Huawei lança Watch GT Runner 2 e mira elite da corrida em 2026
A Huawei lança nesta quinta-feira (26) em Madri o Watch GT Runner 2, relógio inteligente voltado para corredores de alta performance. O modelo promete GPS ultraprreciso, treinos personalizados para maratona e monitoramento avançado de saúde para disputar espaço com marcas consagradas no nicho esportivo.
Huawei avança no nicho dos relógios para corrida
No palco montado na capital espanhola, a empresa chinesa deixa claro que não quer mais ser coadjuvante no mercado de relógios esportivos. O GT Runner 2 nasce para enfrentar diretamente Garmin, Coros e Polar, marcas que dominam o pulso de quem corre provas longas há anos. A aposta da Huawei está em três frentes: leveza, precisão de dados e um sistema de treino que tenta traduzir ciência do esporte em recomendações simples.
O relógio pesa 34,5 gramas sem pulseira, medida que o coloca entre os modelos mais leves do segmento. A caixa de titânio tem 43,5 milímetros de diâmetro e 10,7 milímetros de espessura, o que resulta em um visual esportivo, mas discreto o suficiente para o dia a dia. Acompanham o produto duas pulseiras, uma de tecido, mais ventilada, e outra de fluoroelastômero, um tipo de borracha resistente ao suor.
O anúncio em Madri também inclui outros lançamentos, como o smartphone Mate 80 Pro, o tablet MatePad Mini, os fones FreeBuds Pro 5 e a série Band 11. Ainda assim, o GT Runner 2 assume o protagonismo entre os produtos voltados ao público esportivo e será um dos primeiros a desembarcar no Brasil. A pré-venda nacional começa em 4 de abril, ainda sem preço divulgado pela marca. Na Europa, o relógio custa 399 euros, o equivalente a cerca de R$ 2.418 na conversão direta, sem impostos.
Treino mais inteligente, não apenas mais intenso
O GT Runner 2 tenta ir além da contagem de passos e calorias. Ele oferece um modo específico para maratonas, com plano de treino que se adapta em tempo real ao desempenho do usuário. Para isso, o relógio coleta dados como ritmo, frequência cardíaca, oscilação vertical do tronco e tempo de contato de cada pé com o solo. Esses números ajudam a identificar assimetrias e padrões que podem levar a lesões ou perda de rendimento.
No aplicativo, compatível com Android e iOS, o corredor cadastra provas-alvo, define datas e metas de tempo. A partir das informações pessoais – como sono, respiração, nível de estresse, saturação de oxigênio e ciclo menstrual – o sistema monta um plano de treinos automatizado. A proposta é ajustar carga e intensidade conforme o corpo reage. Se o relógio detecta fadiga acima do esperado, por exemplo, tende a reduzir o esforço sugerido para o dia. “Não é sobre correr mais, é sobre correr de forma mais inteligente”, resume Andreas Zimmer, head de produto da Huawei.
A assistente de corrida atua durante o treino, com avisos sonoros e alertas visuais no pulso. Um recurso chamado “pacer virtual” coloca na tela uma figura humana que representa o ritmo-alvo, ao lado de outra que simboliza o corredor. A distância entre as duas imagens mostra, em tempo real, se o usuário está dentro do planejado, à frente ou atrasado em relação à meta.
A precisão dos dados é um dos principais argumentos de venda. Segundo a Huawei, o pace, que é o tempo por quilômetro, atinge quase 97% de acurácia em áreas com prédios altos e 98% em espaços abertos. A medição de distância chegaria a 99% de precisão mesmo em rotas que passam por túneis, graças a uma antena de GPS em formato tridimensional que fica suspensa na estrutura do relógio. Em testes iniciais, o posicionamento se mostra rápido ao sair de ambientes fechados para a rua, com localização praticamente instantânea.
Além do desempenho esportivo, o GT Runner 2 tenta se firmar como monitor de saúde de uso constante. A tecnologia proprietária TruSense System reúne sensores dedicados à análise de batimentos, oxigenação do sangue, qualidade do sono e indicadores de estresse. Ao fim de cada treino, o relógio calcula um tempo sugerido de recuperação cardíaca, em cerca de dois minutos, e apresenta dados como limiar de lactato, ponto em que o corpo começa a acumular mais lactato e tende a perder rendimento.
Bateria longa, atletas no teste e disputa com rivais
A autonomia de bateria é outro trunfo com potencial de impacto na rotina de treino. De acordo com a Huawei, o GT Runner 2 alcança até 14 dias longe da tomada em uso típico e suporta 32 horas seguidas de exercícios ao ar livre com GPS ativo, número suficiente para ultramaratonas e provas de trilha de longa duração. Na prática, isso significa menos preocupação com carregadores e mais liberdade para planos de treino contínuos, sem necessidade de recarga diária.
O relógio chega ao mercado com a chancela de atletas de elite. Em janeiro, a Huawei anunciou parceria com o time de corrida dsm-firmenich, que treina o recordista mundial de maratona Eliud Kipchoge. A equipe testa o GT Runner 2 antes do lançamento oficial e fornece feedback de performance. Em Madri, o bicampeão olímpico sobe ao palco como embaixador global do modelo, reforçando o discurso de que o produto foi pensado para o alto rendimento, mas também pode ser usado por corredores iniciantes.
Quem está começando encontra no relógio programas prontos de aquecimento, alongamento, treinos intervalados e rotinas específicas para corrida, natação e até pular corda. São 13 treinos de corrida pré-carregados, divididos entre intensidade leve, moderada e forte. Ao mesmo tempo, o sistema oferece recursos de conveniência que aproximam o GT Runner 2 de um relógio para uso geral, como tela AMOLED colorida de 1,32 polegada sensível ao toque, resposta rápida, atendimento de chamadas de voz direto no pulso e função de capturar “prints” da tela para compartilhar métricas nas redes sociais.
No design, a Huawei busca equilibrar estética esportiva e aparência urbana. Em Madri, o GT Runner 2 aparece em três cores – azul, laranja e preto – e alterna entre mostradores digitais cheios de informações e faces mais discretas, voltadas ao uso diário. A marca tenta ocupar um espaço já bem preenchido por rivais tradicionais, apostando em um conjunto de funções que promete integrar, em um aparelho, ferramentas que hoje muitos corredores precisam combinar em diferentes dispositivos e aplicativos.
Brasil na rota e corrida por inovação no pulso
A chegada ao Brasil ainda depende da definição de preço e da estratégia de distribuição, mas a pré-venda marcada para 4 de abril indica que o relógio deve desembarcar no país em breve. Num mercado em que modelos avançados de corrida costumam superar os R$ 3.000, a conversão direta de 399 euros sugere que o GT Runner 2 deve ocupar a faixa premium, pressionando concorrentes a responder com mais precisão de dados, melhor autonomia e planos de treino mais inteligentes.
O movimento da Huawei reforça uma tendência de fusão entre tecnologia de consumo, ciência do esporte e monitoramento de saúde. Se o relógio entregar no uso real a promessa de GPS preciso, bateria longa e planos personalizados, deve ganhar espaço tanto no pulso de amadores quanto no de atletas experientes. A disputa agora passa a ser menos sobre quem oferece mais modos de treino no menu e mais sobre qual dispositivo consegue transformar dados complexos em decisões claras para o corredor. A próxima maratona não será travada apenas nas ruas de grandes cidades, mas também na capacidade de cada relógio em guiar, com precisão, cada passo do usuário.
