Idosa de 75 anos é agredida por motociclista em rua nobre de BH
Uma idosa de 75 anos é agredida por um motociclista e tem o carro destruído na tarde de 15 de janeiro de 2026, em uma rua nobre de Belo Horizonte. O homem persegue a vítima, a acerta com um soco, joga uma pedra contra o veículo e ainda foge levando o celular da neta dela, de 12 anos.
Ataque em plena luz do dia em área de grande movimento
O ataque acontece na Rua Professor Antônio Aleixo, ao lado da Praça da Assembleia, no Bairro Lourdes, região Centro-Sul da capital mineira. A área concentra prédios públicos, escritórios, comércio e grande circulação de pedestres e veículos. Mesmo assim, a violência ocorre em plena tarde de quinta-feira, sem que o agressor seja detido.
De acordo com a Polícia Militar, a idosa relata que havia estacionado o carro em uma rua sem saída próxima dali para resolver assuntos pessoais. Ela se afasta do veículo por alguns minutos e, ao retornar e abrir a porta, é abordada por um homem em uma motocicleta. O condutor a acusa, de forma agressiva, de ter encostado no veículo dele e danificado a pedaleira.
A vítima afirma aos policiais que, se houve algum contato, não foi intencional. Ela pede desculpas, explica que não percebeu qualquer avaria na moto e se oferece para arcar com eventuais prejuízos, caso eles sejam comprovados. A tentativa de acalmar a situação não funciona. O motociclista passa a filmá-la com o celular e inicia uma sequência de xingamentos e ofensas.
A idosa tenta encerrar a discussão e entra no carro. Em vez de desistir, o homem sobe na moto e começa a persegui-la pelas ruas do bairro. As duas trajetórias se cruzam de novo já na Rua Professor Antônio Aleixo, endereço conhecido por abrigar prédios de órgãos do poder público estadual. É ali que a discussão se transforma em agressão física.
Segundo o boletim de ocorrência, o motociclista se aproxima do veículo, desfere um soco contra a idosa e, em seguida, pega uma pedra e a arremessa com força contra o carro. O impacto estilhaça o vidro. Fragmentos de vidro atingem o rosto e o corpo da vítima, que perde os sentidos por alguns instantes dentro do automóvel.
Violência contra idosos e crianças expõe sensação de insegurança
No banco do passageiro está a neta da idosa, uma menina de 12 anos. Diante da cena, a criança tenta acionar a polícia pelo celular, mas entra em pânico. Em busca de ajuda, ela se aproxima de outro motociclista que está nas proximidades e entrega o aparelho para que o homem ligue para o 190. O condutor parte em seguida e não devolve o telefone. O caso é registrado como furto.
Uma testemunha presencia toda a ação e confirma a versão da idosa à Polícia Militar. A corporação aciona uma viatura de resgate, que leva a vítima para o Hospital João XXIII, referência em atendimento de traumas em Belo Horizonte. A mulher chega consciente ao hospital, com ferimentos provocados pelos estilhaços e sinais do impacto do soco. O estado de saúde dela não é detalhado, mas, segundo o relato policial, ela fica bastante abalada emocionalmente.
O episódio reforça a preocupação com a segurança de idosos em grandes cidades. A violência ocorre em uma região considerada nobre, em plena luz do dia, sem qualquer relação anterior entre vítima e agressor. Entidades que acompanham casos de violência contra idosos lembram que a legislação brasileira prevê proteção específica para pessoas com mais de 60 anos e considera a vulnerabilidade como fator que agrava o crime.
Casos de agressão em discussões de trânsito se multiplicam nas grandes capitais brasileiras nos últimos anos, impulsionados por conflitos cotidianos, impaciência e sensação generalizada de impunidade. Em Belo Horizonte, dados da segurança pública indicam aumento de registros de lesão corporal e ameaças em vias públicas, muitas vezes motivados por desentendimentos aparentemente banais.
No episódio de Lourdes, além da violência física, há o trauma psicológico de uma mulher de 75 anos atacada após se dispor a pagar por um dano ainda não comprovado. A neta, que presencia toda a agressão e perde o próprio celular, também é diretamente atingida. A família passa a lidar com o medo de voltar a circular pela cidade e com a lembrança de uma tarde que começa com uma tarefa comum e termina no hospital.
Caça ao agressor, lacunas na investigação e próximos passos
Com base na placa da motocicleta, a Polícia Militar identifica que o veículo pertence a uma locadora. A empresa é acionada e fornece os dados do cliente que está com a moto no dia da agressão. O suspeito, no entanto, ainda não é localizado até a publicação desta reportagem. A apuração prossegue em conjunto com a Polícia Civil, que deve ouvir novas testemunhas e reunir imagens de câmeras de segurança da região.
Em relação ao furto do celular da menina, não há, por enquanto, informações suficientes para identificar o autor. A descrição do segundo motociclista é vaga, e a dinâmica acontece em um momento de grande tensão, o que dificulta detalhes mais precisos. A família aguarda atualizações do inquérito e cobra resposta rápida das autoridades. A violência mobiliza usuários de redes sociais, que repercutem o caso e defendem punição exemplar, além de medidas de proteção mais efetivas a idosos em espaços públicos.
Organizações voltadas à defesa dos direitos da pessoa idosa acompanham o caso e planejam cobrar do poder público ações específicas de prevenção, como campanhas educativas sobre respeito no trânsito, canais de denúncia acessíveis e presença mais constante de patrulhamento em áreas de grande circulação. Especialistas lembram que a responsabilização do agressor não elimina os efeitos do trauma, mas sinaliza que ataques desse tipo não são aceitáveis.
A investigação agora tenta transformar a placa identificada e os dados da locadora em um rosto, um endereço e, por fim, em um indiciamento formal. O desfecho vai indicar se a resposta do Estado acompanha a gravidade da cena registrada em uma tarde comum de janeiro ou se episódios como o de Lourdes continuarão a se repetir, alimentando a sensação de que, para idosos e crianças, a rua ainda é um lugar hostil.
