Igor Gomes assume culpa dos jogadores por início irregular do Atlético
Igor Gomes não poupa o próprio elenco ao analisar o início irregular do Atlético em 2026. Após o empate em 3 a 3 com o Remo, na noite desta quarta-feira (11), na Arena MRV, o meio-campista afirma que a responsabilidade pela má fase é exclusiva dos jogadores e defende que a marcação deve ser tarefa de todo o time, não apenas do setor defensivo.
Zona mista escancara incômodo com desempenho
O semblante de Igor na zona mista traduz o momento do Atlético. O time soma apenas duas vitórias, sete empates e uma derrota no ano, um aproveitamento de 43% em 10 jogos. A defesa sofre 12 gols nesse recorte, média de mais de um por partida, o que pressiona o ambiente logo no início da temporada.
O empate diante do Remo, em casa, aprofunda a sensação de desperdício. Hulk, Ruan Tressoldi e Dudu balançam a rede para o Galo, mas Vitor Bueno, Yago Pikachu e Alef Manga respondem pelo time paraense. A noite termina com vaias de parte da torcida e com a certeza, expressa pelo meio-campista, de que o problema é coletivo.
“Defender bem é uma coisa uniforme. Não são só os zagueiros, os laterais, os volantes que defendem. O time todo defende”, afirma Igor, cercado por repórteres logo após deixar o gramado da Arena MRV. O discurso mira a estrutura de jogo, mas também a postura dos companheiros em campo.
O meio-campista insiste na ideia de que a equipe precisa se enxergar como um bloco, com e sem a bola. “Até porque você só tem certeza que não vai sofrer o gol quando se tem a bola. Quando você não tem a bola, você tem que defender. Os atacantes não se preocupam só em atacar”, completa. A fala expõe a leitura de que a vulnerabilidade defensiva nasce também da falta de pressão na frente.
Elenco sob cobrança e responsabilidade dividida
A sequência de resultados deixa o Atlético apenas em 14º lugar no Campeonato Brasileiro, com dois pontos somados em três rodadas, mesma pontuação do Remo, 15º colocado. O início aquém das expectativas contrasta com o investimento recente do clube e com a expectativa de brigar na parte de cima da tabela nacional.
Nesse cenário, Igor escolhe blindar a comissão técnica e recusar a busca por culpados individuais. “Seria muito fácil chegar aqui, apontar o dedo para um ou para outro. Acho completamente errado isso. Todos os jogadores têm que ser responsabilizados”, diz. O recado mira eventuais tentativas de transferir a pressão para a defesa ou para nomes específicos do elenco.
O camisa atleticano reforça que o início ruim vai além das falhas atrás. “O time não está nessa situação só porque não se defende tão bem”, comenta, sugerindo problemas de execução em diferentes fases do jogo: criação, recomposição, concentração. A declaração ecoa em um vestiário que convive com empates repetidos e atuações oscilantes.
O desempenho defensivo também chama atenção por ocorrer em um estádio pensado para ser trunfo do clube. A Arena MRV recebe um 3 a 3 que reforça a dificuldade do time em controlar o placar mesmo quando consegue construir vantagem. Em vez de atmosfera de imposição, o que se vê é um Atlético vulnerável e sujeito a oscilações dentro da própria partida.
A leitura pública de Igor tende a fortalecer a cobrança interna sobre o elenco. Ao assumir a culpa para os jogadores, o meio-campista tira do centro do debate, ao menos por enquanto, discussões sobre mudança no comando técnico ou questionamentos à preparação física. A pressão passa a mirar, sobretudo, atitude, concentração e compromisso coletivo em campo.
Reação urgente e próximos testes no calendário
O empate com o Remo deixa o alerta ligado em diferentes frentes. No Brasileirão, o Atlético já desperdiça pontos em casa e vê adversários diretos abrirem vantagem logo nas primeiras rodadas. Em paralelo, carrega a responsabilidade de se afirmar também no Campeonato Mineiro, onde a margem para tropeços costuma ser menor para clubes de maior investimento.
O próximo compromisso é contra o Itabirito, no sábado (14), às 19h, no estádio Castor Cifuentes, em Nova Lima, pela oitava rodada do Estadual. O jogo se desenha como oportunidade imediata de resposta para um elenco pressionado, mas também como risco adicional, caso a equipe não consiga traduzir o discurso de responsabilidade coletiva em desempenho mais sólido.
A fala de Igor abre espaço para discussões táticas no clube. A insistência na defesa “uniforme” indica que a comissão técnica pode cobrar linhas mais compactas, maior participação dos atacantes na recomposição e controle de bola para reduzir o tempo de exposição da zaga. A curto prazo, a prioridade é simples: estancar os gols sofridos sem diminuir a capacidade ofensiva.
O ambiente na Arena MRV mostra que a paciência do torcedor tem limite. A sequência de empates e a sensação de que o time rende abaixo do potencial aumentam a exigência por mudanças práticas, não apenas discursos firmes em entrevistas. O desafio do elenco é transformar a autocrítica em performance, sob pena de ver a temporada de 2026, que “parecia um grande ano”, se complicar logo nos primeiros meses.
As próximas semanas dirão se a defesa compartilhada de Igor Gomes marca um ponto de virada na postura do Atlético em campo ou se ficará registrada apenas como mais um desabafo em meio a uma temporada que começa com mais dúvidas do que certezas.
