, o grau de confiança é menor, e a tarifa sobe. Essa diferença de percepção impacta diretamente o bolso do West Ham.

Pressão de bancos e impacto esportivo

Com taxas mais altas, o West Ham tenta se proteger exigindo uma entrada maior já em 2026 e menos dinheiro empurrado para 2027 e 2028. O Flamengo, campeão brasileiro e da Libertadores, busca o movimento contrário: um valor inicial mais modesto, com aumento gradual das parcelas seguintes para encaixar o negócio no próprio fluxo de caixa. Esse choque de interesses mantém o texto do contrato em revisão.

Do ponto de vista financeiro, cada ponto percentual nas tarifas muda a matemática da venda. Uma antecipação de crédito com custo elevado pode, na prática, reduzir o ganho do West Ham e forçar o clube a buscar compensação. Pessoas envolvidas na negociação admitem, em privado, que os ingleses podem tentar elevar o valor final acima dos 41,25 milhões de euros, se parte do risco migrar para eles. Nas contas de quem acompanha o caso, um ajuste de poucos milhões já é suficiente para cobrir as taxas extras.

O Flamengo resiste a esse tipo de revisão e aposta na força do desejo de Paquetá. O meia já deixa claro aos mais próximos que não pretende seguir no West Ham e vê o retorno ao clube que o revelou como prioridade. A permanência em Londres, sem espaço em campo, ameaça inclusive a presença na Copa do Mundo. A leitura interna no Ninho do Urubu é que o tempo joga a favor do clube brasileiro, desde que o impasse não abra brecha para outro comprador europeu.

O West Ham, por sua vez, convive com uma equação delicada. Um jogador valorizado, mas insatisfeito, tende a perder mercado se ficar muito tempo sem atuar. O clube sabe disso, mas tenta esticar a corda para obter as melhores condições financeiras possíveis. Algumas pessoas próximas à diretoria definem o momento como uma “queda de braço” que interessa a ninguém no médio prazo, embora não vejam risco concreto de ruptura imediata.

Próximos passos e cenário até 2028

Os departamentos jurídicos e financeiros de Flamengo e West Ham seguem trocando minutas de contrato, com projeções de pagamento entre 2026 e janeiro de 2028. A discussão gira em torno de quanto o clube carioca coloca à vista e qual parcela fica para o fim do período, quando o câmbio, a economia brasileira e o próprio mercado da bola podem estar em outro patamar.

No Rio, a diretoria trata Paquetá como peça-chave para a temporada de 2026, tanto em campo quanto na relação com a torcida. O valor envolvido, superior a 41 milhões de euros, representa uma das maiores movimentações da história do clube e influencia o planejamento de contratações e renovações. Cada mês de atraso adia decisões sobre elenco, folha salarial e eventuais vendas para equilibrar o caixa.

Em Londres, a incerteza afeta a previsão de receitas futuras do West Ham e o orçamento para reforços. Sem a garantia de recebimento em condições favoráveis, o clube inglês evita fechar outras operações de risco semelhante. A diretoria tenta ganhar tempo para reduzir a exposição ao sistema bancário internacional, que hoje trata negócios com a América do Sul com mais cautela.

A tendência, entre interlocutores ouvidos, é de que o acordo saia, ainda que com ajustes de cronograma e valores intermediários. Resta saber quem cede primeiro: o Flamengo, com uma entrada mais robusta, ou o West Ham, aceitando taxas mais salgadas em troca de encerrar a novela. Até lá, Paquetá segue preso a um contrato que não quer cumprir e a uma transferência que todos dizem querer, mas que continua refém das contas dos bancos.

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